RAFAEL MARTINELLI

Prefeito Cristian deve explicações às vítimas da enchente em Cachoeirinha; Foi eleito por e para isso

Moradores promoveram apitaço na frente da Prefeitura, nesta sexta / Foto: Rodrigo Alves -O Repórter

O prefeito Cristian Wasem (MDB) deve explicações às vítimas das enchentes em Cachoeirinha. Não do jeito atabalhoado, que quase termina mal, como fez durante o apitaço organizado em frente à Prefeitura por moradores do Parque da Matriz, Jardim América, Eunice Velha e Jardim Atlântico.

A cobertura da manifestação desta sexta-feira, com fotos e vídeos, os jornalistas Roque Lopes e Rodrigo Alves, de O Repórter, publicaram em duas reportagens: Vítimas da enchente cansam das promessas de Cristian e farão apitaço e Prefeito e vítimas da enchente quase entram em confronto; há rumores de impeachment.

Além de cobrar o funcionamento pleno das casas de bombas, a comissão de moradores, que já acionou o Ministério Público, pede estudo técnico, projeto e obras que solucionem alagamentos provocados pelo transbordamento do Arroio Passinho e do Rio Gravataí. A cada chuva, enquanto a água sobe até as casas, o pânico toma conta dos bairros.

O prefeito já lançou edital para a revitalização do arroio com recuperação de muros de contenção e asfalto na Telmo Dornelles. A obra é estimada em R$ 2,7 milhões. O governo federal já enviou no ano passado R$ 2,3 milhões.

Há, ainda, indefinição sobre prazos para o prolongamento do dique de Cachoeirinha até Canoas. A obra, com recursos do PAC e execução pelo governo estadual é parte de um cinturão de diques previsto para toda Grande Porto Alegre, cujos estudos estão sendo refeitos com base na cota de inundação da enchente de maio de 2024.

Cristian também já recebeu moradores anteriormente, pessoalmente. O que também o fizeram secretários municipais. Mas a dificuldade em comunicar a realidade, não apenas fazer promessas infactíveis e instagramáveis, inevitavelmente culmina em eventos como o apitaço de ontem.

Para além de informar aos moradores que se organizaram, o prefeito precisa fazer uma explanação pública, para toda sociedade, dos planos antienchente. Dentro da institucionalidade, não em suas redes sociais pessoais – prática que já lhe traz dissabores: versa sobre a mistura do público com o privado na comunicação do governo uma das 8 denúncias apuradas por Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pode levar à sua cassação, inelegibilidade por 8 anos e à realização de uma nova eleição; leia mais em Juíza pede mais informações sobre depósito de R$ 2,7 milhões em cartão corporativo de servidora em ação que ameaça mandatos de prefeito e vice em Cachoeirinha.

Se Cachoeirinha só assiste aos governos estadual e federal planejarem o futuro do município, precisa dizer. Se o município resta no fim da fila, precisa explicar os porquês. Ou admitir que não sabe os motivos. O dique de Alvorada, parte dos R$ 2,9 bilhões destinados pelo PAC para a Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí, é hoje o projeto mais adiantado.

Um caminho pode ser uma audiência pública, o que a comissão de moradores vai sugerir à presidente da Câmara de Vereadores, Jussara Caçapava (Avante).

Não dá para esquecer de lembrar que a enchente foi o ‘Grande Eleitor’ de Cristian, como analisei após a eleição de 2024 em #DasUrnas | O 7 a 1 de Cristian: o ‘povo pelo povo’ escolheu seu ‘prefeito pelo povo’ em Cachoeirinha.

Reputo também errou Cristian ao descer do gabinete e, na frente da Prefeitura, circular entre os manifestantes para dizer que não os receberia naquele momento. Prudente seria receber alguma das lideranças, ou apenas respeitar o apitaço.

“Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo”, já ensinou o senador Pinheiro Machado, em 1915, ao instruir seu cocheiro sobre como conduzir a carruagem diante da multidão feroz que, enfurecida por ele ter imposto o nome de Hermes da Fonseca como Senador pelo Rio Grande do Sul, o esperava na porta do Palácio do Conde dos Arcos, antiga sede do Senado no RJ.

Vídeos do apitaço mostram o que identifico como um esbarrão entre o prefeito e um morador que empunhava um cartaz. Fato é que precisou Cristian ser escoltado por guardas municipais. Em site de Porto Alegre a imagem constrangedora já tem 150 mil visualizações.

Comunicadores amigos ou CCs, ou as duas coisas, publicarem que o prefeito foi agredido, ou que o apitaço foi organizado pelo PT e o PSOL, não desfaz a condição de vítimas da enchente das pessoas que estavam lá. Muito menos absolve o prefeito de sua responsabilidade de esclarecer o que está fazendo para proteger Cachoeirinha a um ano após a grande enchente de 24.

Ao fim, Cristian precisa sair da bolha de suas redes sociais pessoais e se comunicar melhor com a sociedade. Instagram pode ser bom para mostrar que é uma pessoa agradável, popular, que anda de monociclo, skate, bike e carrinho de lomba. Mas, às vezes, é preciso um pouco de institucionalidade. Principalmente quando as soluções possíveis são tão complexas quanto o problema, no caso das enchentes.

Se não entender o que está acontecendo, Cristian arrisca ver seu segundo governo escoar lomba abaixo. Parem Cachoeirinha que eu quero descer do carrinho, mas, acreditem, entre políticos já se fala em impeachment!?!?!

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