Da série me cortem os tubos! Me aguentem ou…
Mais uma das antigas!
Foi lá pelos anos 80. Comprei um fusca do autor do livro do P, "seo" Jeremias Borsatti, que morava na rua Saldanha Marinho, em Cachoeira do Sul. Livro do P, porque ele escreveu todas as palavras iniciando com a letra…
Voltando ao fusca!
Era um "miledú"… Os entendidos sabem o que é. Seis volts. Ano 62. Na quarta marcha, esgaçadinho, dava 90 na descida.
Lembro disso porque uma vez, viajando para Porto Alegre, em uma descida da BR-290 não muito forte, mas longa, no município de Butiá, aquele retão de onde saem caminhões carregados com carvão, o motorista de uma caçamba ficou com pena do meu sofrimento.
Tirou o pé do acelerador e me deixou ultrapassar. Acho que até pisou no freio um pouquinho. Eu a 90 por hora e o "miledú" rabeando mais que pandorga com cola curta…
E o tadinho era todo furado por baixo.
Num dia de enxurrada, em Porto Alegre, lembro que eu estava na Oswaldo Aranha. Mas entrava tanta água pelo assoalho, tanta água, que cheguei a cogitar a possibilidade de abrir o guarda-chuvas. Virado prá baixo, claro!
Lá em Cachoeira, certa feita, me roubaram o "miledú".
Me desesperei. Meu patrimônio, ora bolas!
Mas como eu era muito conhecido, não demorou para aparecer um brigadiano que me conhecia, e sabia por onde eu andava na calada da madrugada, avisando que meu fusca estava abandonado na rua dos Loretos, atrás da rodoviária, com as portas abertas.
Não levaram nada.
De pena, ainda me encheram o tanque (claro que estou exagerando!). Também, o tadinho andava "só no cheiro". Gasolina só a conta-gotas…
Lembrei do meu "miledú" dia desses, vindo para o trabalho. Passou por mim um fusca igualzinho, até os para-choques de goleira eram do mesmo tipo. Branco, também, mas um branco já desgastado. Parecia até que estava usando bengalas e eu jurei que era o meu "miledú". Quase saí correndo atrás.
Depois desse, tive um outro carrinho de nome carinhoso. Foi uma “Teresa Louca”, como chamavam na época os Volkswagen modelo TL.
Eu troquei em Porto Alegre em uma revenda de picaretas lá da Azenha, pelo meu “miledú”. E ainda dei mais um dinheiro para o cara. Acho que fui ludibriado, mas deixa assim que é melhor!
A TL era mais nova. Ano 1974 e motor 1.600, daqueles de Kombi, em pé, na traseira. Entrava um fedor de gasolina que empesteava o interior da “Teresa Louca”.
Fiz muitas viagens com ela.
Certa feita, também em deslocamento para a capital pela BR-290, rebentou o cabo do acelerador. Era um cabo que ia desde o pedal, cá na frente, até o carburador, lá atrás. Sorte que se rompeu bem no “pé” do carburador. Não tive dúvida. Fui numa cerca da beira da estrada, arranquei um pedaço de arame e com uma pedra fiz uns ganchos.
Um para engatar no carburador, e outro para amarrar a espia de aço do cabo que era acionado por mim, no pedal.
Conserto feito, pé na estrada!
Noutra ocasião, estava indo para Sant’Ana do Livramento. Viajando desde Farroupilha, na Serra Gaúcha. Com mulher, filhos, e bagagens até “por dentro dos olhos”.
Já estávamos chegando na Rainha da Fronteira quando estourou um pneu. Tiramos todas as tralhas do bagageiro, que ficava na frente, para conseguir pegar o estepe, macaco e chave de rodas.
Troca feita, tudo recolocado no lugar, vamos embora.
Que nada!
Menos de 500 metros adiante estourou o estepe que eu tinha colocado. "Sem pai nem mãe", como se diz, tiver que recorrer a uma carona – estrada quase deserta, à tardinha – para ir até um borracheiro na chegada da cidade.
Consertos feitos nos dois pneus, carona de volta, troca realizada e, daí sim, conseguimos chegar ao nosso destino. Todo mundo com fome, necessitando demais de um bom banho porque era verão, calorão, fedorão…
Essa, a “Teresa Louca”, ficou lá pela fronteira mesmo.
Foi onde comprei meu terceiro carro. Este sim, bem mais chique. Era um Ford, modelo Del Rey série Ouro, ano 1984, com vidros e travas elétricas. Tinha até ar condicionado, já pensou?
Então, por isso que eu digo: para o mundo que eu quero descer. E aproveita, por favor, e me corta os tubos!