notcia bem tratada
GRAVATAÍ, 22/06/2021

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Recomendamos

  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Nossos Clientes
  • Facebook

    crise do coronavírus

    Profissionais de saúde estão na linha de frente da guerra contra o novo coronavírus | Foto MARCELLO CASAL | Agência Brasil

    O medo não usa máscara no hospital de Gravataí

    por Rafael Martinelli | Publicada em 11/04/2020 às 16h06| Atualizada em 26/04/2020 às 18h21

    Em Nova Iorque, ou em Gravataí, profissionais de saúde experimentam dias de heroísmo, angustia e incerteza. Se, conforme a Science, uma das revistas acadêmicas mais prestigiadas do mundo, seis a cada 10 terráqueos podem contrair a COVID-19 ao fim da pandemia deste ano; médicos, enfermeiras e auxiliares estão no front da guerra, entre bombas virais em aerossóis ou no campo minado das superfícies. Muitos não se sentem protegidos entre os cerca de dois mil funcionários do hospital Dom João Becker/Santa Casa.

    – Há profissionais com uma máscara por turno de seis horas, quando o certo é troca de duas em duas horas – denuncia uma funcionária, sob a condição de anonimato.

    – Os profissionais estão mais em pânico por não ter proteção do que os pacientes ficariam ao ver todos usando máscaras – diz outro funcionário.

    Eles, que servem de porta voz principalmente para enfermeira(o)s e técnica(o)s em enfermagem, não estão na linha de frente dos atendimentos a casos suspeitos de contaminação pelo novo coronavírus, mas alertam para a circulação de profissionais, pacientes e acompanhantes por diferentes setores nos sete andares do HDJB.

    – Com exceção da porta de entrada da emergência e do isolamento para pacientes suspeitos, se você andar pelo hospital vai ver profissionais e pacientes do grupo de risco sem proteção circulando por alas de obstetrícia, cardiologia, neurologia, psiquiatria, hemodiálise, exames de imagem, bloco cirúrgico e UTI – exemplifica a profissional, também citando o fato de pacientes com suspeita, em fase de testagem, frequentarem os mesmos ambientes e em um isolamento próximo à lancheria do hospital.

    A insegurança aumenta pelo silencioso potencial de contaminação do vírus: 86% dos portadores não terão sintomas relevantes, mas serão responsáveis por 79% das transmissões; dos infectados, 15% poderão precisar de tratamento e 5% de internação em uma unidade de tratamento intensivo.

    A morte terça-feira da técnica em enfermagem Mara Rúbia Cáceres, de 44 anos, que trabalhava no Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e morava em Alvorada, elevou a tensão no hospital de Gravataí.

    – Ao comunicarem a estratégia de distribuição de EPIs alertaram que possivelmente muitos profissionais contrairiam o vírus, mas que não poderíamos ficar doentes juntos. Porém, o uso de EPIs é restrito – diz o funcionário.

    – É essa a carga psicológica que enfrentamos, por vocação. Há profissionais do grupo de risco, ou com pessoas vulneráveis na família. E a mulher em nossa sociedade ainda é sobrecarregada com as tarefas do lar, de cuidar dos pais – desabafa a funcionária.

    Para entendimento do drama da categoria recomendo a leitura das reportagens Quem defenderá as enfermeiras?, publicada pelo Outras Palavras, e Profissionais de saúde: “ou a gente se cuida, ou adoece”, publicada pela Agência Pública, que tratam sobre os medos, pressões e também a dupla jornada de profissionais da saúde, exaustivas nos hospitais e nas tarefas domésticas e familiares.

    São 2 milhões de profissionais de enfermagem distribuídos pelo país. No país, 84,7% dos auxiliares e técnicos de enfermagem são mulheres. Entre os profissionais com ensino superior, elas são 86,2%, segundo a pesquisa ‘Pesquisa Perfil da Enfermagem’ do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

    – O pior da pandemia ainda nem aconteceu em Gravataí e muitos profissionais já estão abalados – alerta a funcionária, que revela que, devido às poucas informações sobre estrutura e condições de trabalho, poucos funcionários se voluntariam a trabalhar no ‘hospital de campanha’, cujas obras começaram na terça, nos fundos do HDJB, e tem previsão de funcionamento em 20 dias.

    – Possivelmente será rodízio, o que colocará a todos na linha de frente – acrescenta o funcionário.

    O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) lançou a campanha ‘EPI Já’. Denúncias de falta de equipamentos adequados em hospitais e unidades de saúde podem ser feitos pelo 0800 512 569, que funciona 24 horas.

    Já o Sindicato dos Hospitais de Porto Alegre (Sindihospa) sustenta que “não há falta de equipamentos”, mas que “as instituições têm realizado um controle rigoroso e que a distribuição segue os protocolos da Anvisa”.

    Procurado pelo Seguinte: neste sábado, Marcelo Pasa, diretor médico do Hospital Dom João Becker/Santa Casa, rapidamente enviou esclarecimentos:

    – A carência de insumos para atendimento ao COVID-19 é uma realidade mundial conhecida por todos. O hospital Dom João Becker assim como todas as instituições mundo afora organiza a utilização dos recursos dentro das normas definidas pela OMS e pelo Ministério da Saúde no sentido de disponibilizar o material necessário no momento adequado.

    É o mesmo argumento do diretor-geral da Santa Casa, Julio Matos: a instituição segue as diretrizes oficiais e trabalhadores da linha de frente estão equipados com os recursos necessários. Para o estoque não zerar, mais 1 milhão de máscaras foram compradas.

    – Ocorre em todo o país uma falta de equipamentos porque o Ministério da Saúde está confiscando materiais, o que gera um desabastecimento em todo o sistema de saúde. Ao mesmo tempo, há uma insegurança muito grande e as pessoas pensam que estarão protegidas usando máscara. Mas máscara não significa prevenção, há protocolos que definem quais locais precisam usá-las – disse, em entrevista à GaúchaZH.

    O mesmo protocolo é seguido pela Prefeitura de Gravataí nos postos de saúde, UPA e 24H.

    – É compreensível o pavor neste momento, mas a distribuição de EPIs segue o manual da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Tanto na Prefeitura, quando o Becker, tem infectologistas e sanitaristas responsáveis pela correra distribuição – diz o secretário da Saúde, diferenciando a ‘máscara caseira’ do equipamento necessário para quem tem contato com pacientes suspeitos ou casos confirmados de infecção pela COVID-19.

    – Não há como vestir a todos como astronautas. Não há EPIs suficientes no mundo. A estratégia é o uso racional – lamenta Jean Torman.

    Ele exemplifica com profissionais que tem contato com infectados e, a cada quatro horas, ao saírem de alas de isolamento, precisam descartar o equipamento contaminado.

    – Cada troca é 100 reais. E não há estoque no mercado. Desde fevereiro trabalhamos com um horizonte de 15 dias – explica, relatando o esforço de enviar equipes da secretaria para outros estados para retirar EPIs assim que o dinheiro da Prefeitura entra na conta do fornecedor.

    – Pagamento só à vista. Uma máscara comum (brancas) que era contratada em janeiro por 8 centavos hoje custa 5,60. Uma máscara N95 (azuis, de maior proteção) subiu de R$ 5,90 para 35.

    O cálculo do governo Marco Alba é investir cerca de R$ 10 milhões em quatro meses apenas na compra de EPIs. A média de uso de equipamentos como máscaras, luvas, aventais, macacões, óculos e capacetes de proteção podem chegar a 40 mil por dia.

    Ao fim, não há vilões. Os profissionais de saúde estão compreensivelmente inseguros e os hospitais e governos também tem aceitáveis justificativas: não há verba e nem o mercado oferece EPIs em quantidade suficiente para todos.

    Resta aí mais uma lição para a população respeitar o isolamento social. Médicos, enfermeiras, auxiliares e serviços gerais de hospitais não têm essa dádiva. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde – OMS, o percentual de trabalhadores da saúde afetados pela Covid-19 varia entre 8% e 10%. Aplicando o percentual no 1,7 milhão de casos identificados neste sábado pela universidade americana Johns Hopkins, o contágio potencial chegaria a 170 mil. No Brasil, oito já morreram.

    São rostos próximos, que não precisam ser expostos. Dos 13 casos confirmados da COVID-19, dois são de uma mesma família. A mãe, profissional de saúde em Porto Alegre, transmitiu o vírus para a filha, com quem mora em Gravataí. Contraiu trabalhando, não participando de ‘carreata da morte’, comprando chocolate ou disputando o peixe com a multidão no Mercado Público.

     

    LEIA TAMBÉM

    Hoje chocolate, amanhã UTI; Parabéns, Gravataí, por não aderir ao ’liberou geral’ 

    Vítimas da COVID 19 devem ser cremadas em Gravataí; caixão fechado 

    O perfil dos infectados pela COVID 19 em Gravataí; de 11 para 330 casos?,

    Parem Gravataí que eu quero descer!; declaro-me Inimigo do Povo, amigo da vida

    EXCLUSIVO | Pesquisa mostra que Gravataí aprova o ’fecha tudo’ de Marco Alba

    Clique aqui para ler a cobertura do Seguinte: para a crise do coronavírus

    • negócios
      Com ’milhares de empregos’, Lojas Americanas projeta ampliação de centro de distribuição em Gravataí
      por Redação
    • emprego
      A GM de Gravataí está contratando; Saiba como se cadastrar
      por Redação
    • saúde
      Parceria Zaffa & Marco Alba confirma ampliação da UTI de Gravataí: Prefeitura banca metade do investimento no Becker; O acerto Santa Casa
      por Rafael Martinelli | Assessoria
    • operação proximidade
      Cachoeirinha: O que intriga no ’caso SKM’ que agora apreendeu dinheiro do prefeito e de empresários
      por Rafael Martinelli
    • pedagiaço
      A Gravataí que não engole pedágio: ’Depois de 14 anos pagando a duplicação ninguém merece’; O país do faturo
      por Rafael Martinelli
    • negócios
      Os milhões que Gravataí já perdeu com a GM parada; Aguente firme, Dominic!
      por Rafael Martinelli
    • política
      Ação judicial pede anulação da Reforma da Previdência de Gravataí
      por Rafael Martinelli
    • pedagiaço
      Gravataí dos 3 pedágios: Leite confirma cobrança na 118 e 020 em Gravataí; Não era ’fake news’
      por Rafael Martinelli
    • política
      Vereadores querem mexer com 276 mil cada por ano; Cachoeirinha e o pior do Brasil
      por Rafael Martinelli
    • coronavírus
      A ’despiora’ da COVID: platô é de 3 vidas perdidas por dia em Gravataí; São mortes com rosto, como os Denicol ou a profe Maura
      por Rafael Martinelli
    • ppp da corsan
      Falta de água e esgoto em Gravataí: Corsan anuncia meio bilhão e reservatório nas Moradas; Grito de Zaffa deu resultado
      por Rafael Martinelli | Assessoria
    • política
      O gravataiense que come a la minuta com Bolsonaro em Brasília
      por Rafael Martinelli
    SITE DE JORNALISMO E INFORMAÇÃO
    Gráfica e Editora Vale do Gravataí
    Av. Teotônio Vilela, 180 | Parque Florido
    Gravataí(RS) | Telefone: (51) 3042.3372

    [email protected]

    Roberto Gomes | DIRETOR | [email protected]
    Rafael Martinelli | EDITOR | [email protected]
    Cristiano Abreu | EDITOR | [email protected]
    Guilherme Klamt | EDITOR | [email protected]
    Rodrigo Becker | EDITOR | [email protected]
    Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
    As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
    Desenvolvido por i3Web. 2016 - Todos os direitos reservados.