O Hospital Universitário (HU) de Canoas começou, na sexta-feira (6), a virar a página de uma das maiores dores do SUS: a fila de cirurgias. Com a adesão ao programa federal Agora Tem Especialista, do governo federal, a instituição passa a integrar um esforço que prevê a realização de 1.637 cirurgias eletivas em até 180 dias — um volume capaz de alterar de forma concreta a espera de milhares de pacientes da cidade e da região.
O número não é retórico. São mais de 1,6 mil procedimentos concentrados em especialidades com demanda histórica reprimida, como cirurgia geral, vascular, dermatológica, urológica, oftalmológica e ginecológica. Na prática, significa destravar atendimentos que ficaram represados por falta de bloco cirúrgico, equipe ou capacidade operacional.
O pontapé inicial foi simbólico e cirúrgico. No primeiro dia do programa, o HU realizou cinco procedimentos, marcando oficialmente a entrada do hospital na segunda modalidade do Agora Tem Especialista — a mesma que busca acelerar cirurgias eletivas sem comprometer o atendimento regular de internações, UTIs e do centro obstétrico.
O ato de início das atividades reuniu o prefeito Airton Souza, a secretária municipal de Saúde, Ana Boll, o CEO da Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora do HU, Cláudio Vitti, a superintendente da ASM, Tatiani Pacheco, e o presidente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Gilberto Barrichello, parceiro estratégico na execução do programa.
Para o prefeito, o dado central é o impacto direto na vida das pessoas que esperam por uma cirurgia.
“Estamos falando de uma demanda reprimida que agora começa a andar. São mais de 1,6 mil procedimentos que vão beneficiar não só Canoas, mas pacientes de toda a região que buscam atendimento no HU. Hoje simboliza um novo tempo para quem está na fila”, afirmou Airton.
180 dias
Segundo Gilberto Barrichello, Canoas saiu na frente. O HU foi o primeiro hospital da Região Sul a iniciar a segunda modalidade do programa. No contexto estadual, o impacto é ainda maior.
“Somando todas as cidades participantes no Rio Grande do Sul, serão mais de 4 mil cirurgias realizadas nos próximos três a quatro meses por meio do programa do Governo Federal”, explicou.
A secretária de Saúde, Ana Boll, detalha onde está o gargalo que o programa ataca.
“São cirurgias eletivas de pacientes que já estavam na fila interna do hospital, aguardando capacidade de bloco cirúrgico e equipe médica. O HU segue atendendo internações, UTI e obstetrícia, mas agora amplia a oferta de procedimentos. É isso que muda a partir de agora”, disse.
Na linha de frente da execução, a ASM definiu uma estratégia clara: começar pelos procedimentos de média e baixa complexidade, com maior volume e menor tempo de recuperação.
“Os primeiros procedimentos foram enxertos de pele e pequenas cirurgias dermatológicas. Vamos iniciar com pacientes de Canoas que estavam há muito tempo aguardando”, explicou a superintendente Tatiani Pacheco.
O prazo é objetivo: 180 dias para concluir os 1.637 procedimentos. Mas a meta política e institucional é ir além.
“A intenção é realizar o mais rápido possível para que o HU possa se habilitar a novas rodadas do programa e ampliar ainda mais o número de cirurgias”, completou Tatiani.
Em um sistema onde filas viraram regra, o dado que importa é simples e direto: 1.637 cirurgias têm data para acontecer. Para quem espera, isso muda tudo.







