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    histórias da bola

    Amigos para sempre

    por Cláudio Dienstmann | Publicada em 07/10/2017 às 23h39

    “Junto com uma bola de futebol chegam também os amigos” (Joan Gamper, comerciante judeu-suíço, fundador do Barcelona em 1899 e presidente do clube até 1925, quando foi expulso da Espanha por apoiar o catalunismo, e que se suicidou em 1930, com 53 anos)

    “Crianças não entendem questões religiosas, étnicas, políticas: para uma criança, qualquer outra criança com uma bola de futebol é um amigo em potencial” (Pablo Aro Geraldes, jornalista argentino)

    “Não existem amigos no futebol – você não pode permitir que tirem o que é seu” (José Luis Chilavert, jogador paraguaio).

    “É bom que um time de futebol seja formado por um grupo humano verdadeiramente unido, de verdadeiros amigos – mas é ainda melhor que esses amigos sejam jogadores vitoriosos” (Deco, jogador brasileiro)

    “Não sou amigo de jogador de futebol: é necessário manter uma certa distância” (Ernst Happel, jogador e técnico austríaco).

    “O futebol para mim é profissão e paixão, e o mais lindo é ganhar com companheiros e amigos” (Buffon, jogador italiano).

    “O meu maior amigo no futebol é a bola” (Raúl, jogador espanhol).

     

    O ambiente do futebol não é exatamente o melhor do mundo para fazer amigos, porque existem a rivalidade e a concorrência. Os grandes clubes têm uma média de 30 jogadores, mas apenas 11 podem jogar – e os outros 19 ficam de beiço caído. Além da disputa por posição, os salários são absurdamente desproporcionais, e há as brigas de vaidades; todos querem ter o carro mais caro, o maior apartamento, as melhores roupas, ser o último a entrar em campo, inventar um penteado exclusivo, ou até ficar na janelinha do avião...

    Técnico fica puxando o tapete para tomar o emprego do outro, a diretoria do clube quer que a anterior ou a seguinte se explodam, tudo isso sem contar as ronhas com outros clubes. Jornalistas também brigam, por escala de viagem e promoção.

    Mas nem tudo está perdido, senhores e senhoras, as pessoas não podem ser divididas simplesmente em boas e más, mocinhos e bandidos, todo mundo tem um pouco de tudo, defeitos e virtudes. Pois o futebol também registra belas e grandes histórias de amizade, como a dos zagueiros Bellini e Mauro Ramos.

    Mauro tinha razões de sobra para reclamar como reclamou antes do início da Copa do Mundo de 1962, no Chile, aos seus 31 anos. Com apenas 18 já jogava na seleção, aos 19 havia sido cortado da seleção brasileira de 1950 na última lista pelo técnico Flávio Costa, e em 1954 foi à Suíça com Zezé Moreira e ficou sem jogar na reserva do recém chegado Bellini, e em 1958 na Suécia sentou no banco com Vicente Feola. Agora, no Chile, sabia que aquele era o seu último mundial – e reclamou ao saber de Aimoré Moreira que outra vez ficaria só olhando: 

    - Sempre fiquei quieto, Aimoré, mas agora você vai ter que me explicar isso aí! - protestou Mauro, com energia.

    O treinador não explicou nada. Fez diferente: colocou Mauro no time, finalmente, no lugar de Bellini. E mais do que isso: de capitão, como Bellini em 1958, na Suécia. E foi assim que Mauro jogou as seis partidas no Chile e levantou a taça em 1962 igual ao pioneiro Bellini na Suécia quatro anos antes.

    Na verdade, Bellini foi pioneiro porque meio sem querer criou um novo gesto, antes de Mauro, aquele de levantar a taça sobre a cabeça, com as duas mãos. Não havia sido nada estudado, nem orientado por alguém, um lance de marketing, como poderia parecer. Aconteceu que quando ele chegou ao palanque da vitória com a taça nos braços, os fotógrafos aflitos não conseguiam uma boa foto e começaram a gritar, “levanta ela, levanta ela” – e Bellini só fez isso, levantou a Copa a pedidos, nada mais. A repetição de Mauro sim, essa foi uma homenagem a Bellini. Porque apesar da disputa por posição e do protesto do novo capitão, os dois, ele e o anterior, eram muito amigos.

    O jornalista Mário Filho descreve a emocionante entrega da taça em seu livro sobre a Copa de 1962. “Bellini pensou, “se eu chorar Mauro pode pensar que eu queria estar no lugar dele, se eu não chorar Mauro pode pensar que estou magoado”. Bellini sentiu os olhos ardendo, Mauro sorria, estava entendendo tudo, Bellini foi para os braços de Mauro. “Capitão!”, falou Bellini, trêmulo. “Capitão!”, respondeu Mauro, respeitoso, encostando o rosto no rosto do amigo, ambos chorando, comovidos”. 

    Tinham a mesma idade, Bellini apenas 12 semanas mais velho. O sério e contido Bellini, que ainda voltou a jogar uma Copa, em 1966, na verdade cuidava de Mauro, descontrolado e gastador. O capitão de 1962 morreu pobre em 2002, em Poços de Caldas, Minas Gerais, sua terra natal – sempre ajudado pelo ajuizado amigo.    

     

    Agenda histórica do futebol gaúcho na semana

     

    8.10, domingo

    1987 – Grêmio, Inter e demais associados do Grupo dos 13 Grandes Clubes Brasileiros assinam com TV Globo primeiro contrato de televisionamento do campeonato brasileiro, no valor de 17,4 milhões de dólares

     

    9.10, segunda-feira

    1956 – Prefeito de Porto Alegre, Leonel de Moura Brizola, assina com caneta de ouro presenteada pelo Inter a lei doando ao clube área de sete hectares a ser dragada ao Rio Guaíba (aumentada em 22.12.1968 para 13,1 hectares), para construção do complexo esportivo Beira-Rio, com promessa de inauguração parcial em 1959, realizada em definitivo só em 1969

    1992 – Inter 4x0 Corinthians, Pacaembu, Copa Brasil

     

    10.10, terça-feira

    1943 – Inter 8x5 Farroupilha de Pelotas

    1962 – Primeiro jogo do Inter na Copa Brasil e com o Cruzeiro de Minas Gerais, 1x1 no Estádio 7 de Setembro, o Independência

     

    11.10, quarta-feira

    1908 – Fundação do Esporte Clube Pelotas

    1912 – Grêmio manda fazer 50 medalhas de ouro na Alemanha para festejar campeonato de Porto Alegre e inauguração do pavilhão da Baixada

    1969 – Fundação da torcida organizada Camisa 12, do Inter (com nome inicial de Torcida Organizada Colorada, TOC), por Vicente Rao, Flávio Couto, Ernani Becker

     

    12.10, quinta-feira

    1910 – Willy Teichmann, ex-jogador do Grêmio, estreia no Inter com vitória de 4x0 sobre o Ypiranga de Porto Alegre

    1960 – Grêmio 1x0 Fluminense no Olímpico, Copa Brasil, gol de Elton Fensterseifer

    2016 – Romildo Bolzan Júnior reeleito presidente do Grêmio com 85,3% dos votos dos sócios do clube

     

    13.10, sexta-feira

    1958 – Presidente do Grêmio, Fernando Kroeff, inaugura quatro pistas de bolão no Olímpico

    2003 – Inter unifica eleições da presidência e conselho deliberativo

     

    14.10, sábado

    1958 – Presidente Fernando Kroeff lança pedra fundamental de ginásio de esportes do Grêmio  

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