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    entrevista

    Jean Pierry Torman, procurador geral de Gravataí e presidente do PMDB

    Jean, da confiança de Marco Alba e cria de Acimar

    por Rafael Martinelli | Publicada em 11/09/2017 às 17h37| Atualizada em 18/09/2017 às 16h56

    Eleito presidente pelos próximos dois anos, Jean Pierry Torman é uma estrela em ascensão no PMDB que desde outubro de 2011 governa o terceiro maior PIB do Rio Grande do Sul. Advogado mais jovem da história de Gravataí a assumir a Procuradoria-Geral, em 6 de janeiro de 2012, ao lado de peso pesados do partido como Sônia Oliveira e Luiz Zaffalon é um dos únicos secretários que passaram pelos três governos.

    Aos 34 anos e hoje um dos principais conselheiros do prefeito Marco Alba – com quem fala diariamente, sete dias por semana, na jornada de ambos de 14, 15 horas de trabalho – o montenegrino filho da vendedora Margarete e do mecânico Nicolau já contabiliza meia vida no serviço público, onde entrou pelas mãos de personagem lendário da política local, Acimar da Silva.

    Aos 17 anos, o colorado estudante da escola pública (Tuiuti, Padre Nunes, José Maurício e Erico Verissimo) que tinha começado a trabalhar com 14 em uma empresa de produtos de limpeza na Avenida Brasil, era empacotador do supermercado Nacional da 79. Integrante do CLJ da Igreja São Vicente de Paulo, de Cachoeirinha, participava junto com a galera do padre Ermelindo Lottermann de uma ação no Parque dos Anjos quando o então vereador lhe convidou ingressar na juventude do PSDB.

    – Passei a freqüentar a Câmara e foi bem no período em que chegaram computadores. Ninguém sabia mexer e eu disse: disso sei brincar. Tinha recém terminado um curso de informática na QI, não tinha computador em casa, então ia lá e ajudava. O Acimar me dava um troco do próprio bolso, até que em 2001 fui contratado formalmente – conta o irmão da Helen, que como ele pagou pela própria faculdade, e nos 10 anos seguintes fez carreira como assessor parlamentar, assessor técnico, chefe de gabinete e supervisor geral do legislativo.

    Com Acimar, com quem em 2003 foi para o PMDB, Jean viveu uma relação quase que paternal, até o assassinato do ex-prefeito em um assalto – em data que engasga ao falar: 15 de julho de 2015.

    – Foi a primeira pessoa mais próxima que eu amava e perdi para a morte...

    As lembranças brotam com lágrimas guardadas pelo semblante aparentemente frio, mas que esconde uma personalidade forte característica de nascidos sob o signo de Escorpião.

    – O que me tornei como profissional e ser humano devo ao Acimar. Não consigo pensar em uma coisa negativa sequer no convívio com ele. Era um espírito diferenciado para lidar com seres humanos.

    Mas a carreira no setor público não era o Plano A de Jean, o que mudou em 2011, em dois sorteios. Ele já tinha seu segundo escritório aberto, na Carlos Link, e já tinha avisado Acimar que ao fim daquele ano passaria a atuar exclusivamente na advocacia privada. O destino fez com que o vereador fosse sorteado relator nos dois processos de impeachment abertos contra Rita Sanco naquele primeiro semestre onde o PT começou a derrocada em uma de suas cidades símbolo nas duas décadas anteriores.

    – Quando o Acimar disse conto contigo, aceitei na hora. Jamais diria não, depois de tudo que ele fez por mim – recorda, dividindo com Régis Fonseca e Claudio Santos, assessores de Levi Melo e Vail Correa, a elaboração do relatório que, aprovado pela Câmara, levou à cassação da professora Rita em 15 de outubro de 2011, Dia dos Professores.

    Nos 30 dias seguintes a vida de barnabé se agarrou novamente a Jean. Como Rita fora impichada após metade mais um dia do mandato, os vereadores em eleição indireta escolheriam o prefeito até 31 de outubro de 2012. Com 10 votos entre os 14 parlamentares da época, Acimar foi o eleito. O primeiro nome que indicou para o governo foi o menino de sua total confiança: Jean.

    Em outubro de 2012, Marco Alba foi eleito prefeito e Jean integrou o grupo de transição entre os dois governos do mesmo partido. Ali começou uma relação que não apenas o mantém naquele que é um dos mais altos cargos da Prefeitura, como lhe garante a cadeira ao lado direito do prefeito nas reuniões do secretariado, além de, há duas semanas, uma eleição como candidato de consenso num partido que têm políticos experimentados como o ex-prefeito interino Nadir Rocha, o vereador mais votado Paulinho da Farmácia e o deputado federal Jones Martins.

    – A relação com o Marco se solidifica cada vez mais. Experimentamos a pressão, ele de comandar, eu de assessorar, uma das maiores prefeituras do Brasil. Hoje nos conhecemos por olhares. Muitas vezes concordamos em discordar – sorri.

    – Temos senso crítico forte. Mas sei do meu lugar e minha responsabilidade, de estar atualizado juridicamente para poder dar segurança às ações de governo – diz aquele que, como advogado geral do município, é uma espécie de ‘anjo da guarda’ de toda Prefeitura.

    – O serviço público é muito diferente do privado. Há ritos e burocracias que nem acordo entre as partes resolve. Há um tempo diferente para as coisas, não há atalho – diz o bacharel pela Ulbra Gravataí, que nos últimos cinco anos já ganhou fama de linha dura no tratamento com fornecedores e pessoas que buscam conciliação em alguns dos mais de 50 mil processos ajuizados pela PGM.

    – Há muito em nossa sociedade daqueles conceitos antigos, do jeitinho brasileiro, de furar a fila, de levar vantagem. Quando vamos negociar, acordo bom é aquele onde se respeita o dinheiro público, que é de todos. O mantra do prefeito é: façam a coisa certa, cumpram a lei. Procuramos sempre informar o Ministério Público e o Judiciário de nossas intenções. Podemos errar, mas não por má fé. Essa transparência já nos valeu certificações do Tribunal de Contas e do Ministério Público Estado e Federal.

    Até agosto um ‘tecnocrata’, Jean agora ocupa uma função política. Sob sua presidência, o maior partido de Gravataí definirá estratégias para as eleições de 2018 e 2020.

    Confira trechos da entrevista exclusiva para o Seguinte:, retirados de uma conversa de quase duas horas com o advogado que quem ainda não ouviu, vai ouvir muito falar nos próximos anos.

     

    Seguinte: Ficaste conhecido como ‘o exterminador de dívidas’ pela anulação de duas contas milionárias, que juntas passam dos R$ 200 milhões: a que levou à cassação da prefeita Rita e uma dívida com o INSS. São os símbolos da tua gestão frente à Procuradoria até agora?

    Jean – A ‘dívida da cassação’ muito mais pela simbologia. Defendia essa tese desde antes do impeachment. Aquilo não era mais devido. A Justiça de Gravataí e o Tribunal de Justiça confirmaram. A conta que o Ministério da Previdência também chamava atenção pelo valor. Mas vejo como a principal ação do governo termos limpado o cadastro da Prefeitura, o que nos permite ter a certidão negativa de débitos e liberar recursos para financiamentos como os R$ 100 milhões do CAF (Confederação Andina de Financiamentos). Há 15 dias tivemos uma vitória no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, confirmando a decisão que tínhamos da justiça federal de Porto Alegre derrubando impedimento apresentado pela Secretaria do Tesouro Nacional que só queria autorizar operações de crédito ao fim do julgamento de recursos das duas ações. Demoraria uns 10 anos até o Supremo Tribunal Federal julgar. A decisão do TRF foi de que a atual gestão, e por conseqüência a população, não pode pagar por maus governos anteriores. Outro trabalho importante que fizemos foi a redução da ‘judicialização’ da saúde. Demonstramos que, além do custo, o tempo do trâmite de uma ação judicial era o mesmo que levávamos para atender determinada demanda. Junto à Defensoria Pública, apresentamos nossos resultados em Brasília, na Confederação Nacional dos Municípios: em 2012, gastávamos R$ 7 milhões cumprindo ordens judiciais; em 2016 caiu para R$ 1,4 milhão. Enfim, me orgulha muito fazer parte de um governo que não responde por nenhuma ação de improbidade e já tem contas de três anos aprovadas pelo TCE.

     

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    Seguinte: Tens um papel fundamental numa questão central do novo governo de Marco Alba: a concessão da água, esgoto e tratamento do Rio Gravataí. Quando fica pronto o decreto de rompimento com a Corsan?

    Jean – Primeiro queria dizer que é fundamental não só para o governo, mas para o futuro da cidade. A concessão vai permitir que se faça o que por décadas a Corsan não conseguiu: levar água tratada para 100% da população, tratar o esgoto, o que não é feito em 70% da cidade, e o mais importante, que por vezes soa abstrato: salvar o Rio, que hoje é um dos três mais poluídos do Brasil. Não fosse a coragem do Marco, poderíamos nos preparar para daqui a 10 anos ter um rio morto, um prejuízo imensurável para gerações futuras. Se deixarmos como está, caminharemos para racionar água. Hoje você vai a hotéis em São Paulo e Brasília que avisam a hora do banho. Não podemos ser omissos, principalmente frente às perspectivas de Gravataí crescer ainda mais com GM e afins. Em 30, 45 dias concluiremos o processo administrativo que vai embasar a decretação da caducidade do contrato com a Corsan. Estamos vistoriando cada metro de rede. Não podemos errar. Concomitantemente estamos atualizando o Plano de Saneamento, que em 2014 previa concessão por 20 anos. Pesquisando o mercado percebemos que são necessários 30, para não pesar no bolso da população.

     

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    Seguinte: – Sônia Oliveira foi uma presidente discreta que, pelo menos publicamente, pouco tratou de política. Como será a gestão do Jean?

    Jean – Vou te dizer o que disse aos militantes na convenção: como presidente do partido que governa a cidade pretendo mostrar a importância de cada um, desde o menor colaborador até o mais graduado, no debate para amadurecer e avançar com nosso modelo de gestão. Só cresce quem está permanentemente disposto a autocrítica. O partido sempre teve voz e terá mais voz ainda. Não fugirei de nenhum debate, principalmente daquele que é o mais importante: a gestão pública, com seus acertos e falhas. Não podemos esquecer como, pela irresponsabilidade do passado, o 3º PIB do Estado quase foi engolido pelo comprometimento em dívidas, entre elas algumas que vão demorar anos a ser pagas. O debate central para quem pensa nas pessoas, no futuro da cidade, e não só em interesses pessoais ou eleitorais, é sobre o modelo de gestão. O nosso é austero, responsável. Não gastar mais do que arrecada é um mantra. Não podemos ser inconseqüentes com aquilo que é de todos. Com transparência total vamos buscar uma melhor conexão com a sociedade para levar cada vez mais informações, para que as pessoas possam compreender a estrutura pública.

     

    Seguinte: Vereadores do PMDB já manifestam intenção de concorrer à Assembleia Legislativa, Jones Martins concorre à reeleição à Câmara Federal, rumores no meio político apontam a primeira-dama Patrícia Bazotti como uma possível candidata... Qual a estratégia do PMDB para 2018? O partido pode concentrar forças em candidaturas únicas a deputado estadual e federal?

    Jean – Não sabemos nem a regra eleitoral ainda, se vai ser distritão, voto em lista ou a forma convencional. Mas todos serão ouvidos. O partido não é de um só, tem cara de todos os militantes. É claro que o Marco, como maior liderança, tem uma responsabilidade maior. O partido tratará disso na hora certa, com diálogo e maturidade. Mas, antes de tudo, precisamos escolher o modelo de gestão que queremos apresentar, o que também demanda refletir sobre o que a sociedade espera do candidato do PMDB. A primeira pergunta é: qual perfil? Depois, quem se aproxima do perfil? E, então, quem tem disposição para concorrer. Identificar o modelo que queremos é a sobrevivência nesse oceano de crise institucional e ética que vivemos no país.

     

    Seguinte: Já reeleito, Marco Alba não pode concorrer em 2020. O PMDB já prepara um nome para disputar a Prefeitura?

    Jean – Não temos o nome. Precisamos amadurecer esse debate, perceber o que a sociedade espera e consolidar o nosso modo de governar Gravataí, que é motivo de orgulho para gente. Entre pontos positivos e negativos, a balança pesa muito mais para coisas boas. Avançamos muito, triplicamos a Estratégia de Saúde da Família, o Ideb, principal indicador da educação, foi o maior de todos os tempos, estamos conseguindo avançar na pavimentação, estamos entregando casa própria no Novo Mundo e no Breno Garcia, não negligenciamos a previdência, estamos pagando mais de R$ 30 milhões em precatórios, coisas que outros não fizeram, além da atração de novos investimentos, tanto da Prefeitura, como privados. Enviamos à Câmara de Vereadores o Plano Plurianual para os próximos quatro anos, onde vamos expandir educação infantil, por exemplo. Do PPA anterior, cumprimos quase que a totalidade.

     

    Seguinte: Em tempos de GreNal político, de coxinhas e petralhas, ismos e ismos, qual a ideologia do Jean?

    Jean – Não me agarro a isso, procuro aprender com as coisas boas e certas, com as experiências que dão certo. Minha ideologia é pensar no conjunto das pessoas, em colaborar para que o setor público possa atender a população naquilo que há de mais essencial, que é a saúde, educação e área social.

     

    Seguinte: Você é um jovem, solteiro, sem filhos, pedala, anda de skate, mas não tem Facebook ou outra rede social. Por que?

    Jean – É uma opção. Tenho pavio curto quando se trata de, frente a injustiças,  defender o que acredito ou as pessoas que gosto. Nas redes sociais as pessoas ganham coragem para fazer o que não fazem olho no olho. Se chama de ladrão, se ofende a família, a honra... Parte da sociedade não parece preparada para se relacionar com respeito no mundo virtual. Não participo porque me faz mal.

     

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