Estavam em Cachoeirinha e Gravataí parte dos “laranjas” em um esquema bilionário de envio de cocaína do Brasil para a Europa, derrubado nesta quinta-feira (29) na Operação Planum, da Polícia Federal. Sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos entre os dois municípios, na ação que cumpriu 40 mandados em outros sete municípios gaúchos, no Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Goiás. Três pessoas foram presas em Cachoeirinha e uma em Gravataí.
Conforme a investigação, em três anos, os traficantes movimentaram R$ 1,4 bilhão a partir de doleiros em São Paulo. Ao todo, 21 pessoas foram presas na ação, além do sequestro e bloqueio de imóveis, fazendas, aeronaves, embarcações, veículos e contas bancárias. Em um valor estimado em R$ 25 milhões.
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A operação fechou um cerco iniciado em 2016, quando 811kg de cocaína foram flagrados camuflados dentro de uma carga de bloco de granito no porto de Itajaí. Durante a Operação Oceano Branco, desencadeada ano passado, a PF havia indicado que a técnica de “rechear” os blocos com a droga havia sido ensinada por um mexicano a traficantes gaúchos, sobretudo na região do litoral norte, entre Tramandaí e Imbé. E aí entrava a região metropolitana nesta história. Conforme a PF, galpões eram alugados por aqui como forma de fachada para empresas “laranjas” de exportação e granito. Já no ano passado, policiais haviam apreendido em Gravataí documentações que indicavam a formação dessas empresas, a partir de um galpão alugado em Glorinha.

: Avião apreendido no Mato Grosso do Sul era usado para o transporte da cocaína | DIVULGAÇÃO
O elo com a Bolívia
Depois de camuflada, a droga era transportada até os portos catarinenses e exportada, entre a carga legal de granito, para a Europa.
Na Operação Planum uniu outra investigação ao esquema. Os policiais apuravam o envio de cocaína da Bolívia para o Brasil com o uso de aviões pequenos. Os destinos eram fazendas no interior do Rio Grande do Sul, para onde aquelas ações descobertas no litoral e região metropolitana expandiram.
Os aviões partiam de Mato Grosso do Sul para a Bolívia, onde eram carregados, em média, com 500kg da droga. A quadrilha comprava fazendas onde os aviões pousavam para a entrega da cocaína e início do processo de camuflagem para o tráfico internacional. Em junho deste ano, a PF apreendeu 448kg de coca em um bloco de concreto carregado por um caminhão em Unistalda, na região central do Estado. Conforme a investigação, havia uma fazenda do bando, que foi alvo da operação desta quinta, em Capão do Cipó. Ao todo, a polícia já comprovou o envio de pelo menos 2,2 toneladas da droga para portos europeus por este método.
Esquema bilionário
O caminho do dinheiro começou a ficar mais claro para os investigadores com a prisão de um traficante internacional, pela Polícia Civil, em agosto do ano passado, em Tramandaí. Na ocasião, ele tentou subornar os agentes oferecendo R$ 1 milhão. No carro que ele dirigia, os policiais apreenderam R$ 83 mil em dinheiro.

: Carga superior a 400kg de cocaína foi apreendida em Unistalda, na região central | DIVULGAÇÃO
Seco era um dos investigados na Operação Planum e a casa mantida por ele em Tramandaí foi alvo de buscas nesta quinta. Conforme os investigadores, ele tinha papel fundamental no fluxo do dinheiro da quadrilha. Foram rastreadas 90 empresas de fachada e 70 pessoas empregadas como “laranjas” do grupo para a operacionalização da lavagem do dinheiro e operações em câmbios ilegais a partir de doleiros paulistas. O pagamento pelas cargas de cocaína era feito em solo europeu e trazido de maneira ilegal para o Brasil. Um negócio de R$ 1,4 bilhão em três anos.
Os crimes investigados na Operação Planum são organização criminosa, tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico de drogas, operação de instituição financeira sem a devida autorização, operação de câmbio não autorizada e lavagem de dinheiro.
O ESQUEMA
: Droga era trazida da Bolívia para o Rio Grande do Sul em aeronaves
: Aviões descarregavam a cocaína em fazendas da região central do Estado
: Na região metropolitana e no litoral norte, a droga era camuflada em blocos de granito e concreto para ser transportada, principalmente, até a região portuária de Itajai, de onde tinha destino à Europa
: Em Gravataí e Cachoeirinha, eram montadas empresas de fachada para aluguel de galpões, onde a droga permanecia estocada até o envio. Sob o nome dessas empresas, aconteciam as exportações e as transações cambiais ilegais






