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    histórias da bola

    Modernismos em campo

    por Cláudio Dienstmann | Publicada em 05/11/2017 às 16h04

    “Times de futebol são como orquestras: se formam com muito ensaio” (Cesar Luis Menotti, técnico argentino).

    “Igual ao pianista que deve ensaiar diariamente, um jogador de futebol precisa treinar sempre os gestos e as técnicas básicas” (Oliver Kahn, goleiro alemão)

     

    Todo dia aparece uma expressão nova no futebol. Os times não jogam mais pelas pontas – jogam nas beiradas. Os laterais sumiram, agora são alas. O técnico Tite durante algum tempo disse que em futebol é necessário ter “clarividência”, querendo falar em clareza, até ser informado de que claridivente era vidente, isto é, pai-de-santo.

    E ao contrário, muita coisa que se pensa hoje que é moderna, na verdade é bem antiguinha. Já em 1977 o Inter apareceu com uma jogada do lateral Cláudio Duarte que hoje é saudada como grande inovação: o arremesso lateral para dentro da pequena área do adversário. Pior: essa “novidade” já havia sido lançada pelo técnico peruano Dario Letona no próprio Inter – em 1942.

    Outras coisas incrivelmente demoraram muito tempo para aparecer. O aquecimento muscular antes dos jogos é apenas de 1954, com a Hungria, mas era feito dentro do vestiário: só muitos anos depois é que se descobriu que era por isso que os húngaros já entravam em campo voando, inclusive fazendo dois gols nos primeiros dez minutos de todas as suas partidas na Copa do Mundo daquele ano.

    O aquecimento dentro do campo, décadas depois, é uma contribuição brasileira, mas veio por vias transversas. Em 1977, nas eliminatórias para o mundial de 1978, a seleção brasileira foi jogar contra o Paraguai em Assunção. Sabendo que a vaia ia comer solta na entrada para a partida, o esperto técnico João Saldanha mandou as suas feras a campo uma hora antes.

    – Vão lá e deixem que esses caras xinguem tudo o que guardaram – falou o João-sem-medo.

    A torcida paraguaia gastou antes todo o estoque de berro e o Brasil ganhou por 3x0.

     

    Agenda histórica do futebol gaúcho na semana

     

    5.11, domingo

    1978 – Jornal “Correio do Povo” informa que Estádio Beira-Rio será ampliado para mais 20 mil espectadores

     

    6.11, segunda-feira

    1935 – Morre aos 38 anos goleiro Eurico Lara, que jogou durante 15 no Grêmio

     

    7.11, terça-feira

    1982 – Inter derrota Grêmio por 3x1, três gols de Geraldão

     

    8.11, quarta-feira

    2008 – após dois empates de 0x0 Cerâmica de Gravataí elimina Grêmio da Taça Lupe Martins nos pênaltis em Eldorado

     

    9.11, quinta-feira

    1919 – Brasil de Pelotas é o primeiro campeão gaúcho, 5x1 contra o Grêmio na Baixada,em Porto Alegre

     

    10.11, sexta-feira

    1999 – Com gol de Dunga aos 36 minutos do segundo tempo, Inter vence Palmeiras por 1x0 no Beira-Rio e evita rebaixamento para segunda divisão

     

    11.11, sábado

    1975 – Zagueiro Figueroa renova contrato com Inter, C$41 mil mensais, então o maior salário do futebol brasileiro (4,5 mil dólares na época, R$15 mil hoje)

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