RAFAEL MARTINELLI

Cachoeirinha pode entrar no ‘SPC das prefeituras’ por R$ 600 mil não usados na enchente pelo governo Cristian

Jussara recebeu coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, para tentar prorrogar prazo para uso de recursos não usados na enchente

A Prefeitura de Cachoeirinha corre contra o tempo para evitar um cenário que, na prática, trava a máquina pública: a inclusão no Cadin, o chamado ‘SPC das prefeituras’.

O motivo: cerca de R$ 600 mil em recursos estaduais destinados à enchente de maio de 2024 não foram utilizados pela gestão do ex-prefeito Cristian Wasem, tampouco tiveram a prestação de contas apresentada no prazo.

Agora, o município pode pagar a conta.

Documentos da Defesa Civil estadual confirmam que a prestação de contas foi rejeitada por ausência de documentação e falta de manifestação da prefeitura dentro do prazo.

O ofício encaminhado à prefeita interina Jussara Caçapava, ao qual o Seguinte: teve acesso, alerta que o município tem prazo de sete dias para regularizar a situação, sob pena de ser incluído no Cadin e obrigado a devolver os valores ao Fundo Estadual de Defesa Civil (Fundec/RS), com correção.

Os pareceres técnicos nº 1314 e 1316/2026 consolidam a rejeição. O problema é que o prazo já venceu na prática.

Segundo o procurador-geral do município, Rodrigo Silveira, não há margem para negociação.

– Não fizeram projetos, não usaram os recursos e não devolveram – resume, referindo-se à gestão anterior.

Ele confirma que, sem devolução até o dia 10, a inclusão no Cadin é iminente.

Os recursos foram repassados em três resoluções durante a enchente de 2024. Parte significativa — cerca de R$ 3 milhões — foi utilizada. Mas outros valores, somando aproximadamente R$ 600 mil, ficaram intactos.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Cachoeirinha, Eder Souza, o dinheiro poderia ter sido aplicado em ações básicas e urgentes.

– Poderia ser usado em hidrojateamento, limpeza da cidade, contratação de equipes para serviços especiais no pós-enchente – explica.

Ou seja: recursos para enfrentar exatamente os problemas que ainda afetam a população.

Veja dois documentos e, abaixo, sigo.



Pedido de prazo negado

A atual gestão tentou reverter o cenário.

Segundo nota da prefeitura, Jussara solicitou ao Estado a ampliação do prazo para aplicação dos recursos, argumentando que o dinheiro segue parado e poderia ser convertido em obras e serviços.

Não houve sucesso. Em reunião com o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, a resposta foi negativa: não há possibilidade de prorrogação.

A inclusão no Cadin não quebra a prefeitura. Mas, na prática, quase paralisa sua capacidade de investimento.

Funciona como um ‘SPC das prefeituras’.

E as consequências são diretas: bloqueio de transferências voluntárias (convênios, emendas, repasses); impossibilidade de firmar novos acordos com governos; travamento de financiamentos em bancos públicos; perda de credibilidade fiscal; e pressão política por paralisação de obras e serviços.

Em resumo: menos dinheiro, menos obras, mais crise.

Nota da prefeitura ao Seguinte: atribui a situação à gestão anterior, afirmando que nenhum projeto foi elaborado para aplicação dos recursos.

Já o ex-prefeito Cristian Wasem informou que irá se manifestar nesta tarde.

O caso, inevitavelmente, entra no campo político — ainda mais em meio ao cenário eleitoral da cidade.

Mas, antes da disputa de versões, há um fato objetivo: o prazo corre. E, se o dinheiro não for devolvido, Cachoeirinha pode entrar na lista de inadimplentes do Estado.

Ao fim, seria ‘Dos Grandes Lances dos Piores Momentos’ chegarmos à conclusão de que sobrou dinheiro e faltaram problemas na enchente.

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