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    3º Neurônio | luto

    Morre a artista Rogéria, atriz, cantora, maquiadora, vedete e muito mais

    Morre Rogéria, a travesti da família brasileira

    por Diego Nunes | Memória Cinematográfica | Publicada em 05/09/2017 às 14h30| Atualizada em 05/09/2017 às 15h26

    Morreu nesta segunda aos 74 anos Rogéria, atriz, cantora, maquiadora, vedete... que se auto intitulava a "travesti da família brasileira".

    Rogéria nasceu Astolfo Barroso Pinto, em 25 de maio de 1943, em Cantagalo no Rio de Janeiro. Foi uma das pioneiras do transformismo no Brasil, e começou a aparecer publicamente quando tornou-se figura frequente nos auditórios da Rádio Nacional, principalmente nas apresentações de Milinha Borba, de quem ela era grande fã.

     

    : Rogéria, ainda Astolfo, maquiando Emilinha Borba

     

    Rogéria começou a trabalhar como maquiadora na TV Rio, onde passou a conviver com os grandes artistas brasileiros (e internacionais que faziam temporadas no país), esta foi sua entrada no meio artístico, e como ela dizia "sua grande escola".

    No carnaval de 1964 desfilou em um tradicional concurso de fantasias, com trajes femininos. O apresentador, para desmerecê-la, disse "nestas roupas está um Rogério". E o público para defendê-la gritou em coro "Rogéria, Rogéria", e assim surgia seu nome artístico.

    Em maio daquele ano, estreou nos palcos nos shows de transformismo. No cinema, estreou fazendo dois filmes no mesmo ano: Enfim Sós... Com o Outro (1968) e O Homem que Comprou o Mundo (1968), este último uma comédia dirigida por Eduardo Coutinho em começo de carreira.

     

    Rogéria em O Homem que Comprou o Mundo (1968)

     

    Rogéria atuou em cerca de doze filmes, e também fez inúmeras novelas, participações em programas de TV e no teatro de revista. Em 1979 ganhou o Troféu Mambembe de melhor atriz por sua atuação em um espetáculo com Grande Otelo.

     

    : Com Nadyr Fernandes em O Sexualista (1975)

     

    Seu último trabalho no cinema foi no documentário Divinas Divas (2016) dirigido por Leandra Leal. Leandra basou-se em um espetáculo que ela fazia desde 2004 com o mesmo nome, e resolveu registrar a memória afetiva que tinha dos pioneiros shows de transformismos, realizados nos teatro de sua mãe, que alugava-os para tais apresentações. Em 2016 também lançou sua biografia Rogéria - Uma Mulher e Mais um Pouco, escrita por Marcio Paschoal.

     

     

    Rogéria estava internada em um hospital na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. No início de julho deste ano ela já havia ficado internada por alguns dias com uma forte infecção urinária que depois se extendeu para uma infecção generalizada. A artista estava com 74 anos de idade. A morte foi confirmada por seu amigo e empresário Alexandro Haddad, que afirmou que a atriz havia se internado para dar continuidade ao seu tratamento.

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