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    histórias da bola

    Até a pé nós iremos, glória do desporto nacional

    por Cláudio Dienstmann | Publicada em 09/09/2017 às 19h22| Atualizada em 11/09/2017 às 11h10

    "Futebol é jogo cantado, cada time tem um hino” (Salman Rushdie, escritor indiano).

     

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    Sábado 16 de setembro é o dia de aniversário do compositor Lupicínio Rodrigues, autor do hino do Grêmio, que na verdade era o hino do cinquentenário, em 1953. E outras tentativas já tinham sido feitas muito antes, mas nenhuma “pegou”.  

    Em 1924, um uruguaio, Isolino Leal, jornalista, poeta e escritor, nascido em Tres Cerros de Arapen a 6 de dezembro de 1879 e falecido em Porto Alegre a 25 de março de 1950, escreveu assim: "Vibre em nós a luz da energia/que dá fulgor e faz herois/músculos de aço e varonia/nos façam da pátria áureos sóis/Do sul ao norte/nos seja prêmio/a fé no Grêmio/invicto e forte/A nobreza, se o prélio freme/é quem inspira o coração/da nossa gente que não treme/e luta sempre como um leão/Filhos do Pampa erguendo a fama/desta terra de honra e valor/com a alma acesa em viva chama/por ela cante o nosso amor/Do sul ao norte..."

    Longos 22 anos depois, no dia 11 de julho de 1946, o Departamento do Torcedor Gremista instituiu um “concurso lítero-musical para escolha da “marcha de guerra do Grêmio”, hino do clube, com prêmio de 500 cruzeiros ao vencedor. A final no Teatro Carlos Gomes escolheu entre 11 finalistas a versão interpretada por Alcides Gonçalves,“Abram alas, abram alas/lá vem o quadro tricolor/nós estamos confiantes/no nosso onze de valor ... é o mosqueteiro do esporte nacional ... é fidalgo, é destemido, é leal, gravada dois anos depois ao piano numa edição de 5 mil discos autorizada por Augusto Otto Blauth, segundo vice de março a junho e presidente do Grêmio de junho a outubro em 1948 – e pai do compositor, o menino Breno Blauth.

    A música também foi gravada por uma cantora gaúcha, Janete Cessin. E o segundo lugar ficou com a composição do carnavalesco Caruzinho – calista de uma barbearia nos fundos da agência lotérica Cambial, no início da Rua Marechal Floriano –, defendida pelo radialista, radio-ator de novelas e cantor Ivan Castro, com o seguinte início:“Mosqueteiro da Baixada/honra a tua tradição/com amor à camiseta/tu serás o campeão”. E o Grêmio ainda cantava outra marchinha, “Ninguém, ninguém segura a torcida tricolor/Está com o Grêmio onde o Grêmio for/É fogo, é fogo minha gente/Essa torcida é pra frente/Aonde o Grêmio for, até o pé nós iremos...”.

    Finalmente, em 1953 Lupicínio Rodrigues (16 de setembro de 1914/27 de agosto de 1974) escreveu o hino do cinquentenário do Grêmio, “Até a pé nós iremos/para o que der e vier/mas o certo é que nós estaremos/com o Grêmio onde o Grêmio estiver ... durante uma greve de bondes, e que acabou se transformando no hino – num bar da Rua Sarmento Leite, ao lado do conselheiro gremista Hamilton Chaves. Na letra, Lupi menciona Eurico Lara,seu ídolo: baixinho, o compositor inclusive também queria ser goleiro. Gremista por causa do pai, Francisco Rodrigues, que tinha um time chamado Rio-Grandense fundado em 1907 e que tentou jogar o campeonato principal de Porto Alegre em 1922 mas foi vetado pelo Inter, Lupi também chegou a fazer um hino para o Inter – igualmente recusado.   

    O Inter só ganhou o seu hino mais de uma década depois, na autoria de Nelson Silva. Carioca nascido dia 16 de junho de 1916 e chegado ao Rio Grande do Sul em 1944 com o grupo musical “Águias de la media noche”, radialista, músico, compositor, ator de rádio-novelas, produtor da Rádio Farroupilha e TV Piratini, funcionário do Comtur, ele fez uma marcha-hino para o Inter no início de 1962, e primeiro mostrou o seu trabalho a Rui Vergara Corrêa, colega da Rádio Farroupilha, que afirmou que seria um sucesso. Nelson passou a cantar a música no rádio, em serestas e bares, e extra-oficialmente ela foi transcrita no “Informativo Rubro” número 1 de março de 1962.

    Em 1965 Nelson apresentou o hino ao presidente do Inter, Manoel Braga Gastal, e três anos depois, em 1968, eram oficialmente adotadas a música e letra do “Celeiro de Ases” (“Glória do desporto nacional/oh, Internacional que eu vivo a exaltar...”). Como recompensa, o autor ganhou uma cadeira no  Beira-Rio.

    O Inter já tinha também a marchinha “Papai é o maior”,gravada na virada das décadas 1950/1960 pelo humorista Carlos Nobre. Era a adaptação de uma antiga música de carnaval, de Miguel Gustavo (carioca, autor de “90 milhões em ação” para o Brasil tri na Copa de 1970) – “Papai é o maior/Papai é que é o tal/que coisa louca/que coisa rara/Papai não respeita a cara/Papai é campeão/Papai não tem igual/Papai tá com a razão/é colorado, Internacional”,que ganhou uma edição limitada de 500 discos no programa “Cartas na mesa” da Rádio Guaíba.

     

    Agenda histórica do futebol gaúcho na semana

     

    10.9, domingo

    1961 – Inter vence por 2x1 no Olímpico o “Gre-Nal da Legalidade”, adiado de 27 de agosto por causa da tentativa de golpe militar para impedir vice João Goulart (jogador infantil do Inter em 1932) de assumir a presidência da república em lugar do demissionário Jânio Quadros

     

    11.9, segunda-feira

    1920 – Seleção brasileira tem pela primeira vez jogadores gaúchos, quatro (goleiro Kuntz e atacante Sisson do Grêmio, atacantes Castelhano do 14 de Julho de Livramento e Alvariza do Brasil de Pelotas), em vitória de 1x0 contra o Chile em Viña del Mar – gol de Alvariza

     

    12.9, terça-feira

    1956 – Câmara de Porto Alegre aprova projeto do vereador Ephraim Pinheiro Cabral doando ao Inter área a ser dragada 

    1976 – SER Caxias inaugura Estádio Centenário e vence Inter, 2x1, campeonato brasileiro

    1990 – Falcão estreia como técnico, na seleção brasileira 

     

    13.9, quarta-feira

    1937 – Presidentes do Grêmio, José da Silva Martins, e do Inter, Iracy Salgado Freire, assinam pacto para que um clube não tire jogadores do outro, e que cada um avise quando estiver interessado em trazer reforço de outras equipes

    1959 – Primeiro jogo de um clube gaúcho na Copa Brasil, Grêmio 1x0 Atlético Paranaense, no Olímpico

     

    14.9, quinta-feira

    1968 – Primeiro jogo do Inter no Morumbi, 1x0 sobre São Paulo

     

    15.9, sexta-feira

    1903 – Fundação do Grêmio e do Fuss-Ball Club Porto Alegre ( Foot-Ball Club Porto Alegre a partir de 1917)

    1915 – Grêmio inaugura segunda bandeira

    1918 – Grêmio inaugura segundo pavilhão da Baixada

    1953 – Câmara de vereadores de Porto Alegre aprova auxílio de C$500

    mil ao Grêmio para construção do Estádio Olímpico

     

    16.9, sábado

    1914 – Nasce Lupicínio Rodrigues, autor do hino do Grêmio (originalmente “Hino do cinquentenário”, em 1953), que falece dia 27 de agosto de 1974, com 59 anos

    1945 – “Gol do plano inclinado”: Carlitos, atacante do Inter, cabeceia com corpo inclinado para trás, em empate de 4x4 contra o Cruzeiro na Timbaúva 

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