meio ambiente

OPINIÃO | Ibama protegeu quem queria abater os cervos

Possível cova foi flagrada por imagens aéreas entre agosto e setembro

Quando a fervura baixou em definitivo no polêmico abate dos cervos do Pampas Safari, Ibama e Secretaria Estadual do Meio Ambiente garantiram toda a instrumentação necessária para que os proprietários da área dessem um fim nos animais sob o selo da causa sanitária e de maneira indolor aos animais. Foram abatidos 300 em um frigorífico do interior. Mas, nesta sexta (28), o repórter Carlos Rollsing, da Zero Hora, revela mais um detalhe deste caso, que deixa a desconfiança sobre, afinal, em nome da proteção do que agiu o Ibama?

Segundo a reportagem, partiu do órgão federal a orientação — ufa, imagina se fosse uma ordem — para que os funcionários do Pampas tivessem seus celulares recolhidos pelos patrões no período de embarque dos 300 cervos para o abate, entre 30 de novembro e 12 de dezembro. Alguém na direção do Ibama apressou-se em dizer que não tem autoridade para isso “só orientaram” a direção do Pampas. A alegação é ainda mais contraditória. Queriam evitar a circulação de imagens que pudessem mobilizar organizações de proteção animal. Isso mesmo, o Ibama agiu para bloquear defensores de animais.

 

: No final de agosto, cervos foram vistos nas ruas da cidade. Ibama não apurou a origem

 

Não se viu o mesmo zelo do órgão quando provocado a explicar dois capítulos desta polêmica durante o ano. Primeiro, em agosto, quando um grupo de cervos, comprovadamente não nativos da região da bacia do Gravataí, apareceu na madrugada circulando pelas ruas de Gravataí. A Fundação Municipal do Meio Ambiente foi acionada, mas a superintendência regional do Ibama se apressou em afirmar que a jurisprudência, se acaso houvesse relação com o Pampas, seria federal. Parecia interesse em investigar, não era. A própria superintendente, à época, disse que o caso só seria apurado se provocado pela Justiça Federal. Pelo visto, não foi. E, em Gravataí, quatro meses depois de “brotarem” cervos nas ruas, ninguém sabe de onde saíram e para onde partiram.

 

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Naquela mesma semana, o Seguinte: teve acesso a imagens aéreas do Pampas Safari que mostravam, nos fundos da área, algo semelhante a uma grande cova. Moradores próximos, ao depararem com a foto, confirmaram que a movimentação por ali era bastante estranha nos dias anteriores — e o cheiro pouco agradável.

Vale lembrar que, em fevereiro, a pendenga judicial sobre o abate teve um golpe de misericórdia em favor dos proprietários. Foram autorizados a darem sequência ao processo de abate com a justificativa de um surto de tuberculose bovina no rebanho. Mas não era uma ordem irrestrita. Matar os animais na própria área, não podia. Tampouco transportá-los sem autorização da Sema e do Ibama. Mas, assim como os cervos fujões, o possível surgimento de uma cova não recebeu a mesma atenção dispensada aos celulares furtivos dos funcionários do Pampas.

Quando deu início à transição de governo, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, deixou claro que queria um Ibama com outra linha de atuação. Nas palavras dele, “iria acabar a fábrica de multas”. Na interpretação óbvia, o órgão ambiental passaria a ser um aliado de quem quer lucrar. Muitos órgãos federais já agem sob a cartilha do presidente que assume dia 1º de janeiro.

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