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    Marco Alba, prefeito de Gravataí

    COLUNA DO MARTINELLI | A culpa da insegurança é do prefeito?

    por Rafael Martinelli | Publicada em 05/07/2017 às 13h42| Atualizada em 11/07/2017 às 12h13

    Estaria o prefeito ao fim da tarde da quarta passada, na sacada da Prefeitura, falando ao celular com o polêmico e bom de gogó Cezar Schirmer, secretário de Segurança gaúcho?

    Após as histórias de campanhas dos anos 90 que rememoram a amizade, teria Marco Alba apelado outra vez por mais PMs no fim do túnel da insegurança pública em Gravataí?

    Só no ano passado o 17º BPM perdeu uma centena de policiais, entre aposentadorias, promoções, transferências e a debandada que vive a corporação pelos parcelados salários de fome que pouco compensam o risco de cruzar com manos antisociais ou levar bala na cara.

    Costumamos numa cidade colocar o prefeito como o primeiro na linha de tiro. E quando, como naquele dia, as tragédias estão nas capas dos jornais, populares e da elite, e chora-se uma real dionísia, com um policial caindo morto em serviço nos braços da esposa e colega de distintivo, o tribunal das redes sociais não perdoa, sentencia: culpado!

    Sabedor que sete em cada dez pessoas respondem nas pesquisas que não estão preocupadas, e sim apavoradas com a insegurança, Marco começou o segundo governo colocando o tema como prioridade. Chamou uma responsabilidade que, constitucionalmente, não é sua. Expôs-se politicamente. Mas, ao não buscar escudo na nossa peça maior de ficção, merece crédito por ter evitado uma covardia inominável por esses tempos, que seria abandonar a população ao que pouco ou nada fazem Sartori e Temer nesta área.

    Em sua primeira segunda-feira após eleito, mandou à Câmara projeto contratando 41 novos guardas municipais, perfazendo um efetivo que arrisca ser maior que o número de PMs nas ruas da aldeia. Certo ou errado, dadas controvérsias pela Guarda exercer papel de polícia, pelo menos mais giroflex nos bairros e vilas ajudam a dar uma sensaçãozinha de segurança.

    E os números de furtos e roubos diminuíram em Gravataí. Se não foi uma coincidência, e mais PMs não tivemos, pelo contrário, então talvez seja efeito da estratégia de fazer os guardas girarem nas ruas.

    Em outra ação prática, no segundo dia Marco, assinou o contrato para levar fibra ótica a escolas, postos de saúde e prédios públicos, com objetivo de até o ano que vem cercar a cidade de câmeras.

    Isso chega?

    É difícil ter dúvidas de que o próprio Marco sabe que não é suficiente. O gelo enxugado escorre pelas mãos, tanto quanto o sangue que mancha as vielas das periferias. Gravataí não é nunca foi e nem será uma ilha. O município - como a maioria dos coirmãos - vai superar este ano o número de mortes do ano passado, como as mortes do ano passado superaram as do ano anterior.

    Vivemos uma guerra onde até os filhotes da ditadura e os adeptos do ‘bandido bom é bandido morto’ se assustam com tantos assassinatos, mesmo que pelo menos oito em cada dez dessas mortes estejam ligadas ao acerto de contas entre traficantes de diferentes - ou das mesmas - facções.

    Em provocação em meu perfil pessoal no Facebook, observei que se drogas fossem vendidas em farmácias Gravataí quase não teria homicídios. Rendeu curtirameihahauautriste e grr, além dos mais variados e inusitados comentários.

    Mas é a realidade. As mortes em Gravataí são a excrescência da guerra do tráfico.

    E nós com isso? Nós queremos mais PMs, queremos mais investigadores, queremos mais viaturas, queremos que juízes não só mantenham presos aqueles que foram presos depois de matarem após terem sido soltos porque nunca tinham matado. Mas presídio no quintal, queremos? E oportunidade aos presos? Sim, ou paredão neles? E programas sociais? Ou repetimos bordões de que só servem para sustentar vagabundos? E se não há dinheiro queremos que vá para a educação ou para asfaltar nossa rua?

    Um bom exercício pode ser tirar os olhos um pouquinho do umbigo, ou timeline, e navegar pela nossa consciência.

    Com qual modelo de sociedade colaboramos? Teoria e prática. Valores, famílias, a pobreza e a deseducação. O quanto nos molda a maldade universal de nossa espécie e o jeitinho brasileiro que insiste em se agarrar ao nosso DNA pelo menos desde os tempos em que Elias Antônio Lopes virou ‘amigo do rei’ ao dar a Dom João uma casa no melhor terreno da Quinta da Boa Vista?

    Ouçamos o bater e guardar de panelas antes, durante e depois de grandes e pequenas corrupções de – português errado – ‘cidadãos de bem’ ou não.

    Talvez mais honesto seja admitirmos nossa parcela antes de nos bastar destilar ódio e terceirizar a culpa apenas aos políticos da vez.

    A saída que vou apresentar na conclusão deste artigo? Minhas limitações intelectuais me impedem de apontar para frente, para trás, à direita ou à esquerda. Com a palavra, os especialistas - que temos para todos os gostos.

    Há pouco pedi para participar, pelo Seguinte:, da reunião do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M), que acontece nesta tarde no gabinete do prefeito, envolvendo as cúpulas da Prefeitura, Guarda e polícias Militar e Civil. Estou aguardando uma autorização do governo para acompanhar de dentro da sala. Talvez ali apareçam caminhos. Mas desconfio que estejamos condenados por gerações.

    Apesar de fácil, não considero justo escolher Marco, ou o prefeito da vez, como o vilão da história, como se vê pelas redes sociais. Talvez o dedo tenha que ser apontado (depois de percorrer todos os lados) um pouco mais para cima.

    De uma certeza de cabelos brancos, apenas que salvadores da pátria não há nem a longuíssimo prazo para medicar essa doença endêmica da segurança.

    Por hoje, resta a quem acredita rezar a Deus para não entrar na estatística e perder o celular ou o carro, por que alguma hora vai, ou então tropeçar no corpo de um traficante em alguma esquina.

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