SAUL TEIXEIRA

Entre o ideal e o possível: a nova lógica do Inter de Pezzolano

Entre o mundo ideal e o real, às vezes existe um abismo. É dentro dessa lógica que o Internacional de Paulo Pezzolano precisa encarar o restante da temporada.

É preciso ser racional, pragmático e, neste momento, abdicar da performance, se for o caso. A Copa do Mundo para os vermelhos são os constrangedores, porém necessários, 45 pontos. Não esqueçamos!

A pior campanha do Brasileirão como mandante e o G-6 como visitante é sintomática, ilustrativa, quase definitiva. O campo está gritando qual é o padrão ideal de jogo e, consequentemente, qual é a escalação mais equilibrada para o momento.

É com Bernabei na linha de meias, Alan Patrick no banco de reservas e Carbonero livre, leve e solto como segundo atacante. Inclusive em partidas no Beira-Rio.

Mais do que isso, com Alerrandro entre os 11 e com Borré também entre os suplentes. É o fim das escalações pelo contracheque e a consagração da regra que deveria ser óbvia: joga quem está mais bem preparado.

Inicialmente, aprovamos a mecânica “camaleônica” do Inter: fora de casa, mais pragmático e, dentro de seus domínios, no esquema “pra dentro deles”. Mas os desempenhos pavorosos no Beira-Rio devem revogar a premissa. Para ontem!

A derrota para o então lanterna Mirassol é o exemplo mais recente. Não apenas pelo placar final, mas sobretudo pelo nível de atuação, que escancarou a fragilidade da transição defensiva. Em português mais direto, o time cede muitos espaços ao adversário, sobretudo nos contragolpes.

Com passaporte semi-carimbado para a Copa do Mundo no segundo semestre, Carbonero precisa ser guindado à condição de protagonista. A providência de escalá-lo como segundo atacante e garantir a ele liberdade total no último terço talvez seja a cereja possível para o bolo do momento: ora pela esquerda, ora pela direita, ora como protótipo de camisa 10, explorando as entrelinhas do adversário.

No mais, o argentino Rodrigo Villagra parece ter tomado conta da camisa 5 com louvores e, assim, passou a atenuar uma lacuna aberta desde a aposentadoria de Fernando. Ao lado dele, têm jogado Bruno Henrique ou Paulinho de Paula. Aqui, uma discordância frontal do treinador.

O camisa 8 deveria ser Thiago Maia, com sequência, rotina, repetição e insistência. Na comparação com os outros dois, é aquele que melhor cumpre os requisitos da função: marcar, desarmar, ajudar na criação e chegar à frente. Mas, enfim!

Que role a bola no domingo contra o Fluminense. Partida no Beira-Rio, marcando o final do feriadão e, talvez, a tão necessária virada de chave no campeonato. É vencer ou vencer. Com Bernabei avançado e Alan Patrick no banco. Ah, como o futebol é dinâmico.

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