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OPINIÃO | Como entendi nota do presidente do Sindilojas sobre eleições

José Rosa é presidente do Sindilojas e vice-presidente da Fecomércio

Depois da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria divulgar nota pública sobre a eleição, agora é José Rosa, presidente do Sindilojas e um dos vices da Fecomércio, que assina anúncio de meia página no jornal Correio de Gravataí desta quinta-feira.

Como fiz na manifestação da mantenedora do Dom Feliciano, reproduzo, comentando, a íntegra da nota da entidade empresarial.

 

“(…)

Vivemos uma democracia de direito. No entanto, isso não nos dá o direito de culpar o governo pelos constantes problemas da sociedade. Acredito que a solução não está no governo. Não está em quem está governando. Na minha opinião, está nas pessoas. Nós somos reflexo da atual situação.

(…)”

 

Concordo, em parte. O jornalista que aponta o dedo contra a corrupção não pode vender matérias. O juiz não pode julgar fora das provas. O empresário não pode sonegar, e por aí vai. Não pode valer aquela máxima do Barão de Itararé: “negociata é todo bom negócio do qual não participo”. Então o exemplo e a responsabilidade moral de cada um influencia – e muito – numa sociedade.

Mas a solução não está exclusivamente nas pessoas. A igualdade de oportunidades não é uma realidade no Brasil. Para os mais pobres, é preciso governo. Não apenas para atender minimamente os miseráveis, mas para facilitar acesso a educação e saúde aos que não podem pagar por isso.

Reclamar, pelo menos por enquanto, todos podem. É a delícia da democracia. E o próprio José Rosa o fará, mais adiante.

 

“(…)

Por um lado, o capitalismo que prevalece a liberdade de iniciativa. Por outro, o socialismo que prevalece a soberania do político que busca interferir nos aspectos econômico e político. A soberania do consumidor no mercado e a soberania no eleitor na política.

Se comparando o socialismo e o capitalismo, não tenho dúvidas de estar do lado do consumidor e do eleitor. Nos debatemos com questões distorcidas e distantes da ética e da transparência. O governo se volta para resolver o meu, o seu, os nossos problemas. Não é bem assim.

(…)”.

 

Como sociólogo, cientista político ou historiador, José Rosa se mostra um grande presidente do Sindilojas. O texto é confuso, mas parece claro que o empresário distingue dois projetos diferentes na eleição: “capitalismo” e “socialismo”. E, naturalmente, opta pelo “capitalismo”. Mas, vamos combinar: um, ou outro, são jaboticabas brasileiras.

Há capitalismo mais dependente do poder público do que o brasileiro?

E o socialismo? Está mais para o ‘socialismo utópico’ – que Karl Marx criticava, registre-se – que aposta na boa vontade da “burguesia” para ajudar a acabar com a desigualdade social.

Há exemplos caseiros. José Rosa experimenta aqui em Gravataí o segundo governo de um partido que não é socialista e já experimentou também governos de partidos de esquerda, que tiveram inclusive a participação de familiares seus.

Não há registros de distopias.

No Brasil não será diferente. Economicamente, nem Bolsonaro acena ao extremo destro de um livre e desregulamentado mercado, nem Haddad sinaliza para outro extremo canhoto, de um intervencionismo estatal desmedido.

 

“(…)

Na verdade, os políticos, com raras exceções, em seus discursos, ousam em dizer “eu vou gerar milhões de empregos”. Aí eu pergunto: que político gera milhões de empregos??? Quem gera emprego são os empresários, isto é, as empresas, nós empreendedores.

(…)”

 

Sim e não. Os empreendedores, do pequeno ao grande, são os principais geradores de vagas. Mas o pleno emprego da década anterior – independentemente disso ser bom, ou ruim – só foi atingido pelo volume de postos de trabalho abertos em empresas que tocavam obras públicas, pelas contratações feitas a partir do aumento no consumo impulsionado por desonerações fiscais patrocinadas pelo governo (muitas além da conta) e pelos reflexos dos históricos subsídios ao agronegócio.

 

“(…)

Há vários meses, fizemos uma grande Campanha “Meu Voto Importa, E o Seu?”. Temos compromisso de mudar esta realidade que, lamentavelmente, peca nas prioridades. A maioria dos políticos prioriza pela sua eleição, depois pela reeleição. Enfim, rumo ao segundo turno por um voto mais consciente.

(…)”

 

No encerramento, José Rosa pede consciência no voto, o que é um alerta sempre importante numa eleição parecida com uma guerra de torcidas, mas adere à moda nacional, ao fazer o que criticou no parágrafo de abertura. Ele culpa os políticos e quer mudar 'tudo que está aí'.

É da democracia.

O que permite ao José Rosa me corrigir e dizer que entendi tudo errado.

 

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