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    Perfil de Facebook de um dos atiradores

    Suzano é nosso Columbine; já disparou ódio hoje em frente às crianças?

    por Rafael Martinelli | Publicada em 13/03/2019 às 15h16| Atualizada em 26/03/2019 às 12h03

    Tiros em Columbine, de Michael Moore, ganhou o Oscar de melhor documentário longa-metragem em 2003. Tem em Netxflix. Inspirado no massacre no Columbine High School, no Colorado, EUA, onde dois adolescentes mataram 12 alunos e um professor, além de ferirem 21 pessoas, tem como sinopse “através de um acervo de notícias recentes, demonstrar como a cultura americana de ‘a melhor defesa é o ataque’, age sobre os cidadãos americanos, provocando uma insegurança nacional que faz com que o medo seja um sentimento crônico entre os americanos e consequentemente faça-os buscar uma falsa segurança armamentista e violenta. Assim as indústrias de armas ganham mais e consequentemente o governo lucra bem mais nos impostos”.

    Já entendeu onde quero chegar, não?

    Por óbvio, no massacre na escola de Suzano, São Paulo, na manhã desta quarta.

    Reproduzo o que escrevi em dezembro, no artigo Queremos sangue, como o matador de Campinas?, publicado no Seguinte:, e depois comento – apesar de desnecessário acrescentar mais.

     

    “(...)

    Estamos ficando cada vez mais parecidos com o que há de pior nos EUA. Um mito que já caiu, na Grande Guerra Ideológica Nacional, metralhada principalmente por teclados no Grande Tribunal das Redes Sociais, foi o do ‘brasileiro cordial’, conceito de Sérgio Buarque de Holanda, do quase centenário Raízes do Brasil.

    Exagero? Corra sua timeline do Facebook neste momento, ou espere pelas festas de Natal e Ano Novo em família, para renovar o estoque de bate-bocas e dedos de arminha apontando o caminho da salvação para o meio milhão de mortos na última década.

    É bala! Inteligência, civilidade, direito penal, moral elevada e exemplo para punir? "Como, se estão estuprando a tua mãe!", não faltará alguém a dizer.

    Slogans da nova ordem whatsappiana, como ‘bandido bom é bandido morto’, e o horroroso trocadilho ‘direitos humanos para humanos direitos’, viraram mandamentos cristãos e aplausos ecoam nas ruas onde restam corpos de bandidos – e reféns (não esqueça, é fato, dezembro de 2018, Ceará e Rio Grande do Sul) – se esvaindo em sangue.

    Não vou fazer uma relação direta, porque as circunstâncias do atentado ainda não são de todo conhecidas. Mas impossível não trazer à baila a polêmica sobre a liberação do porte de arma quando um louco invade uma igreja ao meio dia, atira em idosos, mata pelo menos quatro e depois se suicida, como aconteceu nesta terça-feira em Campinas, São Paulo.

    Que diferença faz se Euler Fernando Grandolpho portava arma registrada ou não? Ele as portava na rua – seriam duas. Com armamento na prateleira da Havan, ficaria ainda mais fácil, não?. E por preços mais baixos do que no mercado paralelo. Isso para aqueles que não roubarem o cano do cidadão de bem, despreparado para confrontar os que fazem do crime sua profissão. É uma coisa lógica: mais armas na rua, mais tiros. “Ah, mas por que não desarmam os bandidos?”, você pode perguntar. Bom, é uma resposta que todos gostaríamos de ter, mas não muda em nada o fato de que quanto mais armas estiverem ao alcance das pessoas, mais elas serão disparadas – por gente preparada ou não.

    Mais por gente do mal, do que gente do bem, concorda?

    Vale lembrar que, mesmo com as restrições no porte, regulamentadas pelo Estatuto do Desarmamento de 2003, 34.731 armas foram vendidas no mercado civil brasileiro até 22 de agosto.

    Se em 2013 sete a cada dez brasileiros achavam que as armas deveriam ser proibidas, hoje a população está dividida: 55% acham que a liberação representa uma ameaça a sua vida e a dos outros, o restante entende que o receio de abordar um cidadão armado levaria a uma nova ‘análise de risco’ pelos criminosos.

    Erraria eu ao constatar que os maiores entusiastas da liberação do armamento são aqueles que nos últimos tempos tanto temiam o Brasil virar uma Venezuela? Ok, mas sabiam que a terra do falecido Hugo Chavez, e por obra dele, é o país da América Latina onde o acesso às armas é mais facilitado? É também onde mais se mata a tiros.

    Não estou falando de arma em casa. Acho ruim, mas é diferente de ostentar coldres nas ruas ou porta-luvas maquinados nos carros.

    Na semana passada, foram 35 mortos em confrontos entre policiais e bandidos. Sete eram reféns. Hoje, uma empresária persegue bandidos até dentro de um estacionamento de supermercado em um carro blindado, tinha uma arma que portava irregularmente e é tratada como heroína. Pouco depois esse louco atira dentro da igreja. Queira você ou não, são manchetes atípicas em relação às chacinas de gente de pele escura e cabelo crespo nas favelas.

    Algo está acontecendo.

    Não se pode esquecer que, em praça pública, esfaquearam um candidato a presidência! Premeditaram e mataram uma vereadora.

    Se não estamos vivendo uma cultura da violência e da intolerância, mesmo que se use tanto 'o santo nome em vão', então 20 anos de jornalismo não me serviram para nada, ao analisar os dias e suas circunstâncias, que é minha lida, mesmo que alguns achem que é secação de governo. Não é ideologia canhota ou destra, porque criticar esse estado das coisas é abominar barbáries, de esquerda ou direita, que a história mostra para quem quiser estudar, ou perder 10 minutos no Google, que sempre se assentaram em estados policiais, onde o uso da violência se entranhou na sociedade como último tiro para combater a... violência! – física, antes, das ideias, depois.

    Esse são os fatos, aqueles chatos que atrapalham argumentos, não uma doutrinação qualquer ou um post caça-cliques para saciar vendetas, injustas, ou justas – se existem, entre gente civilizada.

    Inegável é que esses episódios são um sintoma de um Brasil violento na prática e na teoria. Palavras não apertam gatilhos, mas são balas no tambor, pode ter certeza. Observem as maiores democracias do mundo. Há alguma onde os mocinhos falam e agem como bandidos e representam solução contra violência?

    Me convença.

    (...)”

     

    Comento.

    Acredito que os acontecimentos desta quarta – apesar de não ter mais detalhes sobre o horror em Suzano – apenas reforçam a convicção em contrário.

    Onde vai parar essa cultura do ódio, do pensamento binário, cujas milícias saem como zumbis do Grande Tribunal das Redes Sociais para a vida real?

    O menino é o pai do homem, já escreveu Machado de Assis. Perceba: nossas crianças não estão imunes, e sim inoculadas por intolerância e arminhas. Largue o zap-zap, o Face, o Insta e pergunte aos professores.

    Estamos ou não ficando cada vez mais parecidos com o que há de pior nos EUA? Major Olímpio, um dos bolsonaristas da mais alta patente, não por isso, mas apenas de, ao que parece, uma besta boçal, antes de coagular o sangue dos mortos de Suzano já repetiu o que disse Trump ano passado, após atentado a escola na Flórida, defendendo que se professores e serventes estivessem armados o massacre não teria ocorrido.

    Há uma semana jovem morreu baleado, em Porto Alegre, ao sacar uma arma para evitar o roubo de um carro velho, lembram? A solução é giz e arma no coldre do professor, não livro e cultura de paz?

    Os perfis dos matadores brasileiros nas redes sociais mostram dois afixionados por armas e militarismo. Se as contas não foram apagadas, muita gente pode achar por lá compartilhamentos iguais aos que já deve já ter feito de fake news, crazy news e posts ao estilo 'bandido bom é bandido morto'. 

    Sigam metralhando-me, mas faço jornalismo, não caço-cliques. Mesmo na Gravataí onde sete a cada dez votos foram para o ‘mito’, seguirei escrevendo contrariamente à facilitação do uso de armas. Não só pela estatística estar ao lado de minha opinião, mas por amor à vida, não paixão por armas.

     

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