A Câmara Municipal de Cachoeirinha recebeu, entre a quarta e a sexta-feira (11), nove turmas de presidentes de mesa e primeiros-mesários que participam do treinamento da Justiça Eleitoral para as Eleições 2026. A capacitação ocorreu no Plenário Osvaldo Corrêa.
As orientações são ministradas pelo chefe substituto do Cartório Eleitoral de Cachoeirinha, Luis Makino, e têm como objetivo preparar os voluntários para a atuação no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e em um eventual segundo turno, previsto para 25 de outubro.
Entre os assuntos abordados estão a organização das seções eleitorais, o funcionamento das urnas eletrônicas, a emissão da zerésima — documento que comprova que a urna não possui votos antes do início da votação —, o encerramento do equipamento e procedimentos para solucionar dúvidas que possam surgir durante o pleito.
Mais de 102 mil eleitores estão aptos a votar
Em Cachoeirinha, 102.522 eleitores estão aptos a participar das eleições. O cadastro eleitoral para o pleito foi encerrado em 5 de maio.
Do total, 89.308 eleitores são obrigados a votar. Outros 13.214 estão nas situações em que o voto é facultativo, como analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e pessoas com mais de 70 anos.
A votação será realizada em 277 seções eleitorais, distribuídas por 34 locais de votação no município. A maioria funciona em escolas, além de dois salões paroquiais.
Cada seção terá quatro integrantes: um presidente, dois mesários e um secretário. Ao todo, serão mais de 1,1 mil voluntários envolvidos na organização do processo eleitoral em Cachoeirinha.
Votação começa às 8h
No dia da eleição, os mesários deverão chegar aos locais de votação às 7h. Antes da abertura das urnas, será necessário organizar a seção, ligar o equipamento, testar o teclado, conferir os dados, emitir a zerésima e o resumo da zerésima, verificar a presença de fiscais partidários e registrar os integrantes da mesa na ata.
A votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
A partir das 16h30, os mesários deverão verificar a existência de eleitores na fila e preparar a distribuição de senhas para quem estiver aguardando atendimento próximo do encerramento. Quem estiver na fila e receber a senha poderá votar mesmo após as 17h. Quem chegar depois da distribuição das senhas não poderá entrar na fila para votar.
Sigilo do voto exige atenção dos eleitores
A organização física da seção também deve garantir o sigilo do voto. A urna precisa ser posicionada de maneira adequada, evitando, por exemplo, que fique voltada para uma janela.
Outro cuidado é garantir acesso facilitado ao equipamento para idosos, pessoas com deficiência e eleitores com mobilidade reduzida.
Na cabine de votação, é proibido portar celular, relógio digital, tablet, câmera fotográfica, filmadora, equipamento de radiocomunicação ou qualquer outro dispositivo que possa comprometer o sigilo do voto, mesmo que esteja desligado.
A regra geral é que o eleitor entre sozinho na cabine. A exceção vale para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que necessitem de auxílio.
O eleitor pode utilizar roupas, adesivos ou identificações relacionadas a partidos ou candidatos, desde que a manifestação de preferência seja individual e silenciosa.
Quem tem prioridade na fila?
Entre os eleitores que têm prioridade estão pessoas com 80 anos ou mais, que possuem superprioridade.
Também têm preferência idosos a partir dos 60 anos, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo, pessoas obesas, enfermas, com deficiência ou mobilidade reduzida e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Doadores de sangue também têm direito à prioridade, desde que apresentem comprovante emitido há, no máximo, 120 dias.
O acompanhante da pessoa com prioridade também poderá ter preferência na fila, mesmo que vote em uma seção diferente.
Documento com foto é obrigatório
Para votar, o eleitor deverá apresentar um documento oficial com foto, independentemente de possuir ou não cadastro biométrico.
Documentos digitais serão aceitos quando apresentados diretamente no aplicativo correspondente, como o Gov.br. Prints ou fotografias de documentos não serão considerados válidos.
A Carteira de Trabalho também poderá ser utilizada, mas somente em sua versão física, em papel.
Eleitor que faltar poderá justificar ausência
Quem não comparecer à votação deverá justificar a ausência para evitar multa e outras consequências previstas pela legislação eleitoral.
A Justiça Eleitoral orienta que, sempre que possível, a justificativa seja feita pelos canais digitais.
No dia da votação, o eleitor que estiver fora do município onde possui domicílio eleitoral poderá utilizar o aplicativo e-Título, desde que a funcionalidade seja acessada fora da cidade de votação, utilizando o recurso de localização do aparelho.
Também será possível fazer a justificativa pelo sistema de autoatendimento do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) ou presencialmente em um local de votação, mediante apresentação de documento oficial com foto e preenchimento do Requerimento de Justificativa Eleitoral.
Voto em trânsito
Eleitores que fizeram previamente o cadastro para o voto em trânsito poderão votar fora do município de origem, desde que atendidas as regras da modalidade.
O cadastramento ocorreu entre 20 de julho e 20 de agosto de 2026. O voto em trânsito é permitido em municípios com mais de 100 mil eleitores.
Quem estiver em outro município dentro do mesmo estado poderá votar para todos os cargos. Já quem estiver em outra unidade da Federação poderá votar apenas para presidente da República.
O eleitor que tiver solicitado o voto em trânsito não poderá votar na seção eleitoral de origem.
Eleitor votará duas vezes para senador
Uma das orientações destacadas por Makino envolve a votação para o Senado Federal.
Como serão escolhidos dois senadores, o eleitor terá dois votos diferentes para o cargo. Segundo ele, não há voto de legenda para senador e o eleitor deverá digitar os três números correspondentes à candidatura escolhida.
“Se o eleitor tentar votar duas vezes na mesma candidatura, vai anular o segundo voto”, explicou.
A recomendação é que o eleitor confira previamente os números dos candidatos e leve sua anotação para facilitar a votação.
Mesários terão direito a folgas e vale-alimentação
Os voluntários que atuarão nas seções eleitorais terão direito a dois dias de folga no trabalho para cada dia de serviço prestado nas eleições, além de um vale-alimentação de R$ 65.
Segundo as orientações apresentadas no treinamento, o benefício deverá ser pago em dinheiro no próprio dia da votação, entre 9h30 e 11h.
Durante o trabalho, os mesários não poderão utilizar adesivos ou roupas que identifiquem partidos ou chapas. Também é recomendado evitar camisetas de times ou seleções de futebol.
O horário de almoço deverá ser organizado em sistema de revezamento, para que a seção permaneça aberta durante todo o período de votação.
Os mesários podem consultar as instruções oficiais completas no Manual do Mesário e no vídeo tutorial “Treinamento de Mesárias e Mesários – Eleições 2026”, disponibilizados pela Justiça Eleitoral.
“O processo eleitoral é todo transparente”
Durante o treinamento, Luis Makino também destacou a segurança da urna eletrônica e a transparência do processo eleitoral.
“O processo é todo transparente, nada é feito em sala escura. Apesar de reclamações e denúncias, até hoje não tivemos casos comprovados de desvios ou fraudes com votos realizados na urna eletrônica”, afirmou.
Segundo o servidor, a urna eletrônica é segura e inviolável.
Makino também chamou atenção para a quantidade de informações que os eleitores precisarão memorizar. Na eleição, serão seis votos para cinco cargos, considerando a escolha de dois senadores.
A ordem de votação será: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República.
Para evitar dúvidas e reduzir o tempo de permanência na cabine, o servidor recomenda que os eleitores preparem antecipadamente uma “colinha” com os números dos candidatos.






