A força que Bethânia Acosta demonstra nos tatames é a mesma que imprime fora deles. Bicampeã mundial de jiu-jitsu, professora e referência em inclusão social por meio do esporte, a atleta foi recebida na última sexta-feira (12) pela Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer (Smcel) de Cachoeirinha, em reconhecimento à mais recente conquista internacional.
No dia 27 de novembro, Bethânia subiu ao lugar mais alto do pódio no Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu Esportivo, organizado pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo (CBJJE), disputado no Parque Ibirapuera, em São Paulo. A atleta conquistou duas medalhas de ouro, nas categorias peso e absoluto, confirmando o título de bicampeã mundial e consolidando seu nome entre as principais referências da modalidade no país.
“O título de Bicampeã Mundial, assim como o de Bicampeã Brasileira que conquistei em maio deste ano, significa muito mais do que uma medalha. É fruto de disciplina, trabalho duro e comprometimento. Também é exemplo para meu filho e para meus alunos. É gratificante”, afirma Bethânia.
Do tatame à transformação social
A trajetória da atleta no jiu-jitsu começou de forma simples e familiar. Quando o filho tinha apenas cinco anos, Bethânia o acompanhava aos treinos. Curiosa, decidiu experimentar a modalidade — e nunca mais parou.
Hoje, ela é professora em um Centro de Treinamento localizado no Parque da Matriz, onde desenvolve um trabalho que vai além do rendimento esportivo. O espaço mantém atividades regulares com crianças autistas e com Síndrome de Down, promovendo inclusão, respeito e pertencimento. Além disso, o CT oferece bolsas para crianças em situação de vulnerabilidade social, ampliando o acesso ao esporte.
Para Bethânia, o jiu-jitsu é uma ferramenta de transformação pessoal e coletiva. “Venho de uma família muito pobre e fui vítima de violência doméstica. Aprender a se proteger e evitar situações de risco é fundamental para todas as mulheres. O jiu-jitsu ensina autoestima, autoconfiança, autocontrole e frieza em momentos de perigo”, relata.
Hoje, cerca de 60% das turmas comandadas por ela são formadas por mulheres e meninas — um reflexo direto da identificação com a história da professora e do ambiente acolhedor construído no tatame.
Incentivo que gera resultados
Para viabilizar a participação em competições de alto nível, Bethânia conta com apoio do Fundo Municipal do Desporto (FUNDESP), que incentiva o esporte de rendimento em Cachoeirinha. Os recursos auxiliam em despesas como alimentação, hospedagem e deslocamento.
Somente em 2025, a Prefeitura já investiu mais de R$ 150 mil, por meio do FUNDESP, no apoio a atletas do município em diferentes modalidades. Um investimento que retorna em conquistas, visibilidade e, sobretudo, impacto social.
Bethânia Acosta representa mais do que títulos e medalhas. Sua história une superação, excelência esportiva e compromisso com a inclusão — mostrando que, no jiu-jitsu e na vida, força também é saber levantar os outros.






