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GRAVATAÍ, 01/12/2021

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    opinião

    Não tem Jesus para crise dos médicos em Gravataí; nem arminha

    por Rafael Martinelli | Publicada em 19/02/2020 às 15h42| Atualizada em 04/03/2020 às 23h16

    Como já tratei em Ministério da Saúde tira 39 médicos e recursos de Gravataí; ’arminha’ contra o SUS, não adianta fazer arminha: a crise dos médicos em Gravataí é um fato. Infelizmente, o chato aqui traz más notícias. Sem torcida ou secação, até porque seria coisa de sádico comemorar Joões, Marias, Cauãs e Enzos Gabriel sem atendimento.

    Escolha seus vilões, porque poucos escapam, direta ou indiretamente, da culpa de não ter, por exemplo, médico no posto São Marcos nesta quarta-feira.

    Pelo que apurei, no melhor dos mundos, Gravataí terá só mais cinco profissionais caso o Mais Médicos seja retomado pelo governo federal. As notícias sobre a recontratação sem o Revalida, o exame que testa médicos estrangeiros, se restringiria a ‘escravos’ refugiados, que ficaram no Brasil após Cuba chamar seus profissionais após a crise deflagrada com o Jair Bolsonaro antes mesmo de o presidente assumir.

    Tratei disso em uma série de artigos, que começou há 16 meses com o alerta: Saída de médicos cubanos é desastre para Gravataí.

    Lamentável é que Gravataí já registra cerca de 100 mil atendimentos a menos desde novembro de 2018, quando da ‘crise dos estecoscópios’ entre bolsonaristas e castristas.

    Estima-se que são cinco os cubanos que permaneceram na aldeia. Médicos queridíssimos em suas comunidades no tempo em que podiam exercer sua vocação. Hoje estão se virando como podem. Tem caixa de supermercado até. Se o Mais Médicos voltar, como informa o El País em Com dificuldade para atrair médicos, Governo Bolsonaro prepara a readmissão de cubanos, esse seria o reforço na rede de saúde de Gravataí.

    Mas a expectativa do governo Marco Alba não é nada boa. Primeiro, porque a ressurreição do programa não avançou além das notícias de jornal. Segundo, porque no Médicos Pelo Brasil, a invenção de Bolsonaro para substituir o Mais Médicos, Gravataí ficou de fora. Município de região metropolitana, zero médicos, na conta do presidente.

    O prefeito e o secretário da Saúde Jean Torman já fizeram inúmeros pedidos em Brasília para reverter os critérios. Outras prefeituras também. Mas, até o momento, apenas municípios de zonas rurais tem a bolsa de R$ 12 mil para contratar médicos.

    E nem estes municípios conseguem, porque poucos profissionais querem ir aos grotões onde os cubanos iam, por vocação, ou obrigação – isso não tenho informações suficientes para dar certeza ao leitor.

    Fato é que Gravataí perdeu 43 médicos, 23 deles cubanos, com o fim do Mais Médicos.

    A Prefeitura fez concursos e o resultado apresentei no artigo Gravataí chama médicos, mas 4 em cada 10 desistem; 177 foram embora em 3 anos.

    Também está suspensa a contratação de médicos em caráter emergencial após o Ministério Público do Trabalho proibir e evocar até Game of Thrones, série que o pessoal da periferia que ficou sem atendimento só conhece pela timeline do Facebook, não pelo HBO.

    Também já tratei desse xilique burrocrático em artigos como A real sobre a falta de médicos em Gravataí; em 15 dias, o caosCaos na saúde tem data: 1º de agosto; nas mãos da justiça,  Justiça e MP emitem nota sobre falta de médicos em GravataíCitando Game of Thrones, juíza contesta tese da Prefeitura sobre falta de médicos em Gravataí e Quatro problemas de Gravataí além das manchetes; o porquê e o como.

    Aos leitores que ‘querem uma cabeça’, diversas estão à disposição. É uma culpa socializada. Politicamente, vem desde os governos do PT em Gravataí que fizeram contratações emergenciais que o MP considerou exageradas e chega ao governo Marco Alba, cujo MDB apoiou Bolsonaro no segundo turno. Vereadores de todas as matizes, petralhas, bolsominions e isentões, estão no papel de reclamar, mas também tem na testa o xis da responsabilidade.

    E, por justiça, não esqueçamos de lembrar que os políticos são tão ‘vilões’ quanto aquelea que clicam no ‘confirma’ da urna.

    Mas tem outra análise, que precisa ser considerada:

    – Por que os médicos não querem trabalhar nas periferias de municípios, mesmo metropolitanos?

    Conclui assim o último artigo sobre o tema no Seguinte:.

     

    “(...)

    Ao fim, por enquanto resta torcer que Apolos, Esculápios, Hígias ou Panaceas achem bom para suas carreiras, famílias e bolsos trabalhar nas periferias de Gravataí com salários de até R$ 13 mil por 40h, ou Joões, Marias, Cauãs e Enzos Gabriel restarão sem atendimento, ligando para o teleagendamento e conseguindo a marcação de consulta apenas para uma, duas, ou três semanas depois.

    (...)”

     

    Encerro.

    A falta de médicos é uma realidade difícil de mudar. Lamento informar: o próximo governo – seja de qual lado (ou meio) for da ferradura ideológica, enfrentará as mesmas dificuldades.

    Ah, e com pelo menos 3 milhões de pessoas caindo no SUS, só em 2019, por não ter mais como pagar planos de saúde.

    Jesus não estará nas urnas em 2020.

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