A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Consensuale, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso especializado em extorsão sexual praticada por meio de aplicativos de mensagens. A ação foi conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) e teve como foco o cumprimento de ordens judiciais nas cidades de Porto Alegre e Canoas.
Ao todo, foram expedidos três mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão, todos deferidos pelo Poder Judiciário a partir de representação da autoridade policial. Durante o cumprimento das medidas, duas pessoas foram presas.
Os policiais apreenderam telefones celulares, dispositivos eletrônicos, mídias de armazenamento e outros materiais de interesse da investigação, que agora serão submetidos à perícia técnica especializada. O conteúdo analisado deve aprofundar a apuração sobre a extensão do esquema e a eventual existência de outras vítimas.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPRCC/DERCC), revelou um modus operandi organizado, baseado em chantagem, ameaça e manipulação psicológica.
Conforme apurado, o crime tinha início após um encontro presencial, ocasião em que eram obtidas imagens íntimas da vítima. Posteriormente, o material passava a ser utilizado como instrumento de coerção, com exigência de pagamento em dinheiro sob ameaça de divulgação dos conteúdos a familiares, ex-companheira e pessoas do convívio social.
Para intensificar a pressão, a investigação identificou que a mulher envolvida — que exercia a atividade de garota de programa — simulava também ser vítima de ameaças, afirmando estar sendo coagida. A estratégia buscava induzir a vítima a acreditar que o pagamento encerraria o problema para ambos.
Paralelamente, um homem realizava as cobranças diretas, utilizando perfis em aplicativos de mensagens e encaminhando vídeos e imagens íntimas para aumentar o constrangimento e acelerar o pagamento.
Rastro do dinheiro e atuação em grupo
O fluxo financeiro da extorsão também foi esclarecido pela investigação. Um terceiro investigado foi identificado como responsável por disponibilizar uma conta bancária para o recebimento dos valores, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro e fragmentar a responsabilidade entre os envolvidos.
No caso apurado, foi exigido o pagamento de R$ 7 mil da vítima. Até o momento, há uma vítima formalmente identificada, mas a Polícia Civil não descarta a existência de outros casos, o que dependerá da análise do material apreendido e da continuidade das diligências.
Quanto ao vínculo entre os investigados, o homem responsável pelas ameaças apresentava-se à vítima como marido da mulher, sendo que a convergência das condutas aponta para atuação conjunta e coordenada do grupo.
A extorsão teve início em dezembro de 2025, período em que as ameaças e exigências financeiras se intensificaram.
Orientação às vítimas
A Polícia Civil reforça que a rápida comunicação do crime é essencial para a preservação de provas e para a interrupção imediata das ameaças.
Em casos de extorsão ou crimes praticados no ambiente digital, a orientação é que a vítima não realize pagamentos, preserve mensagens, imagens e registros e procure imediatamente uma Delegacia de Polícia ou uma DPPA para o registro da ocorrência.
O sigilo da vítima é garantido por lei.






