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    entrevista

    Rosane Bordignon confirma desistência da candidatura a deputada estadual

    Dinheiro tirou Rosane Bordignon da eleição

    por Rafael Martinelli | Publicada em 15/08/2018 às 20h46| Atualizada em 22/08/2018 às 16h13

    Rosane Bordignon surpreendeu ao desistir de concorrer a deputada estadual nas eleições deste ano, notícia dada com exclusividade pelo Seguinte: na tarde desta quarta. Siga a entrevista em que a vereadora do PDT e esposa do ex-prefeito e ‘Grande Eleitor’ Daniel Bordignon – cujo prestígio lhe ajudou a garantir 44.195 votos na eleição suplementar de 2017, em que perdeu a prefeitura para Marco Alba (MDB) por apenas  4.016 votos – explica seus motivos.

     

    Seguinte: – Por que desististe de concorrer?

    Rosane – Minha candidatura estava em discussão permanente. Apresentamos ao partido, foi bem aceita, mas avaliávamos as condições objetivas. E temos responsabilidade com o povo de Gravataí. Não poderíamos nos jogar numa aventura.

     

    Seguinte: – Quando falas em condições objetivas te referes ao dinheiro para campanha?

    Rosane – Sim, me refiro a estrutura. Como não temos recursos próprios, com as novas regras para o financiamento de campanha dependemos do fundo partidário. Neste ano, a legislação garante no mínimo 30% para candidaturas das mulheres. Eu tinha uma garantia de apoio da AMT (associação da mulher trabalhista), que no partido é quem decide as cotas femininas, mas tudo mudou com a Kátia Abreu vice do Ciro Gomes. Os recursos irão todos para a chapa majoritária. O que apoio, já que considero mais importante que qualquer coisa a eleição do Ciro presidente e do Jairo Jorge governador. Sem o dinheiro do fundo, não teríamos nem como fazer as pessoas saberem que sou candidata.

     

    Seguinte: – Colaborou com o direcionamento dos recursos para a campanha majoritária o movimento feito por Lula direto do cárcere negociando a neutralidade do PSB, impedindo a aliança com Ciro e tirando, além do tempo de TV, R$ 60 milhões do fundo partidário dos socialistas, que uma coligação garantiria?

    Rosane: Também. Fiz uma manifestação sobre isso na câmara de vereadores. Esse golpe foi mais um capítulo da tragédia que se tornou o PT nos últimos anos.

     

    Seguinte: – Qual valor seria necessário para campanha?

    Rosane – Para o país inteiro seriam R$ 18 milhões dos R$ 61 milhões do fundo partidário. Mas divididos em todas as candidaturas femininas, a governos de estados, senado, câmara federal e assembléias. Mas não há porque falar em valores agora que a candidatura não vai mais acontecer.

     

    Seguinte: – Quando falas em responsabilidade com o povo de Gravataí te referes a uma preservação de teu nome, e do grupo de Daniel Bordignon, para uma candidatura à prefeitura em 2020?

    Rosane – Exatamente.

     

    Seguinte: – O quanto pesaram na tua decisão o lançamento de outras candidaturas da oposição, como de Alex Peixe, do próprio PDT, e Dimas Costa (PSD), que apoiou tua candidatura a prefeitura em 2017?

    Rosane – Nada. Peixe não atrapalharia. E a candidatura do Dimas considero que é de outro campo político, que tem com candidatos Sartori e Alckmin. Meu lado político e ideológico é o do Jairo e do Ciro. Não há como dissociar. Enfim, não influenciaram nem para ser, nem para não ser. Como também não influenciaria a candidatura da Patrícia Alba (MDB), que além do governo Marco Alba também representa esse grupo político do Sartori. Se quiseres um percentual, desisti de concorrer 99,9% porque não tinha estrutura para a campanha.

     

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    Seguinte: – Quem apóias para assembléia e a câmara federal?

    Rosane – Não definimos ainda.

     

    Seguinte: – Na festa de aniversário, ao apresentá-lo, Daniel Bordignon disse que votaria em Afonso Mota para deputado federal

    Rosane – Essa é uma decisão pessoal do Daniel. Se eu fosse candidata, meu comitê estaria aberto também a outros candidatos.

     

    Seguinte: – Há possibilidade de um apoio preferencial a Alex Peixe, por ser de Gravataí, como candidato preferencial a deputado estadual?

    Rosane – Nenhuma possibilidade. Peixe não se sentiu identificado com minha candidatura quando tive 30 votos no diretório e ele 3. Mas não é um contra o outro. A candidatura dele é legítima. Só não terá nosso apoio preferencial.

     

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    Seguinte: – Desde 82 que Daniel Bordignon não fica fora de uma eleição como protagonista em Gravataí, seja como candidato, ou com ‘Grande Eleitor’ de outras candidaturas. Os ‘Bordignons’ não temem perder espaço político, o PDT local não tende a enfraquecer?

    Rosane – Mas não vamos ficar em casa, muito pelo contrário. Perderíamos espaço se não fossemos para a rua. Estamos na eleição, e em campanha por aquilo que acreditamos, que são os projetos de Jairo aqui no Rio Grande e do Ciro para o Brasil.

     

    Seguinte: – O PDT já foi comunicado?

    Rosane – A primeira pessoa para a qual liguei foi nosso presidente estadual Pompeu de Mattos, que de todas as formas tentou me convencer a concorrer. Não tenho o que reclamar dele, com quem sempre pudemos contar. Como o Carlos Lupi (presidente nacional), são construtores de partido. Eu, com minha experiência maior como dirigente partidária do que candidata, entendo bem a situação e daria a mesma prioridade para as chapas majoritárias.

     

    Seguinte: – Como lidar com uma inevitável frustração na base do partido em Gravataí e nos eleitores e simpatizantes dos ‘Bordignons’?

    Rosane – É uma realidade que todos entendem. E estaremos na rua, em campanha, por um projeto maior, com Ciro e com Jairo e Cláudio Bier (PV), amigo da minha famílias em Santo Antônio da Patrulha.

     

    Seguinte: – Os ‘Bordignons’ estão bem no PDT?

    Rosane – Estamos muito bem, nos sentimos em casa e muito acolhidos em Gravataí, estadual e nacionalmente. Estaremos no PDT até o último dos nossos dias.

     

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