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    crise do coronavírus

    Governador em reunião com os prefeitos nesta segunda | Foto FELIPE DALLA VALLE | Palácio Piratini

    Pilatos 2.1 : Responsabilidade é de Zaffa e Miki; Leite passou a prefeitos a bandeira da COVID

    por Rafael Martinelli | Publicada em 22/02/2021 às 21h11| Atualizada em 02/03/2021 às 13h50

    Apesar da ‘ideologia dos números’ fincar a bandeira preta na superlotação de leitos e UTIs, Gravataí e Cachoeirinha vão operar sob os protocolos da bandeira vermelha a partir da quarta-feira. As aulas presenciais, para famílias que quiserem enviar filhos à escola, estão permitidas sob a nova bandeira. Gravataí só retoma na próxima segunda. Cachoeirinha segue com aulas presenciais e remotas. A decisão foi tomada em reunião de prefeitos da região na noite desta segunda.

    Horas antes, em live 'Pilatos 2.1', Eduardo Leite repassou a responsabilidade sobre a COVID-19 para Luiz Zaffalon, Miki Breier e outros prefeitos ao permitir a cogestão que, em resumo é, mesmo com indicadores da bandeira preta, permitir que por decreto se aplique regras da bandeira vermelha, classificação em que estão 11 regiões no Rio Grande do Sul, incluindo a 10, dos nossos municípios.

    Em sua fala, o governador insinuou ser contra a cogestão. A RBS assim noticiou. Ao liberar, apelou para prefeitos exercerem a fiscalização do cumprimento dos protocolos sanitários e colocou a Brigada Militar e a Polícia Civil à disposição para ajudar as guardas e fiscais municipais.

    Com a COVID-19 no pior momento – como antecipei ainda na quinta-feira pré-bandeira preta em Contágio e mortes explodem em Gravataí; E o ’Carnaval da COVID’ (e leitores pediram até minha prisão acreditando ser fake news) – o governador, apesar da flexibilização nas regras para atividades não essenciais, antecipou em duas horas o ‘toque de recolher’: agora tudo fecha entre às 20h e às 5h.

    CLIQUE AQUI para saber quais eram as regras da bandeira vermelha conforme o último decreto do Distanciamento Controlado do RS. Nesta terça, as prefeituras publicarão suas adaptações.

    – Conseguimos não fechar as cidades. Pessoas dependem de suas atividades para o pão de cada dia. Mas é fundamental a participação e fiscalização de todos – apelou o prefeito Luiz Zaffalon em live.

    – Temos a compreensão de que o comércio e serviços estão seguindo os protocolos sanitários – disse o prefeito Miki Breier.

    A narrativa construída a partir da live do governador e da reunião dos prefeitos parece apostar que o vilão da pandemia não é o comércio aberto e seguindo os protocolos sanitários, e sim as festas clandestinas e aglomerações, sobre as quais a fiscalização será rígida e recebe denúncias pelo 153 e 190.

    Fato é que o comitê científico do comitê de crise do RS e as direções de hospitais públicos e privados defendiam não manter a cogestão e cumprir ao menos nesta semana as regras mais restritivas de bandeira preta.

    A região tem 9 a cada 10 leitos ocupados. O Estado, que tem 10 milhões de habitantes, tinha na tarde desta segunda apenas 300 leitos disponíveis. Para se entender a velocidade do contágio, eram 600 há uma semana.

    – O vírus está mais agressivo e atingindo pessoas mais jovens. É a onda mais preocupante por sua velocidade na propagação do contágio. A possibilidade da falta de atendimento é real – disse o governador, parecendo buscar um habeas corpus preventivo, e colocar os prefeitos no paredão, caso faltem leitos, ou até oxigênio em hospitais gaúchos em cogestão.

    – O crescimento no contágio é assustador. Ainda não tínhamos vivido período assim – acrescentou a secretária da Saúde Arita Bergmann, na live.

    – É o pior momento – confirmou Régis Fonseca, secretário da Saúde de Gravataí.

    O mesmo observa o Juliano Paz, secretário da Saúde de Cachoeirinha, que tem um recorde de atendimento no Hospital de Campanha.

    Ninguém nega que os indicadores são de bandeira preta. A decisão do governador foi política. Errei em Por que Gravataí não deve conseguir rebaixar bandeira de preta para vermelha; Aulas suspensas e ’toque de recolher’ valendo. Leite cedeu aos prefeitos justamente preocupados com o contágio econômico e, além da quebradeira, com a fome em seus municípios, já que o auxílio emergencial, pago quando tudo foi aberto, não existe mais quando é necessário lockdown.

    Para a roseada nas bandeiras o governador combinou com os prefeitos de na quinta-feira ouvir relatos sobre planos de fiscalização do cumprimento das regras sanitárias, além de avaliar o ‘Efeito Carnaval’ na ocupação de leitos – e caso necessário apelar para o lockdown.

    Ao fim, é compreensível a preocupação com a economia por parte dos prefeitos, que testemunham a queda da receita visualmente, ao observar, por exemplo, grades fechadas, placas de aluga-se e o banco de alimentos vazio de cestas básicas, além de ouvir as queixas das pessoas na fila do supermercado. Difícil é acreditar que sem um lockdown a circulação de pessoas – e do vírus – vai diminuir. Com o ‘Efeito Carnaval’ a tendência é piorar. Com professores e alunos nas escolas, e um público alvo de mais de 100 mil pessoas incluindo as famílias, ainda mais.

    A crise já está muito além da política.

    A guerrilha pode ser para não faltar o ar.

     

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