RAFAEL MARTINELLI

Terrorismo em Brasília: Gravataiense é identificado entre presos gaúchos; Entre a marmita da Papuda e a mamata sem sigilo do Bolsonaro, valeu a pena ser bucha de canhão, Ademir?

Arte com foto publicada pelo G1 identificando Ademir como gravataiense entre presos após invasão aos Três Poderes, em Brasília

Ademir Domingos Pinto da Silva, de 52 anos, cuja origem informada pelo G1 da Globo é Gravataí, resta uma das 15 pessoas do Rio Grande do Sul que foram identificadas pelo governo do Distrito Federal entre os presos por envolvimento nos ataques terroristas ocorridos na Praça dos Três Poderes, no domingo (8), em Brasília. Ao fim do artigo, estabeleço uma relação entre o cujo e a quebra do sigilo dos gastos de Jair Bolsonaro na Presidência da República.

Antes, vamos às informações.

A lista de presos após os atos terroristas passou de 1 mil nomes até esta quarta-feira (11).

Conforme o site, que não localizou a defesa de Ademir, ele é microempreendedor individual. “Conforme publicações nas redes sociais, já trabalhou com eletrônicos e extintores de incêndio”, diz o site.

Consultei fontes ligadas ou não ao bolsonarismo em Gravataí e ninguém admitiu conhecer Ademir. O perfil nas redes, que o G1 parece ter extraído informações e a foto que ilustra a reportagem, identifica o preso como morador de São Paulo.

Uma consulta ao sistema do Tribunal de Justiça gaúcho mostra processos no nome de Ademir na Comarca de Gravataí.

E uma publicação de 2019, feita pelo site Costa Oeste News, citando como fonte o paraguaio Jornal La Clave, também identifica um Ademir, com o mesmo perfil, como oriundo de Gravataí, ao reportar o suposto envolvimento dele em incidente onde denunciou ter sido agredido por seguranças de loja de eletrônicos em Ciudad del Este, no Paraguai.

Em tese, Ademir pode ser condenado a até 8 anos de reclusão, conforme a “nota de culpa” que presos assinaram após triagem na Academia de Polícia da Polícia Federal, antes de serem levados para o Complexo Prisional da Papuda ou a Penitenciária Colmeia.

O documento dá conhecimento sobre os crimes que respondem os presos, enquadrados no âmbito do inquérito 4879, instaurado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, de “atos terroristas”, “associação criminosa”, “abolição violenta do Estado democrático de direito”, “golpe de Estado”, “ameaça”, “perseguição”, “incitação ao crime” e “dano ao patrimônio”.

Além dos crimes previamente tipificados na nota de culpa, é possível que, ao longo da investigação, outros delitos sejam identificados, como furto qualificado (objetos, entre eles armas, desapareceram dos prédios públicos) e lesão corporal contra policiais e seguranças privados.

O secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Sandro Caron, confirmou que a participação de gaúchos em atos golpistas também é investigada pelo estado.

– Saíram ônibus com gaúchos para Brasília, saíram das imediações do Comando Militar do Sul – disse ao G1.

Conforme o chefe da Polícia Civil do RS, Fábio Motta Lopes, a investigação dos ataques está sendo conduzida por Brasília, mas as forças de segurança gaúchas estão colaborando com informações.

– Há um controle no estado sobre quais são os ônibus, quem são os passageiros. Se alguém usou nomes falsos, vamos chegar a essas identificações – disse, também ao G1.

Fato é que, seja de Gravataí, ou de São Paulo, o Ademir citado pelo G1 tem que se preocupar com a estadia na Papuda.

Que, se preso lá, tenha todas as garantias de direitos humanos e ampla defesa ao responder ao inquérito que pode torna-lo, se cumprir pena, um presidiário, e, depois, um ex-presidiário.

Como cadeia não é colônia de férias, como bem lembrou Xandão, não terá o tratamento que Jair Bolsonaro garantiu para si próprio na Presidência da República, como revelam as primeiras quebras de sigilo de 100 anos sobre gastos em cartões corporativos pagos pelo contribuinte.

Em hotéis foram R$ 13,6 milhões. Em um único hotel de São Paulo, Bolsonaro recebeu R$ 1,46 milhões (o que equivaleria a 3 mil diárias).

Entre os gastos, foram R$ 8,6 mil só em sorvetes. Um mercado gourmet em Brasília recebeu R$ 678 mil em 1.200 compras. Uma padaria carioca recebeu R$ 362 mil, ou 8 salários mínimos de uma única vez. Em uma única compra foram R$ 55 mil.

Ao fim, na Papuda, hoje, é marmita, de arroz com linguiça. Mamata só para golpistas em Miami. Valeu a pena ser bucha de canhão desse crime continuado contra a democracia, ‘Ademir do G1’?

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nossa News

Publicidade