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    pampas safari

    Pressão de ativistas levou a audiência pública na Câmara Federal

    VÍDEO COMPLETO | A audiência sobre o caso Pampas Safari em Brasília

    por Gelcira Teles | Especial | Publicada em 28/11/2017 às 14h03| Atualizada em 02/12/2017 às 18h36

    Assista na íntegra como foi a audiência pública sobre o caso Pampas Safari na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na Câmara dos Deputados, em Brasília 

     


    Como tudo começou

     

    Fundadores do Partido ANIMAIS estiveram à frente da denúncia do abate de 300 cervos supostamente contaminados com tuberculose do Pampas Safari, situado em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. No dia 22 de agosto, a partir de denúncia do Seguinte:, descobriram que os animais estariam sendo abatidos em lotes (24 já teriam morrido, sendo 4 deles no ventre de fêmeas prenhes), mobilizando imprensa e parlamentares simpáticos à causa.

     

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    Desde então, os ativistas realizaram atos em frente ao Ibama e Ministério Público (25/8); mantiveram vigília e ações em frente ao Pampas Safari; compareceram na audiência de conciliação da Ação Popular proposta pela deputada estadual Regina Becker – Rede (17/10); entregaram à Prefeitura de Gravataí pedido de transformação do Pampas em Unidade de Conservação (31/10), além de solicitarem apoio à Gisele Bünchen e Paul McCartney.

     

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    – Mais uma vez, empreendimentos que exploram animais mediante sua visitação em clausura, tais como zoológicos, aquários e assemelhados, dão espaço para que tragédias e indolências como a que hoje ganha visibilidade, aconteçam – afirma Frank Alarcón.

    Para o biólogo, membro-fundador do Instituto Luisa Mell de Assistência aos Animais e ao Meio Ambiente e porta-voz do Partido ANIMAIS, que fez a solicitação de audiência, aprovada após requerimento do deputado Ricardo Izar (PP-SP), a ideia de que animais sejam coisas desprovidas de cognição, sentimentos e sensações é a essência da tomada de decisão dos proprietários do Pampas Safari de assassinar mais de 300 animais que já não lhes despertam interesse econômico.

    – Este é um claro exemplo de como é necessária e importante nossa participação ativa também no campo político. Nós que lutamos pelos vulneráveis não humanos, não podemos ficar restritos apenas ao debate nas redes sociais.

     

    De picanha, filé e alcatra a seres sencientes

     

    Conforme o site do Pampas Safari Parque de Animais Selvagens Ltda., o empreendimento do Grupo Febernati foi fundado há 40 anos. Autointitulado “o maior safari da América do Sul”, tem área de 320 hectares e mantinha cerca de 2 mil animais (camelos, zebras, lhamas, cervos, antílopes, búfalos, hipopótamos, cisnes, emas, flamingos, cágados, pavões, macacos, capivaras, antas, entre outras espécies exóticas e nativas).  Alvo de fiscalização e processos desde 2013, o parque encerrou suas atividades em novembro de 2016. O Ibama calcula que o local abrigue hoje cerca de 500 animais, embora os donos nunca tenham fornecido laudos completos sobre o plantel de animais.

    Dados dos processos levantaram suspeitas de ativistas e gestores ambientais de que houve descaso sanitário e ambiental da administração do Pampas Safari no controle de doenças, alimentação e reprodução dos animais há mais de 10 anos. Cervos e outros animais originários do parque eram abatidos para consumo humano.

    Em abril de 2017, a família Febernati pediu autorização para abater os cervos para que a carne dos animais que não tivessem a doença fosse vendida para consumo humano. Os proprietários disseram que não tinham dinheiro para fazer os exames exigidos pelo Ibama ou o tratamento dos cervos com suspeita de tuberculose. Com anuência do Ibama e Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi/RS), o abate dos animais foi iniciado em agosto.

    Na audiência de conciliação da Ação Popular (movida por Regina Becker em 25/8 e julgada em 17/10), o advogado da família Febernati, Everton Balsimelli Staub, afirmou que para eles os animais não passavam de “picanha, filé e alcatra”.

     

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    Em 30/10, a juíza Cíntia Teresinha Burhalde Mua, da 1ª Vara Cível da Comarca de Gravataí, determinou a suspensão de novos abates de animais. “No mínimo, há dúvida científica acerca da contaminação, que deve favorecer a preservação da vida destes seres sencientes, que não está à livre disposição do empreendedor, com fulcro no princípio da precaução”, disse a juíza em sua decisão. 

     

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