SEGURANÇA

Após homicídio em Gravataí, comerciantes do bairro recebem ameaças e pedidos de “proteção”

Polícia Civil investiga homicídio

Comerciantes e moradores do bairro Parque Florido, em Gravataí, relatam ter começado a receber ligações com pedidos de dinheiro e ameaças diretas desde o homicídio ocorrido na madrugada desta segunda-feira. Segundo relatos, o interlocutor telefônico exige pagamento para garantir “proteção” e afirma que pode invadir comércios e residências caso não seja atendido.

“Assim que recebi a ameaça, disse que registraria ocorrência policial. A pessoa falou que tinha escolhido o crime e não tinha medo de polícia”, contou ao Seguinte: um morador, que ouviu o mesmo relato de outros comerciantes, já registrou boletim de ocorrência online e foi até delegacia na tarde desta terça-feira.

Execução dentro de casa, frente aos pais

As extorsões começaram após o assassinato de um jovem de 24 anos, morto dentro de casa por pelo menos 14 disparos de pistola, em frente aos pais. A informação foi publicada pelo repórter Marcel Horowitz, do Correio do Povo. O crime ocorreu por volta da 1h25min, em um beco ligado à rua Osasco.

Segundo a Polícia Civil — conforme relatado por Horowitz no Correio do Povo — dois homens encapuzados invadiram o imóvel e fugiram em um automóvel branco. A vítima tinha antecedentes criminais, mas, de acordo com pessoas próximas, havia deixado atividades ilícitas. As autoridades confirmam essa mudança de comportamento.

A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) suspeita que a morte tenha sido motivada por conflitos pessoais entre o jovem e um traficante da região. A investigação, segundo o delegado Rafael Pereira, aponta ligação com integrantes de uma facção, que tem como um de seus territórios o Parque Florido, mas descarta envolvimento de rivais.

Ainda conforme o delegado relatou ao CP, não há conexão entre esta execução e o assassinato ocorrido dias antes no entorno do Fórum.

Clima de tensão no comércio

A partir da circulação da notícia do homicídio, moradores afirmam ter começado a receber telefonemas de origem desconhecida. As exigências variam, mas seguem o padrão de cobrança de dinheiro para evitar represálias. O temor é que a vulnerabilidade momentânea do bairro esteja sendo explorada por criminosos.

“Estamos assustados. Não sabemos se é alguém ligado ao caso, se é oportunismo ou extorsão organizada. Só sei que nunca tivemos ligações assim”, disse um comerciante, que preferiu não se identificar.

Ao menos um morador teria feito pix para garantir a “proteção”.

A própria Delegacia de Homidícios vai investigar se há relação entre o crime investigado e os telefonemas denunciados. A orientação nestes casos é que todas as vítimas registrem ocorrência para permitir a apuração formal.

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