Gravataí inaugurou nesta sexta-feira (19) a maior obra viária de sua história — e, com ela, uma tese política que vem sendo sustentada pelo prefeito Luiz Zaffalon (PSD) desde o primeiro mandato: quando o município se alinha institucionalmente ao governo do Estado, o resultado aparece em concreto, aço e asfalto.
O Complexo Viário Joseph Elbling, na interseção da ERS-118 com a Avenida Centenário, foi entregue pelo governador Eduardo Leite (PSD) após mais de três anos de obras, R$ 90,7 milhões em investimentos e uma longa travessia administrativa iniciada ainda em um período de “vacas magérrimas”, como lembrou o próprio prefeito.
A intervenção promete acabar com congestionamentos históricos, reduzir acidentes em um dos pontos mais perigosos da rodovia e consolidar Gravataí como eixo logístico central da Região Metropolitana.
A cerimônia reuniu o governador, o prefeito, o deputado estadual gravataiense Dimas Costa, o ex-vice e ex-governador Ranolfo Vieira Júnior, o secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella e autoridades regionais.
Mais do que inaugurar uma obra, os discursos construíram uma narrativa comum: o Estado voltou a fazer obras porque recuperou a capacidade de investir.
Recados políticos também ergueram o tom dos discursos, antes dos políticos levantarem os cones para liberar o trânsito naquele que já foi um ‘Km da morte’, dos acidentes e dos congestionamentos em Gravataí.
Do caos ao fluxo contínuo
Por décadas, o cruzamento da Avenida Centenário com a ERS-118 foi sinônimo de risco. Quem saía do Distrito Industrial em direção à Freeway precisava cruzar uma rodovia por onde passam cerca de 30 mil veículos por dia. Acidentes se tornaram rotina. O tempo de deslocamento era imprevisível.
O gargalo travava não apenas Gravataí, mas Canoas, Esteio, Sapucaia, Viamão e parte do Vale dos Sinos.
O novo complexo cria fluxos contínuos, elimina cruzamentos em nível e altera completamente a lógica de circulação no trecho. Parte das intervenções já vinha sendo liberada ao longo de 2025, mas agora a obra chega ao seu desenho definitivo.
– Mudou completamente a concepção da ERS-118. Hoje não é mais uma elevada: é um complexo viário, o maior do Rio Grande do Sul – resumiu Costella, lembrando que a idéia do governador fazer a obra nasceu ainda em 2020, quando ele e Leite sobrevoaram a rodovia recém-duplicada e identificaram filas que “não faziam mais sentido”.
Depois, em 2021, na inauguração do Magazine Luiza em Gravataí, Leite recebeu um apelo de Zaffa. No dia seguinte encomendou o projeto.
A iluminação, outro ponto destacado, reforça a ideia de segurança: “à noite, vira dia”, disse o secretário.

A obra que não nasceu fácil
Se hoje a inauguração parece natural, os discursos trataram de lembrar que chegar até aqui não foi trivial.
Leite foi didático ao relembrar o contexto de 2019: salários atrasados, dívidas com hospitais, fornecedores sem receber e um Estado sem capacidade de executar grandes obras. O caminho, disse, passou por reformas duras — previdenciária, administrativa, privatizações — aprovadas em meio a protestos, mas com diálogo institucional.
– A gente briga com os problemas, não com as pessoas. E esta obra aqui é um grande “sim”, após necessários “não” – afirmou o governador.
Costella reforçou a mesma ideia com uma frase que virou mantra da gestão: “obra que começa é obra que termina”.
Ranolfo, que assinou a ordem de início em junho de 2022, brincou: “entregar obra é fácil; difícil é começar”.
Gravataí como porta de entrada do Rio Grande
Nos discursos, Zaffa foi quem deu a dimensão geográfica e econômica da entrega.
– Vacaria já foi a porteira do Rio Grande. Hoje, depois da BR-101 e da BR-290, a entrada do Estado é aqui – disse, lembrando que o entroncamento atende diretamente mais de um milhão de habitantes da Região Metropolitana, o Distrito Industrial e os principais corredores logísticos do Sul.
O prefeito conectou a obra ao novo perfil econômico da cidade: Gravataí como polo logístico do e-commerce, com centenas de milhares de metros quadrados de galpões prontos, em obras ou em licenciamento.
– Onde é o centro de distribuição do Rio Grande do Sul neste Natal? Em Gravataí – cravou.
Para ele, a duplicação da ERS-118 e agora o complexo viário são peças centrais dessa transformação.


O DNA da parceria — e o “banco dos covardes”
Coube ao deputado Dimas Costa fazer a leitura política mais explícita.
– Essa obra tem o DNA do Zaffa. E é fruto da forma como ele constrói relações, colocando Gravataí acima de ideologias ou disputas pessoais — disse.
Dimas agradeceu Costella pelo acompanhamento quase diário da obra e classificou Eduardo Leite como “disparado, o governador que mais investiu em Gravataí”, lembrando não apenas o complexo viário, mas o Tudo Fácil, a trincheira da ERS-118 com a Avenida Brasil e os R$ 12 milhões já anunciados para a duplicação do trecho urbano da ERS-020.
– Quando todo mundo trabalha junto e constrói pontes, o resultado é esse – resumiu.
Leite devolveu o elogio, chamando Dimas de parceiro que “não apenas cobra, mas ajuda a construir”, e apontou o alinhamento institucional como chave para destravar obras que ficaram décadas no papel.
Os dois, em seus discursos, instigaram críticos.
– Há os que só aparecem nas horas boas – disse Leite.
– Estamos com o senhor na hora boa e ruim, governador. Não nos sentamos no banco dos covardes – disse Dimas, ironizando que via ali, “batendo selfie na obra”, críticos ao governador.
Estava, no palanque, também uma parceria eleitoral para 2026: Dimas — o ‘embaixador do governador em Gravataí’, repetidas vezes abraçado e citado no discurso —, que é o candidato a deputado estadual de Zaffa; Costella, que tem parceria com Zaffa e Dimas para deputado federal; e Leite, o líder de todos: seja candidato ao Senado ou à presidência da República.
Ali, no complexo viário, restava o ‘complexo político’ daquilo que chamo ideologicamente ‘extremo centrismo’.
Homenagem que conecta passado e futuro
O batismo do complexo como Joseph Elbling deu à obra uma camada simbólica adicional. Fundador da Digicon e da Perto, o empresário canadense naturalizado brasileiro ajudou a transformar Gravataí em referência nacional em tecnologia e inovação.
– Não é só uma placa. É memória, legado e identidade econômica – comentou Zaffa, que à pedido da família sugeriu a Dimas apresentar o projeto de batismo na Assembleia Legislativa, lembrando que empresas criadas por Elbling hoje operam em diversos países.
O amigo
A inauguração não encerra o ciclo. Nos discursos, Leite e Costella confirmaram que a trincheira da ERS-118 com a Avenida Brasil, a menos de um quilômetro do complexo, é a próxima grande entrega, além do avanço na ERS-020.
A mensagem final do governador foi clara: a política que entrega obra gera confiança — no Estado, no município e na capacidade de execução do poder público.
– Foi muito tempo em que o Rio Grande não conseguia fazer grandes obras. Isso deixa marcas. Entregar este complexo é ajudar o povo a retomar a confiança – concluiu o governador.
Ao fim, em Gravataí, o trânsito flui melhor. E a leitura política também: a parceria com Eduardo Leite não ficou no discurso — virou infraestrutura. Com selfie de quem o defende, e até de quem o vaia.
A ‘ideologia dos números’, goste-se ou não do governador, mostra que, como disse Dimas, Leite é amigo de Gravataí.
Assista ao vídeo da inauguração, produzido por Guilherme Klamt para SEGUINTE TV






