A morte da líder comunitária Jurema Pinheiro, a dona Jurema, na região da Morada do Vale, em Gravataí, vítima de um atropelamento por um ônibus, em janeiro deste ano, comoveu a comunidade e trouxe a tona um problema mais frequente do que se imagina. A cada quatro acidentes de trânsito em Gravataí, um é atropelamento. Estatística só inferior ao volume de colisões frontais, que representam metade dos acidentes na cidade nos últimos dois anos.
Os dados fazem parte do levantamento da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semurb), e motivaram a criação, pela vereadora Anna Beatriz (PSD), de uma Frente Parlamentar na Câmara de Vereadores pela Segurança no Trânsito de Gravataí.
“São números alarmantes de um problema em que a solução depende de todos nós. O Legislativo tem o compromisso de fazer parte desta busca por soluções. Seja como um local para dar visibilidade a boas experiências, como proponente de novas medidas ou como parceiro na promoção da melhor educação ao pedestre e aos motoristas. A ideia, com a criação desta Frente, é termos na Câmara um espaço permanente ao debate sobre um assunto que diz respeito às vidas de todas as comunidades de Gravataí “, diz a vereadora, que teve, nesta quinta, o projeto de decreto legislativo aprovado no plenário.
Resta agora a instalação da Frente Parlamentare, que terá Anna Beatriz como líder e contará com pelo menos outros dois vereadores ainda não definidos.
De acordo com Anna Beatriz, uma das inspirações para a proposta foi o trabalho que já é desenvolvido pela Escola Pública de Trânsito, organizada por agentes da Semurb.
“É um trabalho espetacular e que precisa ganhar mais visibilidade e parceria em ambientes como o Legislativo”, comenta a vereadora.
As ações da Escola de Trânsito vão desde blitze educativas até o projeto que levará, inclusive com a criação de um curso de formação, a educação para o trânsito às salas de aula da rede pública municipal de Gravataí.
Para que se tenha uma ideia, 9% das vítimas do trânsito na cidade entre 2022 e 2024 eram crianças. Outros 45% tinham entre 18 e 20 anos. Entre os acidentes com vítimas no mesmo período, 11% das vítimas eram pedestres. Nas colisões, 45% das vítimas eram passageiros.
“São vidas perdidas, como a da dona Jurema, que precisam de ações coletivas para que novas mortes sejam evitadas”, afirma Anna Beatriz.