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    câmara de gravataí

    Manifestantes têm ido à Câmara acompanhar as sessões

    A manhã em que as viagens não entraram na pauta

    por Rafael Martinelli | Publicada em 13/04/2017 às 15h58| Atualizada em 17/04/2017 às 16h59

    O projeto de lei que limita as viagens dos vereadores de Gravataí não aterrissou na pauta da sessão desta manhã, deixando no jet lag um público vip de silenciosos representantes do Observatório Social e do Sindilojas, sentados a duas fileiras de manifestantes que a cada terça e quinta têm empunhado cartazes pedindo a votação.

    O projeto de Dilamar Soares (PSD), que ‘mais ou menos’ acaba com o CâmaraTur já tinha cumprido a burocracia interna e estava apto para ser votado – com um parecer favorável da Comissão de Finanças e Orçamento e outro contrário da Comissão de Constituição e Justiça.

     

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    Um parecer a favor, outro contrário a fim das viagens

     

    - Sentei na cadeira e recebi essa pauta. Mas se está pronto entrará na próxima terça – explicou o primeiro secretário Airton Leal (PV), que substituiu Nadir Rocha (PMDB) e Alex Tavares (PMDB) - presidente e vice que estavam ausentes – no comando da sessão antecipada da tarde devido ao feriadão de Páscoa.

    - É o projeto 01 desta legislatura e já tem pareceres. Não há motivos para não estar na pauta – lamentou Dilamar, que desistiu de tentar um acordo de lideranças para votação imediata após consultar informalmente os vereadores antes de começar a sessão.

     

    : Twitter do Seguinte: trouxe postagens instantâneas da sessão que foi das 9h ao meio-dia desta quinta


    Só cursos proibidos

     

    O projeto de Dilamar ‘meio’ acaba com o CâmaraTur porque, apesar de proibir pagamento de diárias para cursos, permite que vereadores viagem ‘em representação’, com diárias e passagens às custas do legislativo.

    - Uma Comissão do Congresso Nacional pode convidar um vereador de uma Comissão aqui da Câmara para ir a Brasília. Aí pode – explicou o parlamentar, que nunca viajou e incluiu no projeto a extensão da proibição para CCs após receber sugestão do Observatório Social.

     

    Os bandidos e o mocinho

     

    Nenhum vereador vai admitir publicamente, mas o projeto só não será aprovado para evitar que o autor, Dilamar, leve sozinho os créditos por minimizar uma prática que custou R$ 1 milhão na legislatura 2013-2016, mas não deve se repetir entre os atuais parlamentares.

    Na única viagem aprovada desde janeiro, Roberto Andrade (PP) foi a Brasília, mas pediu dispensa das diárias.

    - Ninguém vai apresentar requerimentos pedindo para viajar porque não há mais maioria para aprová-los. Eu viajei, não viajo mais, porque assim quer meu eleitor – confidencia um vereador.

    - Esse projeto passaria sem problemas se fosse apresentado pela mesa-diretora da Câmara – observa outro parlamentar, que explica com um quê de ironia:

    - O que incomoda muitos vereadores que não vão mais viajar, ou nunca viajaram, é que com a aprovação passarão por bandidos perante a sociedade, enquanto haverá apenas um mocinho, um paladino da ética.

     

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    Guerra fria

     

    Antes e depois da sessão, nos microfones e principalmente nos bastidores, em conversas de celular ou troca de mensagens de WhatsApp, vereadores também não escondiam o desconforto com a pressão das entidades - raramente presentes em outras votações, mas já com milhagens de Câmara quando se trata de condenar viagens, o salário e os CCs dos vereadores.

    Charadinhas decolavam uma atrás da outra da tribuna, tendo no radar a classe empresarial, de onde vem a maior parte da tripulação do Observatório e do Sindilojas.

    E, quase sempre antecipadas de cordiais saudações, partiam de vereadores que já, ou nunca, viajaram. No transponder do contra-ataque dos políticos, a lista de Fachin, com delações da Lava Jato, taxiava junto a mal-feitos de empresários.

    - Não adianta ir à Prefeitura pedir para não fiscalizar a loja e depois tirar os vereadores para Cristo – torpedeou, do seu jeito sem meias palavras, Clebes ´Bolsonaro da aldeia´ Mendes (PMDB), que já viajou e não viaja mais.

    - Há pouco tempo muitos foram aos Parcões de Gravataí e Porto Alegre protestar pintados de verde amarelo. Acho que está na hora de irmos todos às ruas, não contra partidos, mas contra a terceirização, a reforma da previdência e a sonegação – deu rasante o ‘diária zero’ Dimas Costa (PSD), que revelou o suposto lobbie de altos dirigentes de entidades que por diferentes gestões teriam empregado indicados e até parentes de CCs da Prefeitura.

    - Os coitados dos prefeitos sofrem com esses pedidos. E não importa se é governo de esquerda ou direita – ironizou.

    - A crise da política é o reflexo da crise ética da sociedade. Sou contador, sei como funciona a sonegação. Então tem que parar de hipocrisia e cada um fazer sua parte antes de apontar o dedo para os outros – cobrou Paulo Silveira (PSB), outro que nunca viajou, concluindo o check-in dos recados:

    - Os políticos não vão por Sedex para Brasília.

     

    Placar antecipado

     

    Na conta informal que o Seguinte: vem fazendo desde que foi apresentado o projeto que ‘mais ou menos’ acaba com o CâmaraTur, a tendência é pela reprovação.

    Um 10 a 10 deve ser decidido pelo voto de desempate do presidente Nadir Rocha, que sob a justificativa de preservar o direito do vereador de escolher entre viajar ou não, garantido legalmente pelo Regimento Interno do legislativo, provavelmente aparecerá em vermelho no painel eletrônico.

     

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