notcia bem tratada
GRAVATAÍ, 24/10/2019

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Recomendamos

  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Facebook

    opinião

    Pirelli, uma fábrica em depressão; entenda o que está acontecendo

    por Rafael Martinelli | Publicada em 21/05/2019 às 22h40| Atualizada em 04/06/2019 às 19h26

    A Pirelli hoje é um gigante caído, em Gravataí. É de uma insensibilidade monstruosa tratar apenas dos números, apesar dos zeros após a vírgula terem importância – como vou, a seguir, revelar com exclusividade dados do chão da fábrica, que é o que importa para nossa aldeia.

    Permitam apresentar-me como narrador, porque acredito que ao leitor possa ser importante, para entender a magnitude do que está acontecendo. Sempre estudei em escola particular. Sempre como bolsista. Era o ‘pobre entre os ricos’, para usar de uma hipérbole. Então, nunca foi esforço intelectual meu perceber a Pirelli como “A” empresa para trabalhar em Gravataí.

    A partir do anuncio do pinote na semana passada, procurei amigos, conhecidos e pedi contatos de desconhecidos, para ouvi-los. Não tinha comentado nada antes, porque não queria deixar minha análise, ou opinião, restar contaminada por um sentimento que tinha, de alguém trabalhando há 22 anos em Gravataí, que, como relatei acima, enxergava a Pirelli como “A” empresa para trabalhar – não só aqui, mas em toda região.

    Desculpo-me, como sempre, por ser detalhista nas análises. É que, não pela qualidade, mas talvez por únicas, essas impressões estarão em alguma nuvem online ou lá em nosso museu Agostinho Martha, quando algum intelectual como o Fernando Gonçalves resolver pesquisar o que construiu ou destruiu a aldeia dos anjos pelos anos da pós-modernidade.  

    Vamos aos fatos, os chatos que atrapalham argumentos e poderiam estar na abertura do texto, não fosse o escriba uma mala que quer contar tudo contextualizando a notícia!

    Fato:

    A Pirelli é um Walking Dead, hoje em Gravataí. Nem o Estadão deu isso, porque ninguém confirma. Mas a produção, que nesta segunda seria de 19 mil pneus, não chegou a 10 mil! Metade da produção da Pirelli parou, entendeu? E não foi greve, foi depressão! Depressão coletiva. Quem faz uma empresa são os funcionários. Mesmo em plantas robotizadas como a Pirelli ou a GM, alguém ainda aperta o botão.

    Fato:

    Cresceu na Pirelli a fila para o INSS. Tem gente doente. Os trabalhadores estão desesperados! Coloque-se no lugar dessa gente: como você acordaria para trabalhar nesta quarta-feira sabendo que seu emprego tem 24 meses de validade?

    A Pirelli – isso ninguém fora de Gravataí imagina – é o sonho de quem busca trabalho na indústria. A média salarial é de R$ 3,5 mil. A participação nos lucros e resultados rendeu, PARA CADA FUNCIONÁRIO, R$ 15 mil em 2018.

    Aí a catástrofe para o Vale do Gravataí: 97% dos funcionários são de Gravataí, Cachoeirinha e Glorinha. São quase duas mil pessoas entre os peões de carteira assinada, os terceirizados e os familiares de cada um, que fazem rancho no Big, no Carrefour e no Atacadão; compram roupas no seu Albrecht e no José Rosa; são clientes da Zete Bhlem; frequentam as lojinhas de suas vilas; comem o xis do Felipão na Morada, o Food Truck da 79 ou o lanche preparado pelos pais da Sariane no ‘paraíso entre a Capital, a Serra e o Mar’; e alguns talvez cortem o cabelo no Robertinho Teixeira.

    Por certo, quase todos, em algum domingo, gastaram no comércio da esquina de seus bairros, comprando um pãozinho, uns frios, ou um latão e cigarrinho para ver o colorado ou o tricolor.

    A Pirelli é Gravataí!

    A Pirelli sair de Gravataí, para ficar numa analogia de fácil entendimento que é o futebol, é para gremistas e colorados saber que o Falcão está morto; é ouvir no rádio que o Felipão faleceu.

    (o Fernandão e o Renato seriam a GM, para Gravataí, acho eu)

    Há esperança?

    – Precisamos ter – me disse nesta terça o presidente do sindicato da borracha, Flávio de Quadros, que pediu para não dar uma entrevista mais longa para “não atrapalhar as negociações”.

    Mas o sucessor do icônico presidente dos borracheiros, quase que ad aeternum, Moacir Bittencourt (que soube, e eu não sei o  porquê, não gosta de mim), lamentou:

    – Estávamos negociando um acordo salarial até 31 de maio de 2020 e em nenhum momento a empresa informou sobre a estratégia de ir embora. Fomos pegos de surpresa.

    Compreensível o presidente manter a cautela, em meio ao mar de desespero de seus filiados. Mas, como fiz na série não acabada, dos Jogos Vorazes que confrontam governo e sindicato dos professores, na ameaça de extinção do Ipag Saúde, não dormiria se não opinasse, mesmo que desagrade a todos.

    Como repito sempre: sem torcida, sem secação, sem caça-cliques.

    Se Flávio silencia, eu falo.

    O caso Pirelli é uma tristeza só!

    A Pirelli não vai para Campinas, em São Paulo. Ela vai para a Indonésia! O custo da hora de um funcionário em Gravataí é de 15 dólares. Lá, 6. Se fosse possível fazer borracha dos corpos decompostos pós tsunamis, talvez custasse mais barato o trabalho desse povo que precisa de qualquer renda para reconstruir suas casas.

    Tem mais: a reforma trabalhista não fudeu só com os sindicatos, como tantos comemoraram em memes nos grupos de WhtsApp. Na legislação descrita como anacrônica, como entrave aos investimentos no Brasil, havia cláusulas que previam negociação entre empresas e sindicatos em caso de demissões em massa.

    Hoje, demitir um é o mesmo que demitir mil.

    Coincidência, GM e Pirelli usam da nova lei não para investir, mas para ameaçar. A norte-americana ganhou incentivos em São Paulo. A italiana vai embora de Gravataí. Faz chantagem por benefícios fiscais? Ninguém sabe, ainda.

    Como também ninguém sabe os detalhes dos incentivos fiscais concedidos à Pirelli, via Fundopem – o Fundo Operação Empresa do Estado, que concede incentivos a empresas que investem no Rio Grande do Sul. Nem a Lei de Acesso à Informação consegue dados, sob a justificativa de quebrar sigilo de negócios privados.

    É algo assim: o público empresta, o que desce pela privada, fica em Vegas.

    Voltando.

    O que a Pirelli hoje representa em retorno de impostos para a Prefeitura, R$ 2,6 milhões projetados para 2019, representam bem menos que a Prometeon, que é a parte comprada pelos chineses da ChemChina, e é a segunda em arrecadação. Meça: com a GM são R$ 64,5 milhões!

    Mas o secretário da Fazenda, em entrevista ao jornalista Silvestre Silva Santos, do Seguinte:, deu a real: a preocupação do governo não é com o retorno de impostos. Davi Servergnini informou que o prefeito pediu estudo sobre alternativas para ajudar no drama social. Marco Alba é gravataiense na carteira de identidade. Sabe a importância da Pirelli, e, ao seu estilo, trabalha nos bastidores, mais nas relações políticas do que no grito demagogo, porque a Prefeitura pouco pode fazer – essa é a verdade.

    Paralelamente, a Câmara de Vereadores criou uma Frente Parlamentar. Nesta manhã, o presidente da Câmara Clebes Mendes (MDB), o proponente Dimas Costa (PSD) e o membro Paulo Silveira (PSB) visitaram gabinetes de deputados estaduais e articularam uma Audiência Pública conjunta, em Gravataí, dos parlamentos estadual e municipal. Com eles estava o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Artefatos de Borracha de Gravataí, Flávio de Quadros. Os três são vereadores em segundo mandato, mas meninos com 30 e poucos, 40 anos. Estavam felizes. Querem audiência até com o Presidente da República.

    Incrível que em meu WhatsApp as mensagens nesta tarde destilavam veneno, por vereadores de governo e oposição estarem juntos na Assembleia Legislativa. Insinuavam alianças – ou rompimentos – para 2020.

    Com todo respeito: vão a merda!

    Não me tirem para bobo!

    O que essa fofoca ajuda Gravataí?

    Esses três vereadores são ligadíssimos a funcionários da Pirelli. E uniram a Câmara. Essa frente, mesmo que seja de porra nenhuma, está aberta para todos os vereadores. Acredito que os 21 vereadores de Gravataí tenham algum eleitor funcionário ou familiar de alguém ligado a Pirelli.

    Então, caiam pra dentro!

    Conheço todos os vereadores e não creio que algum tentaria ‘aparecer’ num momento de tragédia como este!

    Ah, mas como jornalista você deveria questionar!, pode cobrar você, que chegou até aqui, ou recebeu prints de partes do artigo que interessavam a alguém.

    Eu perguntei! Foi ao Flávio de Quadros, presidente do sindicato da borracha;

    – Não gosto de embarcar em demagogia de político. Estão ajudando?

    – Muito! Tudo que a gente precisa é Gravataí inteira do nosso lado.

    Concluo.

    Perdoe-me o leitor por bater tão forte nas teclas da emoção. Mas a Pirelli é de Gravataí! É triste, dói vê-la embora. Imagino o colega Cláudio Wurlitzer,  jornalista (editor meu no CG) que ligou os italianos aos nossos costumes nos anos 80, 90, 2000...

    Um menino que entrevistei agora, pouco antes de seu turno, me contou que sonhava seguir a trajetória do pai, aposentado na Pirelli. Tentou Pirelli, GM e Dana – nessa ordem e não por acaso.

    – Me chamaram na Pirelli! Meu, fiquei tão faceiro! Era um sonho! Me dedico tanto quanto meu pai, porque o ambiente é bom, o salário é bom, tem PPR, plano de saúde, auxílio farmácia... bah, para quem tem filho pequeno... Foi muita surpresa! Hoje tá todo mundo sem tesão de trabalhar.

    Fiz uma indelicada pergunta:

    – Votaste em quem?

    – Bolsonaro.

    Não goze, ‘petralha’. O voto desse menino que tem um filho de sete anos e outro de um, aposto que é de ex-lulista. E também sorriam quietos, os envergonhados que se desculpam: “eu não sou PT”.

    Como vou pagar as contas?, é a pergunta do cara da Caveira, da Vila Rica, da 66...

     

    LEIA TAMBÉM

    Secretário da Fazenda fala sobre impacto da saída da Pirelli

    Pirelli vai fechar fábrica de Gravataí e demitir 900 empregados

    • profissional de sucesso
      Fabiano Izabel, o novo nome forte dentro da Sogil
      por Silvestre Silva Santos | Edição de imagens: Guilherme Klamt
    • opinião
      Quem são nossos 50 mil bolsonaristas mais fanáticos
      por Rafael Martinelli
    • opinião
      O que ’caso Carús’ ensina a políticos da ’rachadinha’
      por Rafael Martinelli
    • opinião
      Sem acordo, indenizações da Pirelli restariam suspensas
      por Rafael Martinelli
    • aniversário
      Gravataí comemora hoje 139 anos de emancipação
      por Silvestre Silva Santos
    • cachoeirinha
      Por 13 a 2 Câmara derruba golpeachment
      por Rafael Martinelli
    • investimento
      Só faltou o buggy na abertura do maior posto SIM do estado
      por Silvestre Silva Santos | Edição de imagens: Guilherme Klamt
    • investimento
      Luciano Hang vem dar a largada na sua loja Havan
      por Silvestre Silva Santos
    • glorinha
      Caso Unick: MP investiga presidente por uso da Câmara
      por Rafael Martinelli
    • pontes do parque
      Saiba porquê a inauguração das pontes vai atrasar uns dias
      por Silvestre Silva Santos | Edição de imagens: Guilherme Klamt
    • opinião
      Bordignon critica Marco Alba e o governo; a Rainha protegida
      por Rafael Martinelli
    • coluna do silvestre
      Gravataí vai ter novo centro comercial
      por Silvestre Silva Santos
    • opinião
      Vereador quer CPI de fraude no SUS em Gravataí
      por Rafael Martinelli
    • opinião
      O pedido de Ciro para campanha de Anabel em Gravataí
      por Rafael Martinelli
    • opinião
      Cinco homens e um destino, ser sucessor de Marco Alba
      por Rafael Martinelli
    SITE DE JORNALISMO E INFORMAÇÃO
    Gráfica e Editora Vale do Gravataí
    Av. Teotônio Vilela, 180 | Parque Florido
    Gravataí(RS) | Telefone: (51) 3042.3372

    redacao@seguinte.inf.br

    Roberto Gomes | DIRETOR | roberto@seguinte.inf.br
    Rafael Martinelli | EDITOR | rafael@seguinte.inf.br
    Silvestre Silva Santos | EDITOR | silvestre@seguinte.inf.br
    Guilherme Klamt | EDITOR | guilherme@seguinte.inf.br
    Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
    As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
    Desenvolvido por i3Web. 2016 - Todos os direitos reservados.