A MetSul Meteorologia — reconhecida em todo o país pelos altos índices de acerto, pela precisão dos alertas e pela cobertura e prestação de serviços decisiva durante a grande enchente de 2024 no Rio Grande do Sul e na Região Metropolitana — emitiu um novo e importante aviso: um ciclone intenso e incomum vai se formar sobre o território gaúcho entre esta terça (9) e a quinta-feira (11), trazendo risco de ventos muito fortes, chuva volumosa e temporais em diversos estados do Sul e Sudeste do Brasil.
O alerta foi elaborado pelos meteorologistas Estael Sias e Luiz Fernando Nachtigall, e publicado pela MetSul, que também disponibilizou mapas de rota e projeções de vento.
O que vai acontecer — explicado de forma simples
Segundo a MetSul, o fenômeno funciona como um grande “redemoinho” atmosférico que se forma a partir de um centro de baixa pressão. No caso deste ciclone, o ar quente e o ar frio se organizam de tal forma que criam um sistema capaz de gerar ventos muito fortes e instabilidade intensa — algo similar ao que ocorre no outono e inverno, mas extremamente raro para dezembro, no início do verão.
A pressão do ar no centro do ciclone pode ficar entre 980 e 990 hPa, valores muito baixos para o território gaúcho. Para leigos, isso significa que a atmosfera estará “mais leve”, facilitando a formação de ventos fortes. A MetSul destaca que, se confirmado, será um dos sistemas mais intensos na região desde o furacão Catarina, em 2004 — embora o fenômeno atual não seja um furacão, pois se forma em terra e não no oceano.
Linha do tempo do ciclone e onde vento será mais forte
A MetSul estabeleceu uma linha do tempo para o ciclone.
Na terça (9), o centro de baixa pressão se transforma em um ciclone extratropical no Oeste do RS. Na terça à noite, o sistema se desloca para o Leste, aproximando-se da Lagoa dos Patos. Na quarta (10), o ciclone atinge seu pico, passando rente ao litoral, ainda muito intenso. E na quinta (11) começa a se afastar do continente, mas ainda com vento forte, especialmente no Litoral e região da Lagoa dos Patos.
Conforme a MetSul, a projeções dos locais com ventos mais fortes é: 60 a 90 km/h em grande parte dos estados do Sul; 80 a 100 km/h no Sul e Leste do RS; 100 a 120 km/h ou mais, de forma localizada no Litoral Sul (Região da Lagoa dos Patos, Costa entre Santa Vitória do Palmar e Mostardas/Palmares do Sul e Aparados da Serra e Serra do Nordeste gaúcho).
Porto Alegre e Região Metropolitana: risco elevado
Por estarem ao Norte da Lagoa dos Patos — área diretamente impactada pela circulação do ciclone — Porto Alegre, Guaíba, Eldorado do Sul e cidades próximas devem sentir ventos muito fortes.
Segundo a MetSul são previstos ventos de 70 a 90 km/h na maior parte da capital, 90 a 110 km/h no Sul de Porto Alegre e áreas próximas ao Guaíba e rajadas mais fortes podem ocorrer por causa da topografia: prédios altos, morros e ruas canalizadas podem aumentar a força do vento.
O Rio Grande do Sul é a área de maior risco.
As cidades citadas na rota crítica incluem: Chuí, Santa Vitória do Palmar, Rio Grande, Pelotas, São Lourenço do Sul, Mostardas, Tavares, Camaquã, Tapes, Barra do Ribeiro, Guaíba, Porto Alegre, Viamão, Pinhal, Cidreira, Tramandaí, Imbé, Xangri-lá, Capão da Canoa, entre outras.
O pior cenário deve atingir a faixa costeira e o entorno da Lagoa dos Patos.
Também estão na rota Santa Catarina (80 a 100 km/h, podendo chegar a 130 km/h nas áreas altas do Planalto Sul e na Grande Florianópolis), Paraná (70 a 100 km/h, principalmente no Leste do estado e Serra do Mar; Curitiba pode ter rajadas de 70 a 80 km/h, com locais acima disso), São Paulo e Sul de Minas (cidades do Leste paulista, inclusive a capital, podem registrar 60 a 80 km/h, com pontos isolados acima).
Por que este ciclone é tão fora do comum?
Conforme a MetSul, o fenômeno é muito intenso para dezembro (época em que esses sistemas geralmente são fracos). Além disso, tem pressão atmosférica extremamente baixa, raríssima sobre o continente e atravessa o território gaúcho, o que potencializa os ventos na costa e na Lagoa dos Patos.
Todas as informações técnicas, projeções de rota e dados meteorológicos são da MetSul Meteorologia, com análise e texto original dos meteorologistas Estael Sias e Luiz Fernando Nachtigall, especialistas reconhecidos pela precisão dos alertas — especialmente durante a enchente histórica de 2024.






