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    coluna do martinelli

    Prefeito Marco Alba dá posse a Jean Torman como secretário da Saúde

    OPINIÃO | Porque Jean pode ser um secretário temporário

    por Rafael Martinelli | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 06/11/2017 às 18h49| Atualizada em 11/11/2017 às 21h40

    O temporariamente que consta no decreto publicado no Diário Oficial desta manhã com a nomeação de Jean Torman como novo secretário da Saúde de Gravataí provocou barulho entre políticos, logo após uma discreta posse para a qual jornalistas não foram convidados e vereadores ficaram sabendo menos de uma hora antes.

    Jean é o procurador-geral e seguirá acumulando o cargo que é um dos de maior responsabilidade e mais bem pagos do governo. Um 2 em 1 que alimentou rumores de que a Secretaria da Saúde ainda possa ser ocupada por um vereador, caso seja necessária uma acomodação política depois da sempre imprevisível eleição para a Presidência da Câmara, que acontece em 15 de dezembro.

    A parte técnica já estaria preparada desde já, com a nomeação de Sérgio Selau como secretário-substituto. O ex-secretário da Fazenda de Cachoeirinha e chave do cofre por oito anos nos governos José Stédile e Vicente Pires poderia dar o suporte administrativo para uma figura política – algo raro nos secretariados do primeiro e deste segundo governo Marco.

    Vivendo uma fadiga dos metais com o prefeito, Laone Guimarães, que se despediu do cargo, por três anos geriu a Saúde numa mistura de técnica (era administrador de empresas e com experiência na iniciativa privada) e política (foi assessor parlamentar por anos) – além de ter como padrinho o deputado federal Jones Martins (PMDB), que não compareceu à posse de Jean e despedida de seu futuro coordenador de campanha em 2018.

     

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    Técnica e política é um perfil que Jean também tem. Como também é um fiel cumpridor de delicadas missões no governo. E não há dúvida de que o governo não quer perder o comando do legislativo no ano eleitoral e se esforça para manter próximo o ‘grupo dos 8’, formado por partidos da base que preparam a indicação em conjunto de um candidato a presidente.

    Um sinal de que Marco quer a paz entre os aliados é que, quando Clebes Mendes subiu à tribuna da Câmara e se lançou candidato, a direção do PMDB, partido do prefeito e do vereador, agiu rapidamente para barrar a aventura – que já conta com a simpatia, e a pilha, de parlamentares da oposição.

     

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    Sem chances de ganhar a presidência, os oposicionistas apóiam qualquer candidato que possa bagunçar a base do governo. Se o ‘grupo dos 8’ escapasse da zona de influência do prefeito, certamente seu candidato teria os votos da oposição.

    Algo como aconteceu na eleição de Juarez Souza, eleito presidente em 2015 com os votos da oposição e contra seu partido, o mesmo PMDB de Clebes – que se for candidato, mesmo para perder terá os votos oposicionistas, nem que seja para queimá-lo com o prefeito e os colegas do governo.

    Diferente daquela época, o clima de aparente tranqüilidade nos dias de hoje tem motivo. Já haveria a palavra empenhada de Nadir Rocha, Paulinho da Farmácia e Alex Tavares, outros três parlamentares peemedebistas, em apoiar o candidato do ‘grupo dos 8’, que reúne Fábio Ávila (PRB), Roberto Andrade (PP), Neri Facin (PSDB), Mario Peres (PSDB), Evandro Soares (DEM), Jô da Farmácia (PTB), Bombeiro Batista (PSD) e Airton Leal (PV).

    Airton Leal, que já presidiu a Câmara em 2004, pelo PT, é a aposta em qualquer pesquisa informal feita entre os parlamentares. Bombeiro Batista também sonha, mas tem muita fumaça e fogo pela frente.

    Fumaça porque seu partido não está formalmente na base de Marco e, sob ameaça de expulsão, poderia enquadrá-lo em decisões administrativas que poderiam prejudicar o governo. Ou então influir na indicação dos 15 cargos que o presidente pode nomear e sempre são distribuídos entre os aliados.

    E fogo porque Bombeiro teve o mandato cassado pela justiça de Gravataí no caso das ‘candidaturas laranjas’ para completar a cota feminina nas últimas eleições. Os próprios colegas governistas não querem expor o legislativo votando em um presidente que se mantém no mandato por estar recorrendo ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), onde pode ser absolvido ou não.

     

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    No House of Cards da política, a Secretaria da Saúde entraria em cena como protagonista caso seja preciso um afago maior do governo em alguém. Quem? O diagnóstico dos rumores de corredor da Câmara aponta para Paulinho da Farmácia. A tendência é que o vereador mais votado abra mão de concorrer novamente a deputado estadual (cargo para o qual fez 13 mil votos em 2014) para apoiar uma candidatura única do PMDB, que deve ser a primeira-dama Patrícia Alba.

    Mas tudo pode não passar de especulações e Jean, que neste ano já foi escolhido presidente do PMDB, pode manter os dois cargos de ponta no governo e até 2020 crescer ainda mais na cotação do prefeito, de quem é hoje uma das pessoas mais próximas e da mais irrestrita confiança.

    A política costuma evoluir mesmo quando todos estão dormindo.

     

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