As coisas são como são, e não conforme gostaríamos que fossem. Com o perdão pela filosofia de boteco, mas as duas primeiras jornadas do Grêmio na Copa Sul-Americana deram luz à obviedade.
Estamos em meados de abril, e o time joga pouco, bem pouco, quase nada! Perspectivas? Deus nos acuda. A comissão técnica, liderada por Luís Castro, não consegue estabelecer o mínimo de rotina coletiva.
No Brasileirão, por exemplo, a prioridade precisa ser os 45 pontos. Embora, depois do título gaúcho, alguns esperassem uma jornada mais promissora da equipe na temporada, incluindo muitos colegas da imprensa. Modestamente, sempre alertamos para o “título conquistado com pouca bola”.
O presidente Odorico Román abriu os cofres. Somente para repatriar Tetê, foram investidos 40 milhões de reais. A maioria das individualidades está abaixo das expectativas, é verdade. Mas o que a mecânica coletiva tem feito por elas?
Somos adeptos do repertório tático para elevar a imprevisibilidade do time. Mas calma lá. Variação para três zagueiros + dois volantes contra o Deportivo Riestra na Arena? A partida de ontem à noite foi mais um teste de paciência para o torcedor.
Para jogos mais “pesados”, talvez seja uma boa tentativa, como ocorrido no Gre-Nal do último final de semana. A ideia é utilizar os laterais avançados e aproximar os pontas de Carlos Vinícius, tudo para amenizar a falta de articulação ofensiva e tirar o centroavante do isolamento.
No meio-campo, somente Noriega parece ter cavado a titularidade. Arthur nem de longe é o mesmo jogador da década passada e, sendo assim, disputa a função de camisa 8 com Nardoni. Contra adversários “grandes”, até podem jogar os três juntos.
Monsalve, Gabriel Mec e, quando voltar de lesão, William seriam apostas para atenuar a falta de um camisa 10. Mas é preciso rotina, repetição, sequência e insistência, principalmente em jogos em casa e/ou contra adversários teoricamente mais frágeis. Pelos flancos, Enamorado e Amuzu, construtores do gol do alívio ontem aos 42 da etapa final. Ufa!
Na defesa, os promissores Gustavo Martins e Viery confirmam a nossa impressão a cada 90 minutos. São promissores, mas, como dupla, ainda insuficientes.
Para o futuro possível, bancaria a manutenção de Balbuena ao lado de Viery. Com raras exceções, as melhores jornadas de Gustavo Martins foram na lateral-direita. Por que não retomar? Assim, Pavón voltaria a ser opção pela ponta direita.
Enfim, senhoras e senhores. São apenas pitacos, conjecturas, apostas. Menção honrosa para o goleiro Weverton, destaque individual do último período. Ao lado de Carlos Vinícius, talvez as únicas unanimidades de 2026 até agora.
Ou Luis Castro arruma a “casinha” para ontem, ou logo, logo endossará a lista de treinadores demitidos. Não é informação, tampouco desejo. É apenas leitura de cenário com base na experiência do Futebol Além do Resultado.






