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GRAVATAÍ, 21/11/2017

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    coluna do martinelli

    Creche abre até abril de 2018, conforme secretária da Educação Sônia Oliveira

    OPINIÃO | Creche da polêmica em bairro nobre logo vai abrir

    por Rafael Martinelli | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 07/11/2017 às 18h59| Atualizada em 14/11/2017 às 17h01

    Você assiste a opinião dando o play na imagem abaixo, ou então ouve o áudio no podcast ou lê em texto logo após o vídeo

     

     

    OUÇA O ÁUDIO NO PODCAST clicando aqui.

     

    Creche da polêmica em bairro nobre logo vai abrir

    Se vai alegrar ou irritar, valorizar ou desvalorizar a vizinhança, entre março e abril de 2018 as brincadeiras e as vozinhas das crianças começarão a ser ouvidas na escola de educação infantil Bem-Me-Quer, a 10 metros do pórtico de entrada do Residencial Dom Feliciano.

    A Bem-Me-Quer é uma das 6 creches que o governo Marco Alba se habilitou a construir quando conseguiu se livrar da construtora imposta pelo governo federal que quebrou depois de construir no Rio Grande do Sul apenas quatro, de 208 escolas infantis, deixando obras paradas e materiais se deteriorando país afora.

    Foi essa creche, e não um presídio, o motivo de uma constrangedora polêmica no início do ano, quando moradores da área – mais ou menos – nobre de Gravataí, que usavam a área como praça para chimarrão, corridas ou passeio com animais de estimação, chegaram a levar para votação a possibilidade de uma ação judicial para impedir a obra de R$ 2 milhões, que abrirá cerca de 200 vagas para crianças pobres, ricas ou remediadas.

    Sim, pobres, ricas ou remediadas. Você não ouviu mal. Creches públicas não são de graça apenas para aqueles que não podem pagar. Conforme a LDB nacional, a educação infantil deve ter acesso universal. Ou seja: uma mãe em Belágua, largando o filho de jegue na creche, tem os mesmos direitos de um pai que aqui em Gravataí largar a criança de Camaro na porta da escola, gratuitamente – se o bom e bem pago advogado pedir, e a justiça assim decidir.

    Mas, calma, antes de ir para o facebook e fazer do teclado uma metralhadora: a maioria das crianças da Bem-Me-Quer vem de famílias de baixa renda, algumas na lista de quase mil vagas por ano que a Prefeitura tem que comprar por ordem judicial, para além das 2 mil que criou e pelo menos outras 5 mil urgentemente necessárias.

    E, ao fim, quando fez-se a luz sobre o caso, prevaleceu o bom senso, nenhuma ação judicial foi apresentada e as crianças frequentarão a escola infantil no nobilíssimo Dom Feliciano, e não no violento Rincão da Madalena, onde doutores e vizinhos altruisticamente tinham sugerido a construção da creche – periferia onde, conforme a Procuradoria Geral do Município, as áreas públicas estão todas enroladas na justiça.

    Num final feliz, longe de uma Escolha de Sofia, ganharam as sofias, marias, joões...

     

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