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GRAVATAÍ, 23/11/2017

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    alerta

    Câmara técnica subiu o rio em agosto do ano passado e verificou processo de erosão no Guará

    O Rio Gravataí está descendo pelo ralo

    por Rafael Martinelli | Publicada em 03/10/2017 às 18h46| Atualizada em 23/10/2017 às 15h41

    No coração do Banhado Grande, onde pulsam Gravataí, Viamão e Glorinha, jaz um esqueleto que joga na nossa cara a morte – nem tão lenta – do rio. O arroio Guará secou, vítima de um Godzilla que, como em uma vingança contra os homens que o criaram, diametralmente carrega com a força das águas o que vê pelo caminho, antecipando o fim do efeito esponja que fazia do Gravataí uma grande caixa d´água natural.

    – Abriram esse ralo nos anos 60, em nome de interesses econômicos. E as formas de manejo da pecuária e das lavouras de arroz, que continuam iguais ao século passado, contribuem para que, se nada for feito, em poucos anos o Gravataí se vá. É incrível que tudo isso aconteça em uma APA – alerta o biólogo e doutor em Ecologia Jackson Muller, sobre a Área de Proteção Ambiental do Banhado Grande, que abrange biomas Pampa e Mata Atlântica em Gravataí, Glorinha, Viamão e Santo Antônio da Patrulha. 

    O ‘ralo’ a que o presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente (FMMA) de Gravataí se refere é conhecido por ‘canal do DNOS’, um monstro liberto no final dos anos 60 com o objetivo de ampliar os hectares para lavouras de arroz e facilitar a irrigação – o que transformou um rio sinuoso, de barreiras naturais que criavam lagoas para armazenar a água, em uma verdadeira corredeira que arrasta toneladas de H2O, argila e areia a cada ano em direção ao Guaíba.

    – Imagine toda água que se espalhava pelo banhado correndo em um canal de 30 metros. Drenou o Guará e antecipa um processo de erosão que projetávamos para daqui a 15 anos. É preciso conter a velocidade com que essa água se vai – alerta Paulo Muller, outro ambientalista de carteirinha de um digito e uma das maiores referências de Gravataí quando se fala em meio ambiente.

    Ao subir o rio, e caminhar a pé pelo Guará, uma espécie de lagoa onde se forma o Gravataí em Glorinha, lacrimejou enquanto previa tempos áridos para o 1,2 milhão de habitantes da região metropolitana.

    – Se tivermos seca nessa virada de ano, não haverá água do Gravataí para ninguém: casas, empresas ou lavouras.

    – Outubro é onde começa o problema: chove menos, o consumo de água é maior nos dias quentes e inicia o preparo das lavouras de arroz – adverte Jackson Muller, que lembra que em 2016 a turbidez da água estava duas vezes acima do aceitável para consumo humano, o que fez com que a Corsan parasse de captar no Rio Gravataí.

    Uma câmara técnica do Conselho Deliberativo da APA do Banhado Grande busca alternativas desde junho do ano passado. A solução emergencial do chamado ‘projeto ratão do banhado’ são barragens, fixas ou móveis, para represar a água que desce desde a nascente. Isso além de cobrar fiscalização sobre as lavouras de arroz e apontar os riscos da criação desenfreada de gado às margens do rio, principalmente em Viamão, o que colabora para a erosão.

    – Passou um verão e nada foi feito – lamenta o engenheiro agrônomo Ivan Lessa, integrante do Conselho da APA e integrante do grupo de trabalho.

     

    A promessa

     

    É o Departamento de Recursos Hídricos (DRH) gaúcho o órgão responsável por evitar a catástrofe. O diretor-presidente Fernando Meirelles promete para o fim de outubro o início de estudos topográficos, geológicos e de planoaltimétricos para a busca de uma solução.

    – Solução definitiva, não apenas emergencial – garantiu, informando aos conselheiros da APA, em reunião que o Seguinte: acompanhou com exclusividade, que seis propostas foram apresentadas após abertura de edital e, definidas as contratações, os resultados deverão ser entregues em 90 dias.

    – A contenção da água será feita entre fevereiro e março.

     

    Até a página 2

     

    – Costumo confiar até a página 2. Mas o professor Meirelles merece crédito – atesta a veterana ambientalista Tânia Peixoto, professora que é uma das fundadoras da Associação de Preservação da Natureza do Vale do Gravataí (APN-VG).

    – Mas é preciso acelerar a criação de uma nova unidade de conservação. Estamos teorizando há 20 anos e nunca faltaram inimigos do Rio Gravataí para dizer que barragens não funcionam – cobra.

    A unidade é necessária para que órgãos de estado possam investir recursos na região de erosão, hoje uma área privada de 150 hectares que precisaria ser indenizada. Criando a figura jurídica, definida dia 23 de janeiro em reunião entre governo estadual, prefeituras e o Ministério Público, será possível usar recursos de compensações ambientais de empreendimentos como os parques eólicos, cujas linhas de transmissão cruzam a região metropolitana.

    – Até agora nada foi feito porque não se definiu quem paga – resume a bióloga Maria Salete Machado Aguiar, gestora da APA do Banhado Grande.

    – Também estamos em campo coletando dados para apresentar uma proposta de plano de manejo da APA até agosto de 2018 – acrescenta a bióloga da câmara técnica da APA Cecília Schuler Min, ligada à Fundação de Zoobotânica, sobre o regramento que atingirá desde a captação de água para consumo e empresas, até o uso nas lavouras.

     

    Ninguém entra

     

    O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí defende que os dois processos, o plano de manejo e a unidade de conservação, evoluam juntos.

    – Criou-se uma falsa polêmica sobre qual seria a prioridade, mas ambas são. Congelar aquela área, sem permissão para ninguém entrar, é proteção imediata do banhado – observa o presidente Sérgio Cardoso, outro voluntário dedicado há mais de duas décadas a órgãos ambientais.

    O geólogo conta que já conversou com os proprietários das duas fazendas, Barcelos e Quatro Irmãos, que estariam “felizes em vender banhado”.

    – O que falta é o Estado agilizar as desapropriações.

     

    Rio não é só caixa d´água

     

    A atenção à APA, e ao Rio, não só como fonte de água para consumo humano é o apelo que faz Jackson Muller. Para o presidente da FMMA não bastou a suspensão de licenças para novas licenças para captação industrial ou para expansão de lavouras, definida em resolução parida após a grande seca de 2004.

    – Ainda hoje não se sabe a vazão ecológica do Rio – lamenta, referindo-se à capacidade do Gravataí atender a seu ecossistema, atualmente um dos últimos elos perdidos de biodiversidade da região metropolitana, abrigo e reprodução de aves migratórias protegidas, como o cisne branco, e refúgio do quase extinto cervo galheiro, aparição rara e sempre aguardada na região do Banhado dos Pacheco.

    O ambientalista pede atenção da sociedade para a APA não só quando falta água na torneira.

    – Vivemos a cada ano uma repetição do óbvio: áreas degradadas pela erosão, plantio de arroz sem manejo adequado, gado nas margens do rio, pesca e caça predatória, além da captação de água sem tratamento adequado do esgoto – resume.

    E apela:

    – É preciso que todos se juntem a nós, pelo menos na gritaria.

     

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    FRASES DO JACKSON

    “Concentramos uma das maiores área degradadas por erosão da região metropolitana. A mudança hidrológica do Rio Gravataí começou com o canal do DNOS, ou ‘canal do Brizola’, com um pensamento puramente econômico e de desenvolver a agricultura sem medir o custo ambiental. Aí depois malucos meteram retroescavadeiras fazendo buracos de sete metros para dividir as lavouras e fazer drenagem. Até hoje não há plano de manejo, controle técnico ou critérios, mesmo sendo uma APA”.

     

    “Como está, em poucos anos o Rio morre. Próximo a Lagoa Anastácia a água está na canela, tivemos que empurrar o barco”.

     

    “Ano passado berramos até a criação de uma zona de exclusão de uso de agrotóxicos na APA, mas depois fomos surpreendidos por um acordo entre produtores e a Sema (secretaria de meio ambiente gaúcha) permitindo mais dois anos de poluição no Rio, o que destrói a mata ciliar, envenena ninhos...”

     

    “Nossa fiscalização é permanente, mas temos em nossa APA uma das maiores ofertas de caça e pesca do Estado. Apreendemos quatro barcos, facões e metros e metros de redes há 20 dias. Hoje o Rio é mais do caçador e do pescador, parece afastado, inacessível, apesar de ter paisagens magníficas”.

     

    “O Comitê da Bacia do Gravataí é o primeiro a ter um plano de gestão. Mas que sem orçamento não passa de mais um plano de intenções. E o Governo do Estado não se mexe, o setor econômico faz que não vê e o usuário só sente quando falta água. Poderíamos estar cobrando pelo uso da água, para gerar dinheiro novo dentro da Bacia, mas a burocracia emperra”.

     

    “O Gravataí vive no eterno abandono. Por que fizeram isso com o Rio? O prefeito (Marco Alba) está determinado em recuperar o que for possível. É uma bandeira, mas e os outros oito municípios? A Corsan nunca tratou nada do rio, só interessa a água quando está no reservatório e fica disponível para venda”.

     

    “A Corsan arrecada em média R$ 70 milhões por ano em Gravataí e investe R$ 7 milhões. Pelo subsídio cruzado, financiamento água em outras localidades enquanto só matam o rio aqui. Mas essa festinha vai acabar, porque o prefeito vai exigir a recuperação do rio na concessão que lançará dos serviços de água e esgoto”.

     

    “Só com a pressão social poderemos ter mudanças. Do contrário, é só mais faz de conta”.

     

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