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GRAVATAÍ, 07/08/2020

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    opinião

    Anabel se emociona em filiação ao PDT, na noite de domingo | Foto RAFAEL MARTINELLI

    Por que Anabel chorou

    por Rafael Martinelli | Publicada em 03/06/2019 às 20h59| Atualizada em 10/06/2019 às 18h21

    Ontem um menino que brincava me falou

    que hoje é semente do amanhã

    Para não ter medo que este tempo vai passar

    Não se desespere não, nem pare de sonhar

    Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs

    Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar!

    Fé na vida Fé no homem, fé no que virá!

    Nós podemos tudo,

    Nós podemos mais

    Vamos lá fazer o que será

     

    Sementes do Amanhã, de Gonzaguinha, foi trilha sonora para o vídeo Anabel Lorenzi, Vida de Lutas, que a fez chorar, em sua filiação ao PDT.

    – Não preciso ser candidata: essa noite já valeu – disse, secando as lágrimas com um guardanapo e, com a voz embargada, acalentada por um instantâneo “vai ser prefeita, sim!”, dito concomitantemente, no ato político deste domingo no Sindilojas, pelo presidente de honra em Gravataí, Daniel Bordignon, e pelo presidente estadual, Pompeo de Mattos.

    Ao lado do pai, da mãe, dos três filhos e do companheiro, Anabel obteve sua confirmação de que será a principal candidatura da esquerda em 2020, na disputa pela Prefeitura, mesmo que Gravataí, nas eleições do ano passado, tenha sido a ‘capital do bolsonarismo’, com sete a cada dez votos para o ‘mito’.

    A felicidade explícita de Anabel mostrava que, com o apoio do ‘Grande Eleitor’ Daniel Bordignon e da esposa, a vereadora Rosane Bordignon, tão canhotos quanto ela, mas sempre mais comportados nas redes sociais, ela será como candidata a prefeita a mesma militante que foi nas manifestações do #EleNão no primeiro e segundo turno do ano passado.

    – Apanhei muito, mas nunca me omiti, nunca pensei em ganhar ou perder votos. Meus posts e fotos estão lá, para quem quiser ver e comentar. A História e as futuras gerações nos cobrarão sobre o que fizemos neste momento do Brasil. Não pensava ser candidata, refletia sobre como resistir e reexistir. Aceitei o desafio, em um partido histórico. Somos socialistas, queremos governar para os mais pobres. Muitas vezes não falamos isso por medo, e o medo paralisa. Digo sem medo e me sentindo em casa: somos socialistas! – discursou sob o aplauso de representantes das direções municipal, estadual e nacional do novo partido, e de muitos assistentes surpreendidos por uma política que, ganhando ou perdendo, não se domesticou à ‘nova ordem’.

    – Anabel não se esconde atrás do muro. É uma rosa vermelha! – insuflou Rosane Bordignon, provável candidata a vice e, em uma revelação feita por Daniel, a primeira pessoa a instigá-lo com um “que achas de apoiarmos a Anabel?”, por se identificar com as posições “pelos direitos civis, contra qualquer discriminação” e etc. da da ex-companheira de construção do PT.

    – É o povo quem ordena! – disse Bordignon, recitando, ao apresentar o primeiro vídeo com fotos da trajetória de Anabel, o refrão de Grandola, Vila Morena, música que inspirou a derrubada da ditadura portuguesa, uma das mais longevas da história.

    Para uma audiência onde, nos discursos, os convidados ‘estrangeiros’ observaram a presença de, principalmente, mulheres, mas também de negros e gays, as referências canhotas permearam os discursos de Anabel, Rosane, Bordignon e até de Pompeo.

    A citação mais forte talvez tenha sido a recordação que Bordignon fez das diferentes ‘festas’ no confronto entre Nazistas e Aliados, no auge do horror da Segunda Guerra Mundial:

    – Eu disse em entrevista que teria festa na nossa rua!

    O professor de História referia-se à sua última resposta em artigo publicado pelo Seguinte:, quando ainda mantinha suspense sobre a filiação de Anabel, e lembrou o anúncio de Hitler de que haveria comemorações porque Stalingrado seria derrubada, e Stalin retrucou que a festa seria em sua rua.

    Ao fim, o cerco do ditador da União Soviética aos nazistas congelou a ascensão do Terceiro Reich.

    – Stalin também é de triste memória, como Hitler. Mas ali o mundo vivia a encruzilhada entre a democracia e o fascismo – explicou.

    Chegou para você, leitor? Entendeu o porquê de, em um ato político de mais de três horas, eu trazer tantas referências à esquerda? Não é torcida, ou secação, como medirão os interessados e interesseiros. São os fatos, aqueles chatos que atrapalham argumentos pré-concebidos!

    Em resumo, quem estará na foto sorridente sob o número 12 nas urnas em 2020 não será a Anabel que, em 2016, teve como vice o PSDB, de Francisco Pinho, ou em 2017 o PSD, a época partido de seu vice Dilamar Soares, vereador que segue com ela até hoje (e já foi tratado já como pedetista no ato político de domingo) e, para quem não lembra, à época substituiu Levi Melo quando o médico, após ouvir a esposa Jucelei, amigos da maçonaria e o prefeito Marco Alba, desistiu de estar em uma chapa com uma esquerdista.

    A Anabel de outubro de 2020 é a mesma que ano passado, ao lado da família, nas ruas e nas redes sociais, foi ‘antifa’ – aos que não dominam lacração: abreviatura de ‘anti-fascista’.

    É aquela Anabel que apelidei de ‘A Esquerdista do Ano’ – e a professora de 60 horas aula, sem cargos políticos e que foi para a rua protestar, disse ter orgulho do título, em entrevista ao Seguinte:.

    Vi-a em mais de uma passeata em 2018, caminhando ao lado da filha Raquel. Serena, silenciosa, talvez mentalmente inspirada em frase que citou domingo, do poeta espanhol Antonio Machado, “caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar”.

    Mas, sorrindo, como suas covinhas não permitem esconder, ao som de cânticos que iam de uma adaptação ao português da italiana ‘Bella Ciao’: "Uma manhã/ eu acordei / e ecoava ‘ele não’, ‘ele não, não, não’ / uma manhã, eu acordei e lutei contra o opressor / Somos mulheres, a resistência, de um Brasil sem fascismo e sem horror; vamos à luta para derrotar o ódio e pregar o amor; vamos a luta para derrotar o ódio e pregar o amor ) ao escracho brazuca: “Ei Bolsonaro, vai se fuder, o Brasil não precisa de você!”.

    Aos que não percebem que a política é como aquele ciclo eterno da dupla GreNal, que se divide entre glórias e tragédias de um ou outro, pode parecer coragem extrema Anabel e os Bordignons não terem, sob as atuais circunstâncias, medo de representar a esquerda – sinônimo de ‘petralhas’, ‘comunistas’, ‘mortadelas’ e etc.

    E o trio fez isso antes da inação do Bolsonaro presidente frente à tragédia do desemprego e a consequente recessão econômica, somada à loucura de alguns ministros do governo, ajudar a diminuir o 7 a 1 no Grande Tribunal das Redes Sociais – mesmo que, na aldeia, baste olhar para as páginas de Facebook tipo ‘Dorme Gravataí’ para constatar que a esquerda continua abaixo de pau e fakenews!

    Certamente por esse sentimento de preservação muitos políticos, e caça-cliques, consideraram suicídio político Anabel e os Bordignons, ao lado da prefeita e do vice cassados, Rita Sanco e Cristiano Kingeski, terem sido os únicos eleitos para mandatos expressivos na história de Gravataí a assinar manifesto ‘pela democracia’ e ‘anti-fascista’, às vésperas do segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

    Vejo tudo isso como uma boa estratégia. É confortável aos envolvidos – Anabel, Rosane, Bordignon e Cia. – porque não precisam se justificar a seus cônjuges, filhos, amigos e apoiadores mais ideológicos. Tenho convicção de que, hoje em dia, isso é coisa muito importante na vida de quem se dedica à política para além de uma profissão. Afinal, estão onde sempre estiveram. E, às vezes, na militância política, descontando os apoiadores pagos, sobram os familiares, amigos, admiradores e fãs.

    Essa postura ‘Lula Livre’ de Anabel, Rosane e Bordignon me faz provocar um Printe & Guarde: é uma causa que seduz os colegas de magistério (Anabel, Daniel e Rosane Bordignon são professores da rede pública), boa parte do funcionalismo, feministas, estudantes esquerdistas e comitivas da região que virão a Gravataí fazer campanha para duas mulheres ‘comunistas’.

    – Vocês não estarão sozinhos. A direção nacional e estadual estará com vocês. Nós vamos pagar para ver – disse Pompeo de Mattos, e o último período talvez inconscientemente diga muito para quem espera fundo partidário para investir na eleição.

    Enfim, é uma candidatura que parte de uma base política, ame-a, ou odeie-a! O quanto por cento ainda representa esse campo político em Gravataí, daqui a um ano e quatro meses testemunharemos.

    Em artigos seguintes, ainda hoje, trago outras notícias e observações políticas sobre o ato de filiação, que o Seguinte: acompanhou, e reuniu parte de duas famílias que levaram a esquerda à Prefeitura de Gravataí em 1996 e representa uma união que, ganhando ou perdendo, estará inscrita na história da aldeia, como sucesso ou fracasso.

    Tá, mas e a resposta para a manchete deste artigo:

    – Por que Anabel chorou? – alguém menos sensível vai perguntar.

    Acredito eu, seja porque, quando 'Anabel foi mais Anabel', a militante de causas hoje tão atacadas, ela se tornou uma das heroínas da ‘esquerda’, por nos últimos tempos ser uma das únicas políticas a fazer isso sem medo das redes sociais.

    Enfim, acho que Anabel chorou porque mostraram que ela também era uma heroína para essa gente que mora na mesma Gravataí que ela.

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