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Gravataí era entreposto de cartel da maconha

Comando do cartel construía uma pousada de luxo no litoral catarinense | DIVULGAÇÃO

Gravataí e Cachoeirinha tinham papel estratégico para um cartel da maconha, liderado a partir de Garopaba, no litoral de Santa Catarina, revelado na manhã desta quinta em uma operação conjunta entre as polícias civis gaúcha e catarinense. Na ação, 23 pessoas foram presas, entre elas, um homem e uma mulher na região. De acordo com o delegado Mario Souza, diretor de investigações do Denarc, que não revela as identidades dos investigados, estes alvos tinham papel operacional no grupo.

— Os envolvidos, de um modo geral, são pessoas com um poder aquisitivo importante, e que agiam como negociantes. Na região metropolitana de Porto Alegre, em especial entre Gravataí, Cachoeirinha, São Leopoldo e Canoas, atuavam para acertar pagamentos por caminhões e depósitos para manter as cargas de drogas guardadas enquanto eram negociadas com todas as facções, sem distinção. Estes locais eram uma espécie de entreposto na rota do tráfico deste grupo — aponta o delegado.

 

: Ações na região metropolitana tinham como alvos os responsáveis pela lógistica do cartel | DIVULGAÇÃO

 

O homem, capturado em Gravataí, tinha prisão preventiva após dez meses de investigação. Já a mulher, pega em Cachoeirinha, acabou autuada em flagrante com notas fiscais falsas — provavelmente usadas para mascarar o produto enviado pelo cartel — e uma quantidade de lança-perfume.

 

Maconha no depósito

 

Entre os casos ainda sob apuração do Denarc, está a apreensão da 2ª DP de Gravataí que, em agosto deste ano, encontrou 720kg de maconha em um depósito no bairro Vila Rica, administrado, e mantido no pátio de casa, pelo vereador Mário Peres (PSDB). Ele afirma que o local estava alugado, mas o inquérito ainda não foi encerrado pela polícia.

— É cedo para mapearmos todos os possíveis carregamentos do grupo que era investigado desde o começo do ano. O caso de Gravataí está, sim, entre os que estamos considerando possíveis encomendas ao grupo investigado nesta ação. O que sabemos concretamente é que, atualmente, o Playboy, líder do Cartel de Garopaba, era o principal fornecedor de maconha da Região Metropolitana de Porto Alegre. Chamamos de cartel, porque ele e um traficante catarinense estão um degrau acima das facções. Eles são distribuidores e estavam investindo na produção da droga para baratear custos e garantir ainda mais lucros — explica Mario Souza.

 

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A investigação que resultou na Operação All In (expressão usada no poker para a cartada final), nesta quinta, começou com uma apreensão de duas toneladas de maconha pela polícia catarinense, em Garopaba. Paralelamente, o Denarc gaúcho investigava o Playboy, que já havia sido alvo de uma ação no ano passado.

— Estávamos em busca do paradeiro dele, porque sabíamos, por outras investigações, que ele continuava envolvido na remessa de drogas, mas imaginávamos que estivesse até mesmo no Rio de Janeiro — conta o diretor do Denarc.

Os investigadores acabaram chegando às relações entre o gaúcho e um traficante catarinense. Mais do que isso, mergulharam em uma rede bem sofisticada para driblar as ações policiais mais tradicionais contra o tráfico. Os dois líderes estavam baseados no litoral de Santa Catarina, longe das rotas tradicionais. Era para este destino que os principais carregamentos eram enviados e a droga era enterrada em regiões de morros próximas. Dali, eram negociadas remessas para todo o sul do Brasil e, provavelmente, também para Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Playboy virou fornecedor

 

E foi além. Depois de estabelecerem boas relações com fornecedores na região de fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, eles inovaram. Passaram a comprar lavouras de maconha e folhas de coca. Então, o processamento da droga também ficou sob controle do Cartel de Garopaba.

Conforme a estimativa da polícia, essa jogada fez com que o quilo da droga barateasse quase dez vezes. Por consequência, multiplicaram os lucros na hora da venda. Somente nos últimos quatro meses, estima a polícia, eles negociaram R$ 2 milhões em drogas.

Na mesma rota, apontou a polícia, os criminosos transportavam armas e dinheiro. Foram apreendidos quatro carros de luxo, um fuzil 7.62 e pistolas .40.

 

No rastro do dinheiro

 

E se Gravataí é vista como um alvo no setor operacional do cartel, no litoral catarinense está o “escritório”. É a partir de lá que agora a polícia passará à outra etapa da investigação: rastrear o patrimônio dos traficantes.

Eles construíram uma luxuosa pousada naquela região, que agora será investigada. Há ainda imóveis em outros lugares.

— Nesta próxima etapa da apuração, vamos nos deter às movimentações financeiras, tanto dos líderes quanto das pessoas que os financiavam e recebiam para manter a logística do bando — explica o delegado.

No caso da maconha em Gravataí, de acordo com o delegado Rafael Sobreiro, da 2ª DP local, ainda não foi descoberta a origem e o destino da droga. A apuração também ainda não localizou o caminho do dinheiro envolvido em um carregamento daquele porte — o maior no ano em Gravataí.

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