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    o seguinte indica:

    Lúcio Flávio Vilar Lyrio, foi marginal famoso na crônica policial brasileira no final da década de 60 e inicio da década de 70

    O que a história do bandido Lúcio Flávio tem a ensinar a Temer e Aécio?

    por Carlos Wagner | Histórias Mal Contadas | Publicada em 25/05/2017 às 17h32| Atualizada em 25/05/2017 às 17h33

    Existem pistas na história do famoso bandido carioca dos anos 70 Lúcio Flávio, para entender as relações entre o presidente da República, Michel Temer (PMDB – SP) e o senador Aécio Neves (PSDB – MG) com os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do JBS. É de cair o queixo a intimidade entre Temer, Aécio e os empresários revelada na delação premiada dos irmãos à Lava Jato. Intimidade semelhante existia entre o bandido carioca e os policiais que corrompia para permanecer em liberdade – a história é contada no filme “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, de Hector Babenco, em inúmeros livros e em teses de mestrado. Dono de um QI acima da média e de uma aparência elegante, Lúcio Flávio cunhou a seguinte frase quando descobriu que os policiais corruptos iriam se livrar dele para não serem delatados (ele foi morto na prisão):
    – Polícia é polícia, bandido é bandido.

    A frase de Lúcio Flávio é uma das leis no mundo do crime: é cada um por si quando a casa cai, como se refere o jargão dos investigadores policiais para descrever o momento em que o bandido é preso. Escutando, lendo e vendo as declarações do presidente Temer e dos aliados do senador, tem-se a ideia que eles acreditavam que os irmãos Batista iriam para a cadeia e não abririam a boca. Entre todos os delatores da Operação Lava Jato, os irmãos foram os que entregaram as duas cabeças mais valiosas: a de um presidente e a de um senador símbolo da oposição ao PT. A cabeça deles foi muito valorizada quando tiveram sucesso na conspiração que resultou no impeachment da presidente da República Dilma Rousseff (PT – RS), de quem Temer era vice.

    Nessa conspiração, era aliado deles o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB – RJ), que, com as suas pautas-bomba – projetos que resultariam em grandes gastos para o governo federal – ajudou detonar a já frágil economia do país. Cunha foi cassado e condenado pelo juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, e cumpre pena na Região Metropolitana de Curitiba (PR). As delações dos empresários mostram como essa aliança foi irrigada pelo dinheiro ilegal. Mais ainda: orientados por investigadores da força-tarefa da Lava Jato, os irmãos seguiram um roteiro estarrecedor de coleta de provas contra os dois políticos.

    Aqui, eu gostaria de refletir com os meus colegas repórteres, principalmente os novatos, sobre a delação dos irmãos. O grupo político do Temer e o de Aécio é formado por pessoas experientes e muito bem articuladas. Eles têm olhos e ouvidos em toda a máquina administrativa do governo federal. A pergunta é a seguinte: como não se deram conta do que os donos do JBS estavam armando para eles? Ou descobriram e estão perdendo os anéis para não perderem os dedos?

     

    Carlos Wagner é repórter e o texto foi publicado originalmente em seu imperdível blog Histórias Mal Contadas.

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