entrevista

Moderado é candidato a prefeito do bolsonarismo em Cachoeirinha

Delegado João Paulo com presidente e vice do PSL de Cachoeirinha, Neri Crispim e Rosemary de Paula

Enquanto Jair Bolsonaro discursava ferozmente na ONU, na Cachoeirinha onde o ‘mito’ fez sete a cada dez votos na eleição presidencial de 2018, longe dos estereótipos da extrema direita o delegado aposentado e ex-chefe da Polícia Civil gaúcha João Paulo Martins, 62 anos, assinava ficha no PSL para ser candidato a prefeito em 2020.

O Seguinte: foi ouvi-lo.

Siga trechos.

 

Seguinte: Na entrevista Bolsonarismo está vivo, diz presidente do PSL; Prefeitura de Cachoeirinha é prioridade, Neri Crispim defendeu um partido sem políticos tradicionais da cidade. És o outsider da eleição?

João Paulo – Sempre me dediquei ao serviço público e não via na política uma saída. Aposentado, senti o dever de cidadão de ajudar com minha experiência. A aproximação com o PSL se deu pelo partido não representar a política tradicional. Se fosse para não mudar nada, melhor deixar os políticos profissionais fazendo o que fazem. Ganhamos uma luz de esperança. Espero que o Brasil acorde.

 

Seguinte: Isso não pode atrapalhar na formação de alianças para ganhar a eleição e, em caso vitória, para governar. Bolsonaro já cedeu, e muito, no Congresso.

João Paulo – Percebo que a opção das pessoas é por ações diferentes da política tradicional. Isso está chegando à política. O eleitor quer uma nova maneira de fazer política.

 

Seguinte: A ‘nova política’ não é uma fake news? Na hora de governar não é necessário apoio dos políticos e negociação de cargos, o velho fisiologismo?

João Paulo – Sempre há a pressão do fisiologismo, mas buscaremos manter a coerência. Quem governa precisa construir maioria, ou fica difícil. Mas não a qualquer custo. Apoios são bem-vindos, desde que não comprometam a proposta. Ou cairemos na vala comum.

 

Seguinte: Alguns bolsonaristas e lulistas experimentam um comportamento de seita. Onde te colocas na ‘teoria da ferradura’?

João Paulo – Nunca fui apegado a seita nenhuma. Sou resistente a essa idéia. Radicalismo de um lado produz resposta de outro. Sou a favor de trabalhar a soma de esforços. Não serei eu a levar nada aos extremos. Tenho uma visão moderada, ponderada. Considero-me alguém que transita em diferentes ambientes. Tenho amizades inclusive em partidos de esquerda. Nunca tive postura radical, e minha carreira comprova isso. Sempre procuro buscar o consenso, sem fugir de uma linha de trabalho definida.

 

Seguinte: Acreditas que o debate da próxima eleição se dará sobre problemas e soluções para Cachoeirinha, ou a pauta ideológica, de costumes, identitária, terá tanto espaço como teve na eleição nacional, onde pesquisas mostram que superou o debate sobre economia, por exemplo?

João Paulo – Será um misto das duas coisas. Eu gostaria muito de focar apenas em projetos para a cidade, mas acredito que as questões ideológicas e os problemas nacionais virão à tona. Mas, insisto, prefiro focar apenas em Cachoeirinha, em solução para nosso município.

 

Seguinte: Na pauta ideológica, de costumes, identitária, como te identifica: um conservador?

João Paulo – Mantive-me sempre fora dessa polêmica. Tenho profundo respeito com as diferentes correntes de pensamento, ideológicos, de gênero. Nunca discriminei ninguém por nenhum posicionamento. É só perguntar a meus colegas de Polícia Civil desde 1977 como sempre trabalhei em harmonia.

 

Seguinte: Como avalias o governo Miki Breier (PSB)?

João Paulo – Ao nos colocarmos como alternativa para a eleição, já estamos demonstrando uma posição crítica. Nada contra a pessoa do prefeito, que certamente busca fazer o melhor pela cidade. Mas nos motiva buscar um desenvolvimento mais acelerado para Cachoeirinha, que ainda marca passo em muitas coisas. Logo nosso projeto será do conhecimento de todos.

 

Seguinte: Então o PSL é e será oposição até a eleição, ou não se descarta uma aproximação com o governo?

João Paulo – Na política não é possível botar uma pedra em cima do que for. Mas há muitas coisas incompatíveis. Não se cogita. Estou recém chegando ao PSL, mas penso que o partido do prefeito completará 20 anos na Prefeitura e, mesmo que nossa proposta não seja a vencedora, será salutar uma alternância de poder.

 

Seguinte: É um profissional com extenso currículo na área, então não poderia deixar de questioná-lo sobre um dos debates nacionais mais controversos do momento: a política de segurança pública do governador Witzel no Rio de Janeiro é um exemplo positivo?

João Paulo – Às vezes fico imaginando o que faria se estivesse no Rio. Acho que é sempre bom fazer esse exercício. Confesso que não tenho a resposta. Governos anteriores já tentaram alternativas como as UPPs, que tiveram um bom resultado no início, mas ao fim não deram certo. Considero que política do governador adentra para um meio perigoso. Ele tem uma visão de magistrado, uma visão jurídica aprofundada, mas as palavras que coloca podem não ser bem interpretadas por quem está lá na ponta. A coisa mais difícil que existe é ser policial nas ruas do Rio.

 

Seguinte:  Só neste ano, 19 crianças atingidas por balas perdidas e 45 policiais mortos…

João Paulo – Exato, fora o número elevado de suicídios de policiais. Acredito que ele queira dar energia aos profissionais, mas o policial está estressado e enfrenta um ambiente ainda mais hostil com essa política de segurança. Mas, confesso, não me candidataria ao lugar dele porque não tenho soluções.

 

QUEM É JOÃO PAULO

João Paulo Martins tem 62 anos e é delegado aposentado da Polícia Civil. Natural de Taquara, mora em Cachoeirinha desde 1993, quando assumiu delegacia no município, após ingressar na PC como escrivão, em 77, e, a partir de 85, como delegado, comandar outras delegacias do interior do estado.

Já foi delegado regional, diretor geral e diretor de ensino da Academia de Polícia Civil, dirigiu o Departamento da Criança e do Adolescente (Deca), em duas oportunidades o Departamento de Investigações Criminais (Deic), foi corregedor geral, vice-presidente do Conselho Superior de Polícia Civil, subchefe de Polícia e chefe de Polícia Civil entre 2009 e 2010.

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