3º NEURÔNIO

O 8 de Janeiro e as pessoas mais feias do mundo

“É o macabro jardim de infância da extrema direita contemporânea”. Compartilhamos o artigo da escritora, roteirista e jornalista, ganhadora do Prêmio Jabuti, Eliana Alves Cruz, publicado pelo ICL Notícias


Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026. Há exatos três anos, o Planalto Central era invadido por uma turba enfurecida e ao mesmo tempo festiva. Mulheres e homens adultos de todas as idades, como crianças sem limites e achando-se heróis da pátria, faziam sim história, porém como o lado patético, bizarro e criminoso ao demonstrarem um prazer quase que sexual em depredar prédios públicos, emporcalhar gabinetes e destruir patrimônio histórico.

Feito uma turma de pré-adolescentes saída de algum filme de terror, os “patriotas” acharam-se livres para pôr em prática uma tomada de poder como se estivessem em um vídeo game e, mais que isso, tinham certeza da imunidade e da impunidade. Quando viram que deram com os burros n’água, tentaram atribuir o ocorrido a “infiltrados”. Não colou e brincar de dar golpe saiu caríssimo para os próprios, mas principalmente para o país.

Trinta e seis meses depois, os mesmos que acharam que estava tudo bem atentar contra a democracia, ainda pensam da mesma maneira e no percurso trataram de festejar a eleição de Donald Trump, estender e celebrar a bandeira estadunidense em solo brasileiro, comemorar a taxação do país, parar a nação por meses trancando pautas urgentes e mobilizando toda a mídia para debater e enfiar goela abaixo anistia, redução de pena, benesses, alívios, proteções … ufa!

Trabalhosa, custosa, cruel e mortal. Essa é a definição de uma vertente  política que paralisa uma nação para fazer valer os próprios delírios, caprichos, interesses e desejos de dominação.

Por último, é um tal de vibrar com a invasão da Venezuela, como se o capitalista que se fez presidente nos EUA estivesse muito preocupado com ditadura. Como se não fosse aliado de grandes ditadores e tivesse vocalizado com o mesmo tom de voz debochado e enfadonho de sempre, que entrou porque está disposto a pegar na mão grande as riquezas do país vizinho.

A alegria da extrema direita brasileira em cima da queda de Nicolás Maduro, toda calcada na esperança de que talvez o presidente brasileiro — que eles chamam de ditador — tivesse o mesmo fim, faz questão de fechar os olhos para o fato de que o presidente mimado, que brinca de dono do mundo, também aqui estaria pouco se lixando para o povo. Principalmente para eles, os políticos capachos de gringo. Estes seriam os primeiros descartados numa possível nova ordem, como foi Marina Corina Machado, a opositora de Maduro e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz que acha lindo soluções por vias bélicas.

Todo este extenso, dispendioso e mortal processo por que temos — os americanos de norte a sul —, suportado nos últimos anos é fruto da mesma massa ressentida e desejosa de manutenção de privilégios, volta ao século 20 em certos aspectos e em outros ao 19 e 18.

Os manifestantes venezuelanos marchando contra tudo isso no último dia 6, em Nova Iorque, receberam do idoso branco pintado de laranja, cabelo cor de rosa e que se acha muito lindo, a alcunha de “pessoas mais feias do mundo”. Para ele, a Venezuela, o Brasil, a Colômbia, etc… são um aglomerado de gente feia sentada em cima de riquezas essenciais para o poder dos “bonitos”.

O atual presidente dos Estados Unidos é o representante máximo de uma extrema direita que se apresenta como um jardim de infância de gente minúscula, mesquinha, cruel e profundamente interesseira, mas, seja você um patriota do 8 de janeiro ou um opositor ferrenho a tudo isso, por aqui todos e todas são “uma bagunça” para Donald Trump.

Para ele, todos e todas somos “as pessoas mais feias do mundo”.

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nossa News

Publicidade