A prefeita interina de Cachoeirinha, Jussara Caçapava (Avante), fez uma das nomeações politicamente mais simbólicas — e estratégicas — no delicado governo de transição. Cláudio Ávila, vereador de segundo mandato em Gravataí e brilhante advogado, assumiu como assessor especial da prefeita.
Ávila seguirá exercendo normalmente o mandato legislativo em Gravataí. Ao Seguinte:, explicou que o convite partiu diretamente de Jussara e que a decisão de aceitar ajudar o governo de transição passou por uma lógica regional, especialmente na área da saúde.
– A má condução da saúde em Cachoeirinha pressiona a saúde de Gravataí, da região. Quando Cachoeirinha não funciona, a demanda estoura no município vizinho – exemplifica, citando uma das áreas com maior número de demandas reprimidas e que sobrecarregam o sistema gravataiense.
Não se trata de um nome qualquer. Reputo Ávila será uma das estrelas do governo interino.
Advogado de alta qualificação técnica, é também um operador político experiente, com habilidade reconhecida nos bastidores. Não por acaso, virou personagem em capítulo de livro do comunicador Chico Pereira, que o apelidou de “encantador de serpentes”.
O homem que antecipou a queda
Mesmo evitando comentar publicamente, é notório no meio político e jurídico que Ávila teve papel central no impeachment do prefeito Cristian Wasem (MDB) e do vice-prefeito Delegado João Paulo Martins (PP). Especialmente no Impeachment 2.0, aquele que efetivamente cassou prefeito e vice.
O Impeachment 1.0, à época, era visto como juridicamente frágil — tanto que o vice acabou excluído do processo.
Durante todo o rito, Ávila demonstrou algo fundamental nesse tipo de julgamento político-administrativo: capacidade de antever cenários.
Em entrevista polêmica concedida ao Seguinte: ainda em novembro, quando Cristian seguia no cargo, o vereador-advogado praticamente antecipou a cassação, ao afirmar que o prefeito “caminhava a passos largos” para perder o mandato.
Não foi bravata. Foi leitura de ambiente institucional, domínio do rito e compreensão de que, em processos de impeachment, o Judiciário raramente entra no mérito das denúncias — analisa, sobretudo, o cumprimento do rito, terreno onde Ávila se move com desenvoltura.
Um roteiro que repete 2011
A experiência vem de longe. Em 2011, foi Ávila quem assinou as denúncias que levaram ao impeachment da então prefeita de Gravataí, Rita Sanco (PT), e do vice Cristiano Kingeski (PT).
À época, como agora, os cassados tentaram — sem sucesso — mais de uma dezena de medidas judiciais para reverter o processo.
Mesmo quando não aparece formalmente nas peças, sua influência nas estratégias de defesa do rito é reconhecida por aliados e adversários.
Foi após o episódio Rita que passei a chamá-lo de ‘Dr. Impeachment’ — apelido que se confirma, agora, em Cachoeirinha.
O André Lima de Jussara
No governo interino, Ávila assume uma função semelhante àquela exercida por André Lima no governo Cristian Wasem: a de homem forte jurídico-político, com trânsito institucional e leitura fina dos riscos.
O cargo e o contexto de tensão é o mesmo.
Jussara governa sob uma grave ruptura institucional — afinal, todo impeachment é traumático — e sob um clima eleitoral explícito. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) tem até 180 dias para marcar a eleição suplementar que definirá o futuro da Prefeitura.
Nesse cenário, a escolha faz sentido.
Ao fim, acerta Jussara. Ávila reúne técnica, experiência e capacidade política para blindar a prefeita interina, reduzir riscos jurídicos e agir para buscar estabilidade mínima a um governo que nasce sob tensão, cobrança popular e disputa eleitoral.
Não é pouco. E não é casual.
Em Cachoeirinha, as cobras estão sempre à solta. Recomenda-se um ‘encantador’. Se será picado como o todo poderoso André Lima foi, só o tempo dirá.
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