Horas após tomar posse como prefeita interina de Cachoeirinha, na madrugada deste sábado, Jussara Caçapava (Avante) falou com exclusividade ao Seguinte:. A entrevista foi concedida por telefone enquanto a nova chefe do Executivo organizava os últimos trâmites burocráticos para ocupar o gabinete nas primeiras horas desta tarde.
O prefeito Cristian Wasem (MDB) e o vice-prefeito Delegado João Paulo Martins (PP) foram cassados às 23h35 desta sexta-feira, no julgamento do Impeachment 2.0.
A seguir, os principais trechos da conversa.
Seguinte: — Em seu juramento de posse, foi perceptível um semblante sério e um olhar para o horizonte, como quem refletia: “e agora?”.
Jussara Caçapava: — É verdade. A responsabilidade é grande. Quero fazer uma gestão popular, voltada para a comunidade, com humanidade e transparência, em parceria e respeitando todos os vereadores. Tenho uma família que me ajuda muito, inclusive tecnicamente, e isso me permite estar nas ruas, ouvindo o povo e vendo com meus próprios olhos os problemas e as dificuldades do governo. Agradeço aos meus filhos e vamos honrar o legado do meu saudoso Ildo Caçapava, que sempre dizia que “a faculdade da vida é o dia a dia”.
Seguinte: — Qual será a prioridade número 1 do governo?
Jussara: — A limpeza da cidade, que está tomada de lixo. Vou fazer o básico, limpar o lixo. Depois, avançar principalmente na saúde. Vamos buscar uma gestão plena em saúde, como acontece em Gravataí. Nunca prometi — e não prometo — resolver tudo do dia para a noite. A gestão pública não é como a nossa casa, em que a gente resolve e faz rapidamente. Aqui o tempo é diferente: há burocracia, legislação. O que posso garantir é muito trabalho e dedicação. As coisas precisam mudar.
Seguinte: — A senhora confirma a informação de que pretende criar uma Secretaria de Transparência?
Jussara: — Sim. Com a ajuda dos técnicos, quero auditar todos os contratos e saber, detalhadamente, onde foram aplicados os recursos dos financiamentos que ultrapassam R$ 80 milhões destinados a obras.
Seguinte: — Preocupa a possibilidade de perda do financiamento chinês, estimado em cerca de meio bilhão de reais, do programa Cachoeirinha 2050?
Jussara: — Será uma das primeiras questões que vamos tratar. Também quero melhorar as relações com os governos estadual e federal. Para isso, conto com a ajuda do deputado estadual Dimas Costa (PSD), que já vem me auxiliando na busca por recursos para Cachoeirinha. Um bom exemplo de gestão é o do prefeito de Gravataí, Luiz Zaffalon. Gosto do governo daquele homem. Vou copiar o que é bom.
Seguinte: — O governo interino será de coalizão, com participação inclusive de partidos de oposição que votaram a favor do impeachment, como PT e PL?
Jussara: — Vou tentar. Presidi a Câmara em 2021, em 2024 e agora fui reeleita, sempre dialogando com todos os partidos. Gosto da democracia.
Seguinte: — Já é possível informar a composição do novo secretariado?
Jussara: — Segunda ou terça-feira.
Seguinte: — A senhora será candidata na eleição suplementar?
Jussara: — Sim.
Seguinte: — Pretende conversar com os atores políticos favoráveis ao impeachment para construir uma aliança?
Jussara: — Sei que não é fácil, mas vou tentar. Isso seria bom para a estabilidade política de Cachoeirinha. Mas, neste momento, o foco é governar. Sou do povo, gosto de ouvir, de estar com o povo e tenho humildade para, se preciso — como se diz —, “consultar os universitários”. Não vou governar de dentro de um gabinete. Serei a prefeita da comunidade.
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