Futebol não permite desaforos! Desperdiçar um pênalti e errar outro gol feito em mata-mata de Copa do Mundo é uma afronta aos deuses da bola. É terreno fértil para o castigo do “quem não faz, leva”.
Pela terceira vez seguida, fomos eliminados por uma seleção emergente. O recado é claro: os pequenos e médios evoluíram. Nós seguimos dependentes das individualidades, que hoje até decidem alguns jogos, mas são incapazes de “colocar no bolso” o maior torneio de futebol do mundo.
Fizemos um ciclo pós-2022 apavorante, com a pior campanha da história nas Eliminatórias. Mais um recado dado pelo campo. O nível das atuações melhorou um pouco com a chegada de Carlo Ancelotti há 13 meses, mas a Seleção jamais se mostrou confiável coletivamente.
Até porque o italiano venceu as principais ligas do mundo, mas sempre se mostrou dependente do brilho individual. Ou seja, trouxemos um estrangeiro, mas não atacamos a raiz do nosso atraso.
Foram cinco jogos nesta Copa e nenhum de encher os olhos. A maior parte dos nossos gols nasceu de roubadas de bola. Priorizamos a velocidade em detrimento da construção das jogadas, da criatividade e da armação. Neymar poderia ter sido lançado bem antes. Não como pensamento mágico, mas a serviço do coletivo.
Desde 1990 não éramos eliminados tão cedo. Agora, entraremos no maior jejum da nossa história: 28 anos sem erguer o troféu mais cobiçado do esporte.
“Em 58, foi Pelé. Em 62 foi o Mané. Em 70, o esquadrão, primeiro a ser tricampeão. Em 94, Romário. Em 2002, Fenômeno. O primeiro tetracampeão e o único Penta é o Brasilzão”. Louvemos a nossa história e os nossos heróis eternos, mas é hora de virar a página.
Enquanto não priorizarmos a força coletiva, seguiremos parados no tempo e vivendo de nostalgia. Que as lágrimas de hoje ajudem a semear o caminho para o Hexa. Com leitura de cenário e mudanças profundas na cultura e nas estruturas.






