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    sem perder tempo

    No mundo do trabalho, a fila do banco

    por Leandro Melo | Publicada em 11/09/2017 às 15h07

    O relógio ainda não marcou 9h e uma porção de senhores e senhoras com mais de sessenta anos já se alinhavam em fila, na porta do banco. É dia de pagamento.

    Uma segunda-feira de sol, não muito quente em que também os outros trabalhadores, os ativos, estão pela rua, indo, vindo, ou já trabalhando.

    Na fila assunto não falta e todos ali conversam como se fossem amigos há muito tempo. Há os mais desconfiados que preferem responder monossilabicamente, enquanto outros emendam uma pergunta atrás da outra, quase nem ouvindo o que o outro tem a dizer.

    Nesse cenário barulhento, destaca-se o silêncio da senhora Nilza, de pé, na quarta posição da fila, olhando fixamente o homem que substituía os terminais de cabos telefônicos, no poste da esquina. Ela chama a atenção da mulher a sua frente que está acompanhada da filha, aproximada dos cinquenta, e já são três a velar o trabalho minucioso do técnico em telefonia.

    Não demorou, o ruído das conversas sobre netos, novelas e medicamentos deu lugar a um burburinho sobre o perigo de se trabalhar nas alturas e observações sobre a habilidade daquele homem pendurado no poste.

    Ali, da sexta posição, vestindo camisa azul com mangas curtas, calça social cor chumbo e uma sandália com muito pouco uso, o senhor Pedro esfregou o bigode fino e colorido em preto e afirmou olhando e apontando para o alto:

    – Eu muito trabalhei com isso. Mas na rede de alta tensão! E nem tinha esse equipamento todo aí não. Era uma cinta, luva e coragem!

    Quem estava mais próximo relaxou o pescoço e agora olhava para ele, a espera do desfecho daquela história.

    Mas duas posições à frente, Nilza suspira e decide retrucar, entretanto, sem deixar de mirar o alto do poste:

    – Sempre tem um pra desdenhar do trabalho do outro! Em casa, duvido que troque uma lâmpada e vem pra cá contar vantagem!

    – Se a senhora está falando comigo, saiba que não deixo falta em casa não. E a minha senhora – que Deus a tenha –, não tinha queixa nenhuma. Explicou-se o Seu Pedro que retomou sua narrativa sobre o Mundo do Trabalho.

    Ele contou que trabalhou como estivador no porto (de Santos e de Porto Alegre), que logo foi promovido a supervisor, mas que nunca se fez de rogado para pegar no pesado. E com um ar misteriosos detalhou hora local e motivo das cicatrizes que carregava no braço direito e no pescoço.

    Contou como escapou da morte ao defender duas moças de um assalto, na Duque de Caxias, em setenta e sete, e na vez em que uma caldeira explodiu logo que chegava em seu turno, numa siderúrgica. Mencionou algo sobre ter lutado nos anos 1960, mas desconversou sem deixar claro de que lado estava nem se foi no Brasil ou na África, onde também trabalhou construindo estradas.

    Se houvesse na fila alguém mais afeito aos livros, poderia dizer que ele seria uma inspiração para Hemingway ou um parceiro de Bukowski. Se fosse um político, reconheceria em Pedro o storytelling perfeito para uma liderança local.

    E, certamente, um espectador ligado à ciência, teria interesse em estudar o biotipo de alguém que chega aos setenta com tanta vitalidade, mesmo com as adversidades do meio em que vive.

    Na verdade, naquela fila que virava a esquina, havia, isso sim, muitos Pedros e Nilzas com habilidades diferentes de contar sua história de vida e de trabalho. A essa altura o operário da empresa de telefonia já se dirigia para outro ponto, sem nem saber o que se passou sob seus pés.

    O banco, por sua vez, já começava a atender os clientes e Pedro e Nilza descobriram que frequentavam o mesmo cardiologista. Marcaram de jantar na casa dele, ainda hoje, porque não há tempo a perder nessa vida!

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