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    a ligação

    Mulheres ciumentas

    por Marta Busnello | Publicada em 20/09/2017 às 16h21

    Precisei de conserto para o meu computador. Lembrei que o marido de uma prima é técnico dessa área. Não conheço esse parente, mas coloquei o nome dele na agenda, sem sobrenome ou qualquer outro indicativo de quem era o tal número. Busquei na lista de contatos e encontrei mais três nomes iguais. Eram dez horas da noite e eu precisava falar com ele para agilizar o conserto para o outro dia.

    Mas quem era quem? Sei bem a chatice que é receber ligações erradas depois do horário comercial. Não tenho o número de telefone da minha prima. Tinha que arriscar. E se não fosse o primeiro número que escolhi? Hoje, refletindo melhor, acho que estava brincando com fogo e poderia me queimar...

    Já enfrentei tantas situações inusitadas em ligações erradas que até me divirto em algumas delas.

    Descobri que meu número de celular é igual ao de uma senhora lá no Alegrete. O que nos diferencia é o DDD. Ela tem uma amiga que, em dezembro, há quinze anos liga para desejar bom Natal, mas esquece de colocar 55 antes e acabo recebendo também mensagem carinhosa nessa data e aproveito para mandar um abraço para a alegretense. Até já criamos uma certa “amizade” ao longo destes anos.

    Em outro período recebi, com frequência semanal, recados desaforados de uma moça de Caxias do Sul. Ela não digitava o número certo e xingava a mim, ao invés da amante do marido dela. Cansada dos desaforos liguei para ela e perguntei se o sujeito era o mesmo com quem eu estou casada. Ela percebeu que estava direcionando sua ira indevidamente.

    E se eu ligasse para o João errado e atendesse uma esposa ciumenta? Aconteceu uma única vez. Liguei errado, pedi desculpas pelo engano e a pessoa não aceitou. Ligou de volta querendo que eu dissesse “a verdade”, insinuando que eu queria falar era com o parceiro dela. Desliguei e bloqueei o número da criatura. Não sou terapeuta e nem tenho tempo para ouvir bobagens.

    Ao lembrar desses contratempos parei e preparei um roteiro de perguntas para ambos os sexos. Liguei e a voz era masculina. Me apresentei: oi, sou a Marta. Tu és técnico de informática? E nem dei tempo para resposta e continuei: és o marido da minha prima, fulana de tal? Suspirei aliviada quando ele respondeu afirmativamente às duas perguntas! Expliquei o porquê de minhas questões e a conversa fluiu.  Combinamos de ele pegar o equipamento no outro dia. Aproveitei e dei um oi para minha prima. Depois de desligar, acrescentei o nome dela junto ao dele. Chega de sufoco! Mas ainda tenho que descobrir quem são os outros dois!

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