Uma nova tecnologia desenvolvida pela Corsan em parceria com quatro empresas gaúchas, com industrialização em Canoas, promete acelerar a implantação de estações de tratamento de esgoto no Rio Grande do Sul. O modelo modular, que começa a ser implementado pela companhia, reduz o tempo necessário para colocar uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em operação de cerca de dois anos para aproximadamente quatro meses.
A primeira unidade está sendo instalada em Barra do Quaraí, na Fronteira Oeste do Estado, e servirá como projeto-piloto para futuras implantações em outros municípios atendidos pela companhia.
Diferentemente das estações convencionais, cuja construção ocorre praticamente toda no local de instalação, a nova solução é produzida de forma industrializada em Canoas. Depois de pronta, a estrutura é transportada em módulos até o município onde será montada.
No local, permanecem apenas as etapas de preparação da área, obras civis, montagem, interligações, testes e início da operação.
Segundo a Corsan, o modelo reduz significativamente o tempo de execução das obras e permite antecipar os benefícios do tratamento de esgoto para a população.
A estação modular de Barra do Quaraí está em fase final de testes e terá capacidade para tratar aproximadamente 518 mil litros de esgoto por dia.
Quando entrar em operação, a unidade deverá atender cerca de 3,6 mil famílias.
De acordo com o gerente de Engenharia da Corsan, Antonio Bruxel, o município apresentou características adequadas para receber a primeira estrutura modular.
“A estrutura em Barra do Quaraí reúne características compatíveis com uma solução modular, compacta e de rápida execução”, afirma.
Para a presidente da Corsan, Samanta Takimi, a iniciativa representa uma mudança na forma de expandir o saneamento básico no Estado e integra a estratégia da companhia para cumprir as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento.
A legislação determina que, até 2033, pelo menos 90% da população brasileira tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto.
“Universalizar o saneamento exige novas formas de pensar e de construir. Estamos adotando no Rio Grande do Sul um modelo que alia engenharia, tecnologia e inovação para reduzir drasticamente o tempo de implantação das estações de tratamento e atender às metas do marco legal. Isso significa antecipar benefícios para a população, proteger o meio ambiente e tornar os investimentos mais eficientes. É uma solução desenvolvida em parceria com empresas gaúchas que reforça o compromisso da Corsan com um saneamento cada vez mais moderno”, destaca.
Estruturas poderão atender diferentes municípios
As novas estações foram projetadas para atender cidades de diferentes portes.
Serão quatro modelos básicos, capazes de tratar vazões de 2,5, 5, 10 e 20 litros por segundo. Os módulos também poderão ser combinados, permitindo a formação de sistemas com capacidade de até 50 litros por segundo.
Acima desse volume, a Corsan continuará utilizando estações convencionais, que exigem estruturas maiores.
Segundo a companhia, a flexibilidade do sistema permitirá atender, de forma independente, 294 dos 317 municípios atualmente operados pela empresa no Rio Grande do Sul.
Além da redução no prazo de implantação, o modelo industrializado também busca diminuir os impactos da construção.
Como grande parte da estrutura é produzida em fábrica, há menor movimentação de materiais nos canteiros de obras, redução na geração de resíduos e necessidade de áreas menores para instalação.
Outro benefício apontado pela Corsan é a facilidade para ampliar a capacidade das unidades à medida que as cidades crescem, por meio da instalação de novos módulos.
A companhia destaca ainda que a antecipação da entrada em operação das estações pode acelerar ganhos relacionados à saúde pública, preservação dos recursos hídricos e melhoria da qualidade de vida da população.
As novas estações também serão integradas ao Centro de Operações Integradas (COI) da Corsan.
A partir da central, equipes técnicas acompanharão, em tempo real, o funcionamento dos sistemas, permitindo identificar rapidamente eventuais falhas e prestar suporte aos operadores locais.
Segundo a empresa, o monitoramento remoto deverá tornar a operação das unidades mais segura, eficiente e confiável, reforçando o uso da tecnologia como ferramenta para ampliar a qualidade dos serviços de saneamento no Estado.






