RAFAEL MARTINELLI

Emergência sanitária, operação 24h e força-tarefa: Prefeitura decreta guerra ao lixo em Cachoeirinha; do discurso ao decreto

Jussara Caçapava foi eleita prefeita na eleição suplementar de 12 de maio

A crise do lixo em Cachoeirinha entrou oficialmente em estado de emergência. A prefeita interina Jussara Caçapava (Avante) decretou Situação de Emergência Sanitária por 60 dias, a partir desta sexta-feira (9), diante do grave acúmulo de resíduos sólidos em diversos bairros da cidade.

A medida abre caminho para uma operação emergencial em regime ininterrupto de 24 horas, inicialmente concentrada em uma força-tarefa intensiva de 15 dias, com o objetivo de remover o lixo acumulado e restabelecer a normalidade sanitária e operacional do município.

O decreto, assinado na manhã desta terça-feira (6), reconhece oficialmente a falência temporária do sistema de coleta, transporte e destinação do lixo, citando a ineficiência do serviço, o acúmulo de resíduos em vias públicas e contêineres, além do risco concreto à saúde pública, com possibilidade de proliferação de vetores, contaminação ambiental e agravamento de doenças.

A decisão também responde às reiteradas reclamações da população e à ampla repercussão negativa do problema na imprensa local e estadual — cenário que marcou os últimos meses da gestão anterior e foi um dos primeiros desafios herdados por Jussara, que assumiu o comando da cidade após a cassação do prefeito Cristian Wasem (MDB) e do vice Delegado João Paulo Martins (PP).

Do discurso ao decreto

A medida materializa, na prática, a promessa feita por Jussara Caçapava poucas horas após a posse. Em entrevista exclusiva ao Seguinte:, concedida ainda no sábado, a prefeita interina foi direta ao apontar sua prioridade número um: “A limpeza da cidade, que está tomada de lixo. Vou fazer o básico, limpar o lixo”.

Três dias depois, o compromisso saiu do discurso para o Diário Oficial.

“Estamos cumprindo exatamente o que dissemos quando assumimos: resolver o problema do lixo seria prioridade. Pelo bem da nossa cidade e da nossa população, precisávamos agir com rapidez, responsabilidade e transparência para solucionar, o mais rápido possível, uma situação que já se arrastava há semanas”, afirmou a prefeita.

Nova empresa, frota reforçada e início imediato

No mesmo dia em que assinou o decreto, Jussara também formalizou o contrato com a nova empresa responsável pela coleta de resíduos sólidos, selecionada por meio de processo licitatório ainda na gestão anterior. As operações começam nesta sexta-feira (9), com apresentação pública da empresa às 10h e início imediato dos serviços.

A estrutura anunciada prevê oito caminhões novos de grande capacidade, todos zero quilômetro, além de 24 garis, oito motoristas e equipe técnica de apoio, ampliando significativamente a capacidade de recolhimento do lixo no município. O contrato prevê coleta manual e mecanizada, transporte e destinação final dos resíduos domiciliares.

A estimativa operacional é de cerca de 3,6 mil toneladas de lixo por mês, o equivalente a aproximadamente 44 mil toneladas por ano, com coleta mínima de três vezes por semana em todos os bairros, em turnos diurno e noturno. Em situação de emergência, porém, o decreto autoriza a execução dos serviços em regime contínuo de 24 horas, tanto pela empresa contratada quanto pela estrutura municipal.

Força-tarefa municipal e transbordo em Gravataí

Além da empresa licitada, o decreto determina a atuação direta da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos (SMISU), que passa a coordenar uma força-tarefa emergencial, com uso de maquinários, caminhões e equipes próprias da Prefeitura. A mobilização terá duração inicial de 15 dias, podendo ser ajustada conforme a evolução dos trabalhos, dentro do prazo máximo de 60 dias da emergência.

Outra mudança estratégica é a transferência do local de transbordo do lixo, que deixa de ser feito em São Leopoldo e passa a ocorrer em Gravataí, por meio de cooperação técnica entre os municípios. A medida busca reduzir filas, tempo de espera e gargalos logísticos — havia registros de caminhões aguardando mais de seis horas para descarregar.

O transporte complementar até a destinação final, que segue sendo realizada em São Leopoldo, será feito de forma temporária e sem custos adicionais ao município, com abatimento expresso no contrato, conforme determina o decreto.


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