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GRAVATAÍ, 20/07/2018

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    na copa

    Entre os convocados de Tite, há um menino que teve no Cerâmica o seu teste de fogo | LUCAS FIGUEIREDO CBF

    O craque do Brasil que jogou no Cerâmica

    por Eduardo Torres | Edição de imagens: Guilherme Klamt | Publicada em 13/06/2018 às 09h16| Atualizada em 25/06/2018 às 13h14

    Quando a bola rolar na Copa do Mundo da Rússia, a partir desta quinta, o torcedor de Gravataí terá pelo menos um motivo a mais para empurrar a Seleção Brasileira em busca do hexa. É que o Cerâmica tem uma pontinha de participação no grupo de jogadores montado por Tite.

    Lá no verão de 2003, era um guri franzino, de canelas finas e bem menor do que os outros da sua idade. Tinha habilidade e um talento acima da média. Disso ninguém mais tinha dúvida, mas precisava "crescer" para entrar nos padrões de exigência do Grêmio. Aquele menino chamado Douglas, natural de Sapucaia do Sul e ainda com 12 anos, vestiu, pela primeira vez a amarelinha em janeiro daquele ano. Não a da Seleção, mas a do Cerâmica. Sim, Douglas Costa, que dias atrás foi mais uma vez exaltado pelos gremistas ao lembrar que, quando criança, se negou a ser observado e vestir a camisa do Internacional, teve no clube de Gravatai uma espécie de teste de fogo e, porque não, um recomeço.

    Não restaram fotos daqueles dias — cerca de um mês —, mas os momentos ficaram marcados por quem vive o futebol daqui.

    — Eu lembro que ele era o típico jogador brasileiro, que vai dentro mesmo. Já tínhamos meninos com estatura maior na categoria, e ele parecia um Sub-13 com corpo de Sub-11. Mas ele pegava a bola, bem magrinho, como boa parte dos meninos que vemos surgirem nos campinhos aqui da periferia mesmo, e resolvia. Dava para ver que tinha talento. Não era à toa que o Grêmio já tinha expectativa sobre ele — conta o então preparador físico do Cerâmica que participou da Copa Internacional de Flores da Cunha naquele verão, Felipe Harzheim.

     

    : O guri franzino ganhou corpo e amadureceu para brilhar na Europa e na Seleção | LUCAS FIGUEIREDO

     

    Tratava-se de um empréstimo para que o menino, ainda em observação pelo time de Porto Alegre, que desconfiava da sua capacidade física, mostrasse o seu valor aos 12 anos.

    — Enquanto Grêmio e Inter disputavam o Efipan, em Alegrete, naquele período do ano, nós disputaríamos o Torneio Internacional de Flores da Cunha. Eu sempre estava muito atento, e com bom relacionamento nas bases da dupla. Para aquela competição, trouxemos dois meninos do Internacional e dois do Grêmio, que não seriam utilizados em Alegrete. Um deles era o Douglas — conta Adriano Martins, na época, coordenador das categorias de base do Cerâmica.

    E o guri, que Adriano já conhecia do Estadual Sub-13, não decepcionou.

    — Era diferenciado. Foi o nosso melhor jogador na competição e chamou a atenção. Já mostrava que era extremamente técnico, habilidoso e veloz — relata Adriano.

    Douglas Costa participou de pouco mais de uma semana de treinamentos em Gravataí até partir para o torneio na Serra. Lá, foram mais 15 dias de competição. A equipe avançou na primeira fase e acabou eliminada nas oitavas-de-final. O Douglas, no entanto, não deixou a sua marca só dentro de campo, vestindo a camisa do Cerâmica. Fora dos gramados, ele levava jeito no pagode.

    É que o hábito nos torneios das categorias de base no Interior é alojar os meninos em escolas da cidade. Quando não tem jogo, rola aquele pagode. E o guri de Sapucaia do Sul mandava bem no pandeiro.

    — Ele tinha chegado meio em cima da hora para o torneio, ainda estava mais na dele, se entrosando. Mas no pagode, o menino sabia um pouco — garante o Felipe.

     

     

    Fazia pouco mais de um ano que Douglas Costa havia sido levado para o Grêmio, saindo de uma escolinha na sua cidade. Desde então, já havia até figurado em uma lista de dispensa, justamente pelo tamanho. Foi um dos diretores que recomendou observá-lo um pouco mais. O Cerâmica acabou sendo a oportunidade ideal para esta observação, e ele aproveitou.

    Ironicamente, esta não foi a única vez que o clube de Gravataí cruzou o caminho das oportunidades do atacante da Seleção Brasileira, que atualmente joga na Juventus, da Itália. Quatro anos depois daquela experiência, Douglas, aos 17 anos e mais crescido, fazia parte do elenco Sub-20 do Grêmio. Enfrentou o Cerâmica no Gauchão da categoria e estourou. O Grêmio aplicou uma goleada de 4 a 1 e, nos jornais da Capital, a especulação era de que ainda naquele ano de 2007, justamente pela atuação na goleada, Douglas Costa poderia ter antecipada a sua ascenção aos profissionais.

    — Nós contamos a história do Douglas, e não só dele, mas de outros guris que passaram por aqui, vestiram esta camisa, e hoje estão atuando no futebol profissional com destaque para servir de exemplo e motivação para a gurizada. Às vezes, tudo é uma questão de oportunidade. Se você tem persistência, dedicação, pode conseguir chegar a uma Copa do Mundo sim. Por que não? — avalia Felipe Harzheim, que hoje é um dos abnegados na tentativa de reerguer ao Cerâmica.

     

    : Aos 17 anos, Douglas Costa deslanchou contra o Cerâmica e ganhou chance no profissional | GRÊMIO

     

    O tempero do chef Jaime está na Rússia

     

    Gravataí também está no tempero da Seleção Brasileira na Rússia. Assim como já acontece desde 1995, o chef de cozinha Jaime Maciel acompanha a delegação. Natural de Santiago, desde 2001 ele tem o seu restaurante no Centro de Gravataí. Adotou a cidade e ganhou o título de Aldeão.

    E se o Jaime adotou Gravataí, a comissão técnica de Tite o adotou ainda mais do que já acontecia antes na CBF. É que o Jaime ganhou fama de pé quente. Em 2012, foi ele quem cozinhou para a delegação do Corinthians durante o Mundial de Clubes conquistado sob comando do técnico gaúcho.

    Cozinhando para um elenco milionário, com praticamente todos os jogadores atuando na Europa, a missão do gaúcho na cozinha é fazer justamente uma reencontro com as origens. Fazer arroz, feijão, farofa, são obrigações no cardápio.

    Jaime Maciel está com o grupo de atletas desde a primeira fase de preparação, em Teresópolis. E, antes, fez uma missão de reconhecimento às instalações em Sochi. A CBF organizou pelo menos quatro visitas ao país da Copa para que ele próprio avaliasse a qualidade dos alimentos locais. Com as carnes, relatou à CBF, Jaime não terá problemas. Na bagagem, no entanto, foram levados feijão carioca e farinha de mandioca, artigos raros na Rússia.

     

    : O chimarrão do Jaime com a comissão técnica é obrigação | LUCAS FIGUEIREDO

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