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    3º Neurônio | cinema

    Tura Luna Pascual Yamaguchi

    Tura, a estrela cult que encantou Elvis e inspirou Tarantino

    por Diego Nunes | Memória Cinematográfica | Publicada em 10/07/2017 às 19h08

    Tura Satana foi uma das protagonistas do filme Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965), de Russ Meyer.

    Tura Luna Pascual Yamaguchi nasceu em 10 de julho de 1938 (algumas fontes dizem que teria sido em 1935), em Hokkaido, Japão. Filha de um ator japonês e de uma artista circense de origem indígena norte americana, ela mudou-se com a família para os Estados Unidos no começo da Segunda Guerra Mundial.

     

     

    Mas as coisas não ficaram mais fáceis na América. Em 1942, então com quatro anos de idade, a menina e os pais foram enviados para o Campo de Concentração de Manzanar, um campo para prisioneiros de origem japonesa em Sierra Nevada, Califórnia. Lá permaneceram presos até o final da guerra.

    Após a libertação, mudaram-se para Chicago. Mas os problemas da família não pararam por aí. Eles sofriam o preconceito por serem estrangeiros, vindo de um antigo país rival dos EUA na Guerra. Aos nove anos sua mãe pediu para ela ir a padaria buscar uma encomenda. Na volta, a menina foi encurralada por cinco homens que a jogaram num carro e a levaram para um galpão abandonado.

     

    : Tura aos nove anos

     

    Lá ela foi estuprada por todos eles, e depois jogada na rua bastante ferida após também ser espancada (ela quase teve um pé amputado devido aos ferimentos). Os homens foram identificados e julgados. No tribunal, alguns deles confessaram que ganharam mil dólares do líder do grupo, que encomendou seu sequestro pois queria a virgindade da garota oriental. Ele era um rico empresário, pai de família, e membro importante da sociedade local. Durante um julgamento bastante imparcial, que menosprezava a origem racial da menina, todos os homens foram inocentados.

    Tura então jurou vingança. Ela estudou artes marciais, ficando perita em Aikido e Karatê. Aos treze anos montou uma gangue de garotas chamada "The Angeles", todas imigrantes (e também descriminadas) e perseguiu seus agressores, espancando todos eles. Sua história inspirou o diretor Quentin Tarantino para criar a personagem O-Ren Ishii, a Boca de Algodão, interpretada por Lucy Liu em Kill Bill (Idem, 2004). Embora o filme também tenha muita inspiração no filme Lady Snowblood (1973), que falava de uma noiva em busca de vingança.
     

    Lady Snowblood (1973)

     

    Lucy Liu como O-Ren Ishii

     

    Na época da gangue foi presa e enviada para um reformatório. Ao sair, mudou-se para Las Vegas, onde tornou-se dançarina de burlesco, fazendo strip-tease na "cidade do pecado". Tura tinha apenas 15 anos, mas usava documentos falsos para trabalhar. Lá conheceu artistas como Frank Sinatra e Elvis Presley, e encantou o "rei do rock", com quem namorou.

     

     

    Elvis a pediu em casamento, ela não aceitou, mas disse que ficaria com o anel com que ele fez o pedido. Vendeu a joia e com o dinheiro comprou uma passagem para Los Angeles, para tentar a carreira de atriz. Lá conheceu Harold Lloyd, antigo astro do cinema mudo.

    Lloyd tinha uma câmera estereoscópica, que fazia fotos em 3D, e tirava fotos nuas de starlets e aspirantes a atriz. Ele convidou Tura para ser uma de suas modelos. Estima-se que ele tirou cerca de 300 mil fotos (entre nos anos 40 e 60) de cerca de 5 mil garotas que sonhavam em ser atriz, incluindo Marilyn Monroe, Jayne Mansfield e Bettie Page. Algumas destas fotos foram lançadas em um livro em 2004.

     

    Tura no ensaio e a capa do livro

     

    Ela estreou no cinema em Irma La Douce (Idem, 1963), clássico de Billy Wilder, estrelado por Shirley McLaine e Jack Lemmon. Tura interpretou a prostituta Suzette Wong. O sobrenome Satana, que usou artisticamente, veio de seu antigo marido John Satana, com quem ela se casou aos 13 anos (foi um casamento arranjado por seus pais, que durou apenas nove meses).

     

    Billy Wilder orientando Tura

     

    Suzette Wong

     

    Jack Lemmon e Tura Satana

     

    Em seguida ela atuou em Quem Anda Dormindo em Minha Cama? (Who's Been Sleeping in My Bed?, 1963), onde interpretou uma stripper. Nesta época também era contratada pelos estúdios para dar aula de strip-tease para as atrizes, ensinando inclusive a comediante Carol Burnet. Também fez participações em séries como A Lei de Burke (Burke's Law) e O Agente da UNCLE (The Man From U.N.C.L.E.).

     

    Dean Marin e Elizabeth Montgmery admirando a dança de Tura Satana

     

    Com Robert Vaughn em O Agente da UNCLE

     

    Foi então que foi escolhida para protagonizar Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965), junto com as atrizes Haji e Lori Williams. O filme foi um fracasso em seu lançamento, como toda a obra do cineasta Russ Meyer, considerado um diretor de terceiro escalão. 

     

     

    Assista ao filme completo, legendado

     

    O filme contava a história de três belas jovens correndo de carro no deserto e cometendo crimes aleatoriamente. Com o tempo tornou-se cult e conquistou uma legião de fãs. Faster, Pussycat! Kill! Kill! é hoje uma obra cult da contra-cultura, e foi uma das inspirações para o filme À Prova da Morte (Grindhouse, 2007), de Quentin Tarantino. 

     

     

     


     

    É sem dúvida o filme mais famoso de Tura Satana, que anos mais tarde processou o diretor exigindo os direitos autorais de sua imagem, explorada constantemente por ele. Mas mesmo com o processo, permaneceram amigos até a morte de Meyer em 2004.

    Em seguida Tura atuou em outro filme trash que hoje é considerado cult, The Astro-Zombies (1968), estrelado por Wendell Correy, antigo astro da Paramount em decadência (ele morreria de cirrose no mesmo ano). Ela ainda faria mais um filme, também de baixo orçamento, chamado The Doll Squad(1973), depois deixou o cinema, após ser baleada por um ex-namorado.

     

    Com Wendell Corey em The Astro-Zombies

     

    Em The Doll Squad

     

    Tornou-se enfermeira, e mais tarde foi operadora de rádio da polícia. Foi na polícia que conheceu Endel Jurman, com quem se casou em 1981 (ficaram casados até 2000, quando ele faleceu). Também foi segurança em um hotel em Reno.

    A partir da década de 2000 retornou ao cinema, também em filmes "b", dirigidos por uma nova legião de fãs que descobriram seus filmes. Também passou a frequentar convenções de cinema.  Ela faleceu em 4 de fevereiro de 2011, aos 72 anos.

     

    Em Astro Zombies: M3 - Cloned (2010), seu último filme

     

     

     

    Diego Nunes é gaúcho, formado em Rádio e TV pela Universidade Metodista de São Paulo, é pesquisador da memória cultural e artística, e sua paixão é o cinema. Além disso, atua como diretor cultural da Pró-TV, Museu da TV Brasileira, e no departamento de arquivo da Rede Record de Televisão.

    Acompanhe-o pelo Memória Cinematográfica.

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