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    no mundo do trabalho

    Tá aqui o meu cartão

    por Leandro Melo | Publicada em 04/12/2017 às 18h55| Atualizada em 04/12/2017 às 18h56

     

    Ao redor da mesa de reunião sete pessoas e diante de cada uma, seis cartões de visitas perfilados conforme os ocupantes de cada cadeira, em sentido horário. Dessa maneira, a apresentação é formalizada já no início; a disposição dos cartões denota respeito à posição de cada participante daquele grupo e o pequeno painel de impressos se torna um grande aliado para lembrar o nome das pessoas.

    E depois?

    Bem, depois que se apertam as mãos e cada um toma o seu rumo, os bem intencionados recolhem os cartões de visita e os arquivam resolutos em pastas específicas, por ordem alfabética. Os céticos os colocam dentro de uma gaveta que guarda ainda um pacote de biscoito recheado pela metade e fechado com fita adesiva junto a algumas anotações soltas de reuniões anteriores.

    Os cartões de visitas como conhecemos hoje surgiram no final do século XVII e traziam, inclusive, foto do dito cujo e indicações de como se chegar à empresa. A inspiração para esta peça que se tornou sinônimo de apresentação comercial surgiu durante alguns jogos de cartas, quando os lembretes das dívidas da partida eram registradas nas próprias cartas do baralho que, aliás, orientaram o formato dos atuais cartões.

    Enfim, mesmo em tempos de WhatsApp a pompa dos retângulos identificadores do Mundo do Trabalho ainda é assegurada por uma legião de fãs. Certamente você já ouviu dicas de como guardar os benditos cartões, com anotações sobre o lugar e a situação em que os recebeu (e como escrever naqueles plastificados!?). Talvez até já tenha comprado uma pasta de couro sintético, marrom café, com espaços determinados por cores e letras para guardar cada papelzinho, ou ainda, tenha transferido religiosamente ao outlook os dados do seu network.

    Mas chega-se a um momento, em que tudo se torna mais claro. Na prática, se recorre mesmo é ao Google para reencontrar uma pessoa. E é provável que um dia você depare com uma caixa decorada, muito bem guardada, da qual você se gabava para os colegas de setor. A mesma que era motivo para começar uma conversa que demonstrasse o quanto você é organizado. Tudo perda de tempo. Depois de olhar o décimo cartão e se dar conta de que nenhuma daquelas pessoas faz parte das suas redes de relacionamento, nem sequer compartilham o Instagram, só aí você se dá conta de que a lata de lixo reciclado é o melhor lugar para esse amontoado de celulose e pvc.

    Mas é possível que esse processo de armazenar cartões, contar aos colegas que você possui mais de 400 contatos organizados por setor de negócios e só anos depois jogar tudo fora seja uma espécie de rito de passagem do Mundo do Trabalho. Por garantia, mantenha sempre um punhado dos seus próprios cartões e procure saber como encontrar o seu cliente nas redes sociais.

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