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OPINIÃO | Parabéns prefeito, pela coragem de receber venezuelanos

Miki e a primeira dama Vanessa no lançamento da 1ª Parada LGBTI de Cachoeirinha, com apresentação da drag queen Magnólia Sumer

Pelo menos os Breier não vão passar a vergonha de ver um de seus ilustres criticando a acolhida aos venezuelanos no Brasil. Honrando o passado do avô Avelino, que veio criança da Alemanha e criou nove filhos na roça de Rolante e depois atrás do balcão do Baratilho Rolantense, na Osvaldo Aranha com Clóvis Pestana, Miki Breier (PSB) abriu as fronteiras e 80 imigrantes que estão em Roraima serão recebidos em Cachoeirinha nas próximas duas semanas.

– Somos uma cidade formada por vários povos. Toda a riqueza de Cachoeirinha foi feita pela multiculturalidade – resume o prefeito da quarta cidade gaúcha a receber os refugiados.

Na semana passada, ele enviou ofício ao ministério do desenvolvimento social e depois, por telefone e mensagens de WhatsApp, negociou diretamente com o ministro Alberto Beltrame a migração dos venezuelanos para uma espécie de pousada, localizada ao lado da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, ao lado da ponte, onde ficaram alojados até pouco tempo operários da OAS, oriundos de outras cidades, que trabalharam na construção da Arena do Grêmio.

— Eu soube da intenção do prefeito Miki Breier em ajudar. Falei com ele e me confirmou a disposição de receber 80 refugiados na cidade. Estamos vendo alguns detalhes — informou o ministro, à GaúchaZH.

O perfil dos novos vizinhos ainda não é conhecido pelo prefeito, que recebeu o convite do também gaúcho Beltrame para visitar o verdadeiro campo de refugiados que se tornou Pacaraima, na fronteira entre os dois países.

– Apenas alertamos que, num primeiro momento, não há estrutura para receber crianças.

Os imigrantes, além do pagamento do alojamento, onde o proprietário já começou uma pequena reforma, receberão uma ajuda de custo de R$ 400 do governo federal e da ONU, pelo alto comissariado das nações unidas para os refugiados.

– Não há nenhum custo direto para a prefeitura – diz Miki, que para permitir que os venezuelanos se integrem à vida em Cachoeirinha articula com empresários, com o padre Eduardo Lazari, da Boa Viagem, e com a Pastoral do Migrante, da igreja católica, a realização de cursos de português e o encaminhamento para empregos na cidade e região, como acontece com haitianos há quase duas décadas.

Já foi confirmada a chegada de mais de 700 venezuelanos a municípios do Rio Grande do Sul. Em Esteio, também na região metropolitana, 125 pessoas já estão alojadas, e outras 96 devem ser encaminhadas nos próximos dias.

Ainda neste mês, outros 425 venezuelanos serão encaminhados para Canoas, e cerca de 50 irão para Chapada, no norte do estado.

Presidente da comissão dos – incompreendidos – direitos humanos da assembléia legislativa em seus mandatos como deputado estadual, Miki tem demonstrado coragem ao tratar de temas que inexplicavelmente são tabus. E dos quais os políticos fogem, apavorados com os teclados que fuzilam ódio no Grande Tribunal das Redes Sociais. Não se assusta com o período eleitoral e, além de acolher os venezuelanos, também apóia, inclusive com a ajuda da primeira-dama, Vanessa Morais, a realização em outubro da 1ª Parada LGBTI, a 'parada gay', de Cachoeirinha.

– Não faço nada diferente do que mostra minha história – resume o ex-seminarista.

– A visão cristã ensina que somos todos filhos do mesmo pai, da mesma família e da mesma aldeia. Quero viver numa cidade que não discrimine por limites geográficos ou orientação sexual. Acho que os governos precisam enfrentar esse tema – argumenta o prefeito, que já está sendo alvo dos intolerantes, desde que o Seguinte: revelou sua intenção de receber os refugiados.

– É uma tristeza ler alguns comentários. Mas não é coerente pregar a paz, a tolerância e o amor ao próximo apenas no discurso. Que façamos disso uma prática aqui nesse nosso cantinho do planeta.

Parabéns, Miki! Tenha Jesus existido, e sido um refugiado como escreveram os homens no Novo Testamento, possivelmente muitos o escorraçariam, ali em cima da ponte, a relho ou xingamentos protegidos pelas telas dos celulares, e infelizmente sob o silêncio de tantos outros Poncio Pilatos.

 

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